Arquivo de Janeiro 2011

Imprensa: PARA A HISTÓRIA DOS JORNAIS E REVISTAS ARGANILENSES

Janeiro 28, 2011

Por João Alves das Neves

Depois do artigo sobre o Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa, pretendemos acrescentar outros comentários em torno da História da Imprensa de Arganil, a partir do que escreveu o dr. A.J.de Vasconcelos, pioneiro do regionalismo da Beira Serra e um dos principais doutrinadores do Movimento.

No texto que publicou no Livro de Ouro do XXV aniversário da Casa da Comarca de Arganil, em 1954, está uma extensa lista da Imprensa de Arganil, Góis e Pampilhosa da Serra: o total é de 24 títulos, mas temos de considerar que nem todos são periódicos, pois vários deles foram números únicos, como são os casos do “Fraternidade” (1888), “Manhãs Dominicais” (1911), “O Regedor” (1914) e “A Voz dos Rouxinóis” (1946) – é claro que nos referimos tão somente aos arganilenses.

De outro lado, incluímos 2 suplementos infantis de “A Comarca”: “O Jornalito”, porque teve 6 edições, e “O Bebé“, dirigido pelo jornalista Luís Ferreira. No estudo que apresentou na revista “Arganilia” (2006) esclarece Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra) que “O Jornalito” foi uma brincadeira do pai da “directora” (que era menor), mas “O Bebé” foi dirigido por um jornalista profissional” que trabalhava no jornal lisboeta “O Século” e que depois se tornou um dos mais assíduos redactores de “A Comarca” : enquanto o primeiro suplemento foi efêmero, “O Bebé” durou de 1-1-1930 até 23-12-1932. Não obstante, o mais duradouro dos suplementos infanto-juvenis da centenária “Comarca” foi “A Comarquinha”, que tivemos o prazer de coordenar no decurso de 16 anos, desde 3 de Janeiro de 1991 até 3 de Dezembro de 2008, completando 216 edições mensais.

Voltamos a falar do Livro de Ouro da Casa da Comarca de Arganil para recordar que se tratou de um projecto do Dr. Álvaro Marques Afonso, que o dirigiu após deixar a presidência da instituição. E um dos seus mais próximos colaboradores foi o Dr. Armando José de Vasconcelos Carvalho, o mais entusiasta regionalista que conhecemos de perto. Aliás, o volume deve ser considerado a mais genuína “Bíblia” do Regionalismo da Beira-Serra, pois reuniu alguns dos destacados cultores do Movimento que lutou pelo progresso material e cultural da Beira.

Antes de concluir o nosso segundo artigo acerca da Imprensa de Arganil (quem se habilita a fazer o historial do jornalismo goiense, pampilhosense e dos outros municípios beirões – pelo menos o dos que ficam no lado de cá da Serra de Estrela, é necessário relembrar a iniciativa da revista cultural “Arganilia” (tão injustamente atacada por quem nada fez pela nossa Terra). Referimo-nos, evidentemente, ao Colóquio da Imprensa, realizado em Lisboa, que contou não somente com a nossa colaboração, mas também com os depoimentos de Monsenhor A. Nunes Pereira, Regina Anacleto, José Caldeira, António Ramos de Almeida, Aníbal Pacheco, Lina Maria Alves Madeira, Teodoro Antunes Mendes, J. E. Mendes Ferrão, António Lopes Machado, Beatriz Alcântara, Cáceres Monteiro e Fernando Correia da Silva.

Entre as conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira Serra, ressalta-se o propósito de promover em 1991 o II Encontro, durante o qual poderiam ser ampliados os temas da imprensa e outros que abordassem igualmente as questões em aberto do Movimento Regionalista e os de História, Literatura, Folclore e Artesanato, Música, Arquitectura e Artes Plásticas, Economia, etc. Por não se ter concretizado o II Colóquio, quem assume – agora – o desafio?

Na realidade, nem sequer se esgotou o tema da Imprensa, actualizado com a restauração de “A Comarca de Arganil”. Quanto a nós, retomaremos o assunto, comentando as publicações periódicas:

  1. O Trovão da Beira (1871)
  2. Folha Verde (1890)
  3. A Comarca de Arganil (1901)
  4. O Franco Liberal (1905)
  5. Jornal de Arganil (1913)
  6. O Crítico (1914)
  7. Correio de Arganil (1915)
  8. O Celavisense (1916)
  9. O Celavisense (1920),
  10. O Crítico (1921)
  11. O Crítico (1922)
  12. Jornal de Arganil (1926)
  13. Acção ao Regional (1931)
  14. Arganilia (revista cultural da Beira Serra)

MUSEU DA IMPRENSA REGIONAL E DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Janeiro 28, 2011

                                                                                  João Alves das Neves (*)

A História da Comunicação que leccionei durante cerca de 25 anos na Faculdade de Comunicação Social “Cásper Líbero” – pioneira do ensino jornalístico no Brasil – foi a que mais me interessou, entre outras cadeiras. Trata-se de um tema ligado de perto ao jornalismo profissional que exerci por mais de meio século: exige conhecimento e interpretação.

Das aulas práticas, passei à busca e selecção dos jornais e revistas que apresentei nas 16 mostras no Brasil  (12), Portugal (2), (França, na UNESCO, em Paris) e em Macau. E, como pesquisador, publiquei 2 livros: História breve da  Imprensa de Língua Portuguesa no Mundo (Lisboa, 1989)  e  A Imprensa de Macau e as Imprensas de Língua Portuguesa no Oriente  (Macau, 1999). A informação sobra, mas nunca dirigi nenhum museu.

Entre os vários colóquios que coordenei, recordo o de 2000, em Lisboa, onde pudemos recolher as valiosas colaborações de Monsenhor A. Nunes Pereira (“Do Jornal ao Livro”), de  Regina Anacleto (da Universidade de Coimbra – “Bosquejo histórico da Imprensa Arganilense”), de Aníbal Pacheco (“Imprensa Regional – um factor de Cultura”), de  Lina Maria  G. Alves Madeira (“Do “Jornal da  Mulher” às mulheres do  Jornal de Arganil”), de Teodoro Antunes Mendes (“A minha homenagem  à A Comarca de Arganil”)  de J. E. Mendes Ferrão (“A Comarca de Arganil, o mensageiro das “novas”e o fermento da saudade), António Lopes Machado (Nos meus 41 anos de redactor de  A Comarca de Arganil em Lisboa), carta da escritora Beatriz Alcântara (de Fortaleza, Brasil), jornalista Cáceres Monteiro (A Imprensa Regional é mais lida do que a nacional”, Fernando Correia da Silva (“À Comarca, abraço de universalidade”), e Conclusões do I Colóquio da Imprensa da Beira-Serra. A reunião terminou com uma alocução de Jorge Moreira da Costa Pereira, sócio-gerente do jornal ” A Comarca de Arganil”

O I Colóquio  abriu com a nossa intervenção, “Subsídios para o Inventário da  Imprensa da Beira-Serra”, na condição de Director da Revista cultural Arganilia assinalando-se que voltámos a abordar o assunto na mesma publicação, em ensaio de 16  páginas, “Para a História dos Jornais e Revistas Arganilenses (edição nº. 20,  ano 2006). Além de artigos esparsos de diversos autores sobre o  tema,  há que destacar o lançamento volume  do Centenário de A Comarca de Arganil, que foi coordenado pela investigadora e escritora Regina Anacleto, Professora de História de Artes da Universidade de Coimbra.

As informações constantes do nosso texto seriam suficientes para justificar a instalação e as possíveis actividades do Museu da Imprensa Regional e das Comunidades de Língua Portuguesa, não só porque Arganil faz jús a esta necessária instituição cultural, mas também porque  tem condições de estabelecer os laços com o Mundo da Língua Portuguesa – devem somar dezenas de milhares os emigrantes que nasceram na Beira-Serra e vivem nos cinco Continentes.  Impõe-se, aliás, o motivo ponderável que temos no Rio de Janeiro o grande acervo jornalístico e literário do Real Gabinete Português de Leitura, do Liceu Literário Português e de outras associações culturais luso-brasileiras de alto nível, assim como em São Paulo se projectam as extraordinárias obras da Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência, o renovado Clube Português (que volta a sobressair no cenário da Terra Bandeirante) e a Casa de Portugal, a-par de outras meritórias agremiações luso-paulistas. E o mesmo poderá afirmar-se das entidades lusas  em acção na Bahia, em Pernambuco, Fortaleza, Manaus, Belém do Pará, São Luís do Maranhão, Curitiba, Porto Alegre e em mais cidades deste fantástico País-Continente que é o Brasil, criado pelos  portugueses  e desenvolvido com os emigrantes que vieram de todo o Mundo!

(*) O articulista é escritor português  e vive no Brasil. Já publicou mais de três dezenas de livros, os últimos dos quais foram  Dicionário de Autores da Beira-Serra (2008),  Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo (2009)  e Livro dos 90 anos do Clube Português (2010). 

A VIAGEM DE AUTOCARRO

Janeiro 27, 2011

Por Isabel Gouveia

Fui confrontada com uma situação embaraçosa que teve o condão de reacender a minha vontade de “cronicar” (passe o desuso do termo, já abolido pelo “Dicionário da Língua Portuguesa”, da Academia das Ciências de Lisboa). Uma senhora minha conhecida, mais ou menos da minha idade, engalanada dos pés à cabeça, submersa em adornos dourados e prateados, primando pelo oposto da sobriedade usual no seu grupo etário (não se pense que considero isso como negativo, pois, em princípio, poderia demonstrar juventude de espírito), resolveu, a meio de uma viagem de autocarro, sentar-se num lugar vazio, a meu lado. Palavra puxa palavra, e ela foi desbobinando a sua árvore genealógica e a sua história de vida, recheada de eventos sociais importantes, mas também de chás e canastas, na companhia de gente nobre, sobretudo da gente mais nobre da “cidade invicta” do Porto. É claro que, ao falar de gente nobre, não utilizo o adjectivo na sua verdadeira acepção, aplicável também ao mais humilde pedinte. Refiro-me a uma roupagem que enfeita os representantes de uma classe social que dantes se opunha ao povo e rivalizava com o clero…

Enquanto a minha companheira de viagem quase monologou, tudo correu da melhor forma. Ouvinte à força, escrava escolhida para emprestar os ouvidos a uma mulher provavelmente frustrada por alguns acidentes de percurso na sua vida, sofria em silêncio o meu azar. A verdadeira história começou na altura em que, contra os meus hábitos, porque já estava com a cabeça em água, como se costuma dizer, ao fazer-lhe uma pergunta (por certo “chocha”, no estilo daquela conversa) e não me recordando do nome dela, cometi o delito de a tratar por você. Acto contínuo, aqueles olhos murchos, sombreados de azul (azulão), por baixo e por cima, fitaram-me com desgosto, e a conversa mudou de rumo: “Que país este, em que a educação do povo falhou redondamente?! Então, não é que em todo o lado se aplica o termo você? É nos supermercados, é nas lojas de roupas, é nos autocarros, é nos cafés, etc., etc., etc. Tudo se agravou com a invasão de imigrantes brasileiros. Urge civilizar esta nação!” E ela continuou: “Eu dou o meu contributo. Sempre que me tratam por você, explico que sou uma ‘senhora’, e que esse termo é impróprio.”

Meti a viola no saco, envergonhada e desgostosa comigo própria. Como é que me tinha passado pela cabeça aquela cachoeira de malcriadez, tanto mais que não era meu hábito dar vazão a correntes dessas, mesmo no contacto com as mais humildes pessoas, que até ficariam felizes se eu as tratasse com tal familiaridade!… A verborreia educativa da minha companheira de viagem tinha por fito repreender-me e colocar-me no meu lugar. Em princípio, sendo ambas praticamente da mesma idade e tendo eu prestado à sociedade um serviço que julgo positivo, tanto no domínio profissional e intelectual, como no domínio privado, pois contribuí para o aumento da população, não me pareceu muito despropositada a forma como a tratei. Mas então porque é que a palavra você ali se encontrava desajustada? Simplesmente porque aquela senhora se julgava pertencente à alta nobreza, amiga de barões (sem sentido pejorativo), condes e duques. Naquele momento, o meu cérebro não conseguiu abrir uma gaveta onde em tempos tinha guardado a etimologia do termo em questão. Você, Vossemecê, Vossa Mercê, era o que estava arrumadinho em tal gaveta, para ser aberta quando tivesse oportunidade. Mas esta só me surgiu quando regressei da viagem e fui rebuscar, na minha biblioteca, um antigo tratado de ortografia, de Rebelo Gonçalves, em que o autor, referindo-se ao uso da maiúscula inicial nas locuções pronominais reduzidas, diz o seguinte com referência às atrás mencionadas:

 “ […] Como é evidente, não entram neste número várias reduções da locução Vossa Mercê, tais como você, vacê, etc (v. Vocabulário da A.C.L., s. v. vossemecê), porque nelas está perdido o valor axionímico e, consequentemente, não há razão para a maiúscula inicial, mas para a minúscula.”[1]

É claro que a palavra você não tem valor axionímico, mas não se deve ignorar a sua génese, que reduz o acinte que lhe é atribuído por alguma gente. Na verdade, não é curial que num supermercado, num autocarro, num escritório, num consultório médico, etc., etc., etc., se trate por você uma pessoa idosa, ou de reconhecido mérito social ou intelectual, ou mesmo um desconhecido com razoável apresentação, porque, tratando-se de um pedinte, o caso muda de figura… Este até poderá desconfiar de um tratamento mais respeitoso… Mas, santo Deus, não ter o direito de tratar por você uma pessoa conhecida, do mesmo nível etário, que nunca ocupou um cargo público nem realizou qualquer obra que lhe dê o direito à diferenciação, e isto apenas porque usa um “pomposo”apelido de família, é coisa que, em vez de engrandecer, só pode diminuir a nação (termo muito do agrado da minha interlocutora). Não esqueçamos que no nosso país, nos últimos tempos, as classes sociais começaram a extremar-se a olhos vistos.

O incidente ocorrido naquele autocarro fez-me recordar outro caso não menos caricato, em que me senti envolvida, de braços atados e amordaçada, sem poder esbracejar e gritar a minha revolta contra o preconceito, o “ditador”que mina uma sociedade quando esta não consegue distingui-lo daquilo que se chama boa educação. Um distinto professor universitário, que dirigia uma revista jurídica, escreveu-me a solicitar um artigo que versasse matéria da minha especialidade. Eu já conhecia a dita Revista, mas ignorava a personalidade do director, e procurei informar-me. Maldosamente, ou não (há quem goste de se divertir com estas coisas), informaram-me de que ele era uma pessoa muito moderna, anti-convencional, e que não me atrevesse a tratá-lo com muita cerimónia… Dito e feito. Correspondi logo ao convite e encetei e mantive com ele alguma correspondência durante algum tempo. Procurava furtar-me ao tratamento por Vª Ex.ª, que, segundo o meu conselheiro supostamente brincalhão, não era um tratamento do agrado daquele eminente professor. Mas não é que um dia, com grande espanto meu, recebi um duplo cartão em que esse senhor, dirigindo-se à minha pessoa, empregou o Vª Ex.ª dúzias de vezes… Senti-me como uma colegial a quem o professor mandasse escrever, e reescrever, uma palavra errada vezes sem conta, até à exaustão, para que conseguisse aprendê-la. Comi e calei-me, e ao responder tratei-o com toda a reverência que tanto agrada ao português supostamente importante. Aquele indivíduo, que estava em dívida para comigo, pois me tinha solicitado um trabalho gratuito para a sua Revista, aquele Exm.º Senhor Prof. Doutor (doutor por extenso, nada de abreviaturas) passou, nas minhas cartas, a ser profusamente tratado por Vª Ex.ª. Eu, para ele, com mais ou menos “excelência”, era simplesmente a Sr.ª Dr.ª (que só se escrevia com letra maiúscula por força das regras gramaticais vigentes). A distância estava reposta. Ele, no topo, no cimo do trono, e eu a beijar-lhe os pés, depois de o ter servido numa bandeja.

(1) GONÇALVES (Rebelo), Tratado de Ortografia, “ATLÂNTIDA-Livraria Editora”, Coimbra (1947), p.309.

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Janeiro 27, 2011

Por Alex Ellis (*)

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria.  Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me,  em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.

  1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam – normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa – e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos. 
  2. O lugar central da comida na vida diária.  O almoço conta – não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.
  3. A variedade da paisagem.  Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies  do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior. 
  4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.
  5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.
  6. A inocência.   É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência. 
  7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.
  8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: “Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher”. Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.
  9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de “lá” é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado,  e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.      
  10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho. 
     
    Então,  terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços. Feliz 2011

(*) Embaixador da Grã Bretanha em Portugal até dezembro de 2010. 

Relações Públicas e sua atuação estratégica

Janeiro 27, 2011

Por João Alberto Ianhez (*)

Os líderes das organizações não se contentam mais com as atividades de comunicação padrão. Eles estão valorizando a comunicação estratégica, com visão macro das organizações e seus vasos comunicantes. Já aprenderam a ver que existe algo além da comunicação promocional e da assessoria de imprensa. Estão percebendo que o público é o responsável pelo progresso ou decadência das organizações e que ele não é constituído apenas pelos empregados, fornecedores, clientes e imprensa.

As organizações estão constatando, muitas vezes à custa de sacrifícios enormes de tempo, recursos humanos e financeiros, que precisam praticar a comunicação a partir da visão geral de suas amplas estruturas de relacionamentos. Estão conscientes de que o motor que gera o desenvolvimento pleno das organizações é a administração correta da comunicação com todos seus públicos. Dentro desse contexto, são identificados os públicos das organizações. Desta forma, ações especificas são desenvolvidas objetivando o fluxo ideal da comunicação em suas estruturas de vasos comunicantes, redes de relações que se formam dentro delas e se estendem por todos os ambientes sociais com os quais elas interagem.

Essa é a visão da organização que está preocupada em se inserir na sociedade como co-responsável pelos sucessos e fracassos da comunidade em que está sediada. Visão de quem está consciente de seus valores e da importância de se guiar por eles. Visão de quem está preocupada com a sua reputação, o seu nome, o seu conceito, a sua imagem. Visão de quem está consciente da necessidade de priorizar as ações de preservação e fortalecimento dos seus princípios e valores, seus maiores patrimônios. Visões que só se concretizam em sua totalidade sob a responsabilidade direta do líder da organização.

Relações Públicas tem as técnicas e as ferramentas para trabalhar adequadamente a comunicação estratégica e formalizar os valores da organização. Valores nos quais irão se basear todas as ações de comunicação sejam elas promocionais ou institucionais. Os profissionais que conhecem as técnicas e utilizam as ferramentas das Relações Públicas estão preparados para assessorar o líder da organização nessa importante responsabilidade: comandar o processo de comunicação estratégica da organização, fundamento de toda a sua comunicação – todos os seus relacionamentos.

Consciência crítica dentro das organizações

É importante destacar que o profissional responsável pelas Relações Públicas de uma organização tem como principal função ser a consciência crítica do público dentro das organizações. Essa é uma das funções dessa atividade, nem sempre amena. Mas, muito necessária e vital.

Todas as organizações estão executando atividades inerentes às Relações Públicas. Muitas, não com estratégias e planejamentos adequados. Executando-as de forma canhestra, através de pessoas não preparadas para isso. Sendo assim, elas improvisam, executam pelas beiradas, copiam sem fundamentações, por não saberem a razão de fazer e como fazer.

O mercado está em expansão. Todas as organizações precisam de profissionais preparados para utilizar com eficácia o composto das Relações Públicas. As que não têm um profissional dessa área, provavelmente, estão cometendo erros prejudiciais a sua operação. Estes irão se acumulando e se agravarão a ponto de causar sérios contratempos e danos à organização.

Cinco pontos a serem resolvidos

Estes são problemas vividos pelas Relações Públicas no Brasil. Primeiro: a falta de conhecimento e reconhecimento da sua prática, por grande parte das lideranças organizacionais. Segundo: a utilização de diferentes nomes, na tentativa de encobrirem a ocupação das mesmas por pessoas não preparadas. Terceiro: a execução de planejamentos e programas parciais das Relações Públicas, sem a integração adequada, em torno dos valores e dos objetivos maiores da organização, das áreas que trabalham a comunicação e de toda estrutura organizacional. Quarto: as situações apontadas acabam passando ao público imagem de falta de coesão e de não integração das atividades dessas organizações. Concluindo: as situações anteriores prejudicam as organizações. Os recursos investidos nas atividades de comunicação acabam por não obter o melhor retorno, em virtude dos problemas apontados.

Pior! Do ponto de vista do mercado de comunicação, acabam criando uma promiscuidade danosa para o processo de relacionamento das organizações. Esses problemas têm que ser combatidos, para que as organizações brasileiras possam utilizar todo o potencial das Relações Públicas. Em outros países, a utilização adequada dessa atividade deu excelente contribuição para alavancar o desenvolvimento das organizações, com reflexos positivos para as próprias empresas.

Por tudo isso, é necessário conscientizar as lideranças organizacionais dos papéis que devem exercer como responsáveis diretos pela comunicação nas organizações. Essa é a questão chave. Onde está o poder que conduz ao desenvolvimento das organizações? Esta é uma pergunta que todo líder organizacional deveria procurar responder com profundidade. Nesse caso o poder tem fundamentos, que poucos entendem: a comunicação, os relacionamentos.

O poder nas organizações está na capacidade de gerar comunicação e relacionamentos harmoniosos e produtivos. A sustentação da organização está baseada nesse princípio. Este é o principal papel dos líderes das organizações. Diante desta afirmação, alguns vão contrapor que as atividades mais importantes são as ligadas às finanças e à administração dos bens materiais. Isto ocorre pelo fato de que, nas exigências diárias dos seus cargos, acabam por perder o foco da razão da existência dos recursos materiais e deixam de lado a visão da importância da comunicação, dos relacionamentos.

Observemos: é evidente que se ganharmos o grande prêmio vamos resolver a maior parte dos nossos problemas. E eles estão aonde? Nos nossos relacionamentos. Se não tivermos alguém controlando o banco no qual fizemos empréstimos e nos cobrando, não precisaremos utilizar nosso dinheiro. Se não houver vendedor ou pessoas tomando conta das lojas de carros e se não houver autoridade e justiça para pautar nosso comportamento, podemos pegar um carro e utiliza-lo sem pagamento. Sairmos pelas estradas, como se cada quilômetro delas fosse nossa propriedade particular.

Nesses exemplos, diante dessas situações, há pessoas que entenderão que essas formas de agir levam a erros, a faltas comunitárias. O que está em jogo, então, não é o carro, não é a estrada, não é o dinheiro tomado por empréstimo junto ao banco e nem o grande prêmio recebido. São as pessoas que sabem discernir sobre a essência da situação: a manutenção e a precedência dos valores. Valores que todas as pessoas têm às vezes uns diferentes dos outros. Se, em todo esse contexto que colocarmos pessoas interagindo com pessoas as coisas mudam. É nesse ambiente de interação entre pessoas, aprovando ou desaprovando seus atos, produtos e serviços, que vivem as organizações.

Queremos deixar claro que tudo é feito por pessoas, para atender aos anseios e desejos de pessoas, para que os seus valores possam ser levados em consideração e respeitados, como ocorrem com os valores de outras. Se tirarmos as pessoas do cenário existe o nada. O amontoado de materiais sem função: maquinários, móveis e imóveis, cédulas de reais, dólares, euros e outras moedas.

Responsabilidades do Líder da Organização

Então, podemos afirmar que as responsabilidades maiores do líder da organização são pontualmente:

•  Liderar e apoiar o processo de comunicação estratégica na organização, consciente da fundamental importância da mesma.
•  Compartilhar com seus liderados a sua visão, a sua missão, os seus objetivos e os seus valores. Providenciar para que eles permeiem toda a organização.
•  Desenvolver a capacidade de comunicação dos membros da organização.
•  Apoiar o desenvolvimento da sensibilidade, ações e práticas para ouvir o público, em toda a estrutura organizacional.
•  Ensinar seus liderados a construir e facilitar relacionamentos.
•  Buscar o contínuo aperfeiçoamento do relacionamento harmônico com todos os públicos que interagem com a organização.

Como sou apaixonado por esse tema, para completar as colocações feitas e deixar mais clara à importância do papel das Relações Públicas, permito-me colocar uma visão em poucas palavras:

As Relações Públicas são uma função da alta administração de apoio e assessoria ao líder da organização. Elas são responsáveis pela formalização dos valores da organização e pelo planejamento estratégico da comunicação. Elas desenvolvem ações de comunicação institucional e apóiam e assessoram a comunicação promocional. Interagem com as demais áreas da organização, assessorando-as em suas estratégias e ações de relacionamentos. Seu objetivo é harmonizar o interesse do público com os da organização, buscando a criação do melhor conceito possível para a mesma, preservada a verdade dos fatos. Desta forma, as Relações Públicas colaboram para a excelência da organização, através da criação da compreensão e da boa vontade do público para com os seus atos, produtos e serviços.

(*) Profissional de Relações Públicas e Consultor de Empresas
Conrerp 2ª Região – 004

Fonte: http://www.universorp.net/page_blog.aspx?LinkID=91&Artigo=Rela%E7%F5es%20P%FAblicas%20e%20sua%20atua%E7%E3o%20estrat%E9gica&m=Artigos

Editora na Itália Publica Livro de Cyro de Mattos

Janeiro 27, 2011

“Canti della terra e dell’acqua” é uma antologia do poeta Cyro de Mattos, reunindo 38 poemas, que foi publicada em final de  dezembro de 2011 pela editora Romar, de Milão, com seleção e tradução de Mirella Abriani. A tradutora já traduziu para o italiano Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade Com  esta antologia, Cyro de Mattos alcança a marca de cinco livros de poesia publicados no exterior, fato raro entre poetas baianos. Os outros livros são os seguintes: “Vinte Poemas do Rio”, edição bilíngüe, com tradução do poeta Manoel Portela para o inglês, e “Ecológico,  ambos editados pela Palimage, de Coimbra, Portugal; “Zwanzig Gedichte von Rio und andere Gedichte”, da Projekte-Verlag, Halle, Alemanha, com tradução de Curt Meyer Clason, e “Poesie della Bahia”, publicação da  Runde Taarn Edizoni, em Gerenzano (Varese), Itália, com tradução de Mirella Abriani.

 

A antologia “Canti della terra e dell’acqua” é constituída de quatro partes: Os Sinais da Terra, Águas do Rio, Alguns Bichos e Águas do Mar. No livro estão presentes poemas inspirados na infância, rio Cachoeira, bichos e meio ambiente.  Sobre o autor Cyro de Mattos disse Jorge Amado: “Cantor da terra e das águas. Cantor do amor. Pastor de diversos bichos. Tão esplêndido poeta, tão esplêndido ficcionista”. Já a escritora e professora Graziella Corsinovi, da Universidade de Genova, presidente do júri do XII Prêmio Internacional de Poesia Maestrale Marengo d’Oro, assim opinou: “Poesia do mais amplo horizonte histórico e existencial, que evoca mistérios da epopéia brasileira com grande poder de sugestão”.

 

Antologias no Exterior

 

Autor de 38 livros, com prêmios literários importantes, o escritor baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos participa de várias antologias no exterior com poemas e contos, como “Der Alte Flub” , na antologia “Moderne Brasilianische Erzähler” (Modernos  Contistas do Brasil), Editora Walter, Alemanha/Suíça, 1968. Conto: “ O Velho e o Velho Rio”.Tradutor  Carl Heupel; “Starik e Staráia Reká”,  na antologia “K Iugu of Rio Grande” (Narradores da América Latina), Edições Molodáia Guardia, Moscou, 1973. Conto: “O Velho e o Velho Rio”. Tradutora Helena Riánzova; “Klagesang i Klippene”, na antologia “Latinamerikas Spejl” (Visões da América Latina), Editora Vindrose, Kopenhagen, Dinamarca, 1982. Novela: “Ladainha nas Pedras“. Tradutor Uffe Harder; “Cancioneiro 80”,  no  jornal “Letras & Letras”, n* 52, Porto, Portugal, 199l. Poemas: “Canção Ribeirinha”, “A Arara”, “Na Brisa”, “No Mar Enigma”, “Diante do Rio” e “A Águia”, foto do autor, seleção e  apresentação  de Ana Maria Saldanha Dias; “Contos Premiados no Concurso Joaquim Namorado”, Câmara Municipal de Figueira da Foz, Portugal, 1992. Conto “Berro  de  Fogo”, com o título “Olhos de Fogo”; “Antologia de Poesia Contemporânea Brasileira”, organização de Álvaro Alves de Faria, Editora Alma Azul, Coimbra, Portugal, 2000. Poemas: “Mar de Fernando Pessoa” e “Soneto Agônico do Cacau”; ”Poesia do Mundo/3”, antologia bilíngüe, organização de Maria Irene Ramalho de Sousa Santos, Edições Afrontamento, Porto, Portugal, 2001, reunindo poetas de dezesseis países. Poemas “ Versinverse in the Flora” (Do Versinverso da Flora) e “Dead River” (Rio Morto). Tradutor Manuel Portela; “Beacons”, revista da Associação de Tradutores Americanos e do Departamento de Inglês  da Faculdade  Estadual de  Plattsburgh, Nova York, número 9, 2003, reunindo poetas de  treze países. Poemas “Da Parição” (Giving Birth” e  “Antemanhã” (Pre-Dawn). Tradutor Fred Ellison; “Poetas Revisitam Pessoa”, organização de João Alves das Neves, reunindo cinqüenta poetas de Portugal e Brasil, Universitária Editora, Lisboa, 2003. Poema: “Mar de Fernando Pessoa”;  “Saudade”, revista de poesia dirigida por Antonio José Queirós, número 3, reunindo poetas de  dez  países, Amarante, Portugal, 2000. Poema : “Mar Morto”; “Poème Blanc”, em “Cahiers de Poésie JALONS”, número 84, Vichy, França, 2006. Tradutores  Christiane e Jean-Paul Mestas; “A Minha Vida É Uma Memória”, Cancioneiro Infanto-Juvenil para a Língua Portuguesa, 5* Concurso Poético, Instituto Piaget, Almada, Portugal, 2005. Poema: “O Menino e o Mar”; “Antologia di Natale di Pace e D’Amore”, organização de Marco Delpino,  Editora Tigullio Bacherontius, Santa Margherita Ligure, Itália, 2006. Conto: “Natale dei Bambini Neri”, tradução de Mirella Abriani; “Saudade”, revista de poesia, número 8, reunindo poetas de quatro países, Amarante, Portugal, 2006. Poema: “Poemeto do Pintor”; “Revista Oficina de Poesia”, números 8 e 9, edição comemorativa de dez anos de existência, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Palimage Editores, Viseu, Portugal, 2007. Poemas: “Os Ventos Gemedores” e “Campeio”; “The Dirty Goat”, revista de arte e literatura, número 17, editada por Joe Bratcher e Elzbieta Szoka, reunindo poetas de onze países, Host Publications, Austin, Texas, 2007. Poemas “Rio Definitivo”, “Canção Ribeirinha”, “Canoa”, “Soneto do Rio Cachoeira”, “Águas” e “Anotações sobre o Rio”. Tradutor Fred Ellison; “Saudade”, revista de poesia, número 9, reunindo poetas de  quatro países, Amarante, Portugal, 2007. Poema: “Olímpico”. Participa também de várias publicações das revistas eletrônicas “Ilha Negra”, patrocinada pela Unesco, editada por Humberto Impaglione, na Espanha,  e  “Poesie pour tous”, editada por Pedro Viana, na França.   

A “Revista Arganilia” NÃO irá acabar !!

Janeiro 27, 2011

 E-mail enviado a Directora do “Jornal de Arganil” em resposta a noticia publicada em 04/01 sobre o suposto fim da Revista Cultural “Arganilia”.

Prezada Senhora Directora:

Venho pedir a divulgação do seguinte esclarecimento:

1. Respondi de boa fé à pergunta que me fez sobre a revista cultural “Arganilia”, pois não sabia que seriam feitos comentários por 2 notórios inimigos meus com os quais não mantenho nenhuns contactos;

2. Confirmo que declarei à Directora do “Jornal de Arganil” que devido à doença do Director e do Vice-diretor a revista estava suspensa temporariamente;

3. Espero que esta minha nota seja publicada, conforme determina a Lei da Imprensa, pois fui injuriado pelos meus dois inimigos.

Sem outro assunto de momento, subscrevemo-nos.

Atenciosamente.

João Alves das Neves

www.joaoalvesdasneves.blogspot.com ou www.revistalusofonia.wordpress.com


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