Arquivo de Junho 2014

AS MENTIRAS “VERDADEIRAS”

Junho 30, 2014
Por  Ives Gandra da Silva Martins
 
“Comparado ao carniceiro profissional
do Caribe, os militares brasileiros parecem
escoteiros destreinados apartando um conflito
de subúrbio” in “O homem mais lúcido do Brasil –
as melhores frases de Roberto Campos”, p. 53,
organização Aristóteles Drummond, Ed.
Resistência Cultural, 2014.

Na memória dos 50 anos do Movimento de 1964, que derrubou o Governo Jango, tem sido ele criticado por aqueles que fizeram guerrilha, muitos deles treinados na sangrenta ditadura de Cuba e que objetivavam implantar um regime semelhante no Brasil, ao mesmo tempo em que se vangloriam, como sendo os únicos e verdadeiros democratas nacionais.

Assim é que a própria Comissão da Verdade negou-se a examinar os crimes praticados por aqueles que pegaram armas – muitos deles terroristas, autores de atentados a shoppings e de homicídio de inocentes cidadãos -, procurando centrar-se exclusivamente nos praticados pelo Governo Militar, principalmente nas prisões onde houve tortura.

Com a autoridade de quem teve um pedido de confisco de seus bens e abertura de um inquérito policial militar, nos termos do Ato Institucional nº 5 em 13/02/1969, pertenceu, à época, à Anistia Internacional, combatendo a tortura perpetrada pelo governo, foi conselheiro da OAB-SP, opondo-se ao regime, e presidiu o Instituto dos Advogados de São Paulo na redemocratização,  quero enumerar algumas “mentiras verdadeiras” dos adeptos de Fidel Castro, recém convertidos à democracia.

A primeira mentira é de que foram os militares que quiseram a derrubada do governo. Na verdade foi o povo que saiu às ruas, com o apoio da esmagadora maioria dos jornais, como se pode ver pelas fotografias do dia 19 de março de 1964, na Praça da Sé, diante das sinalizações do governo de que pretendia instalar o comunismo no Brasil. Depois do fatídico 13 de março, em que Jango incitou os sargentos a rebelarem-se contra a hierarquia militar, nomeando, inclusive, um oficial general de 3 estrelas para comandar uma das armas, os militares apenas atenderam ao clamor popular para derrubá-lo.

A segunda mentira é que a repressão militar levou à morte de milhares de opositores. Entre combatentes da guerrilha, mortes nas prisões ou desaparecimentos, foram 429 os opositores que perderam a vida, conforme Fernão Lara Mesquita mostrou em recente artigo publicado no O Estado de S. Paulo. Por outro lado, entre inocentes mortos por atos terroristas em atentados ou soldados em combate, os guerrilheiros mataram 119 pessoas.

Comparado com os “paredons”, de Fidel Castro, que, sem julgamento, fuzilou milhares de cubanos, os militares foram, no máximo, aprendizes desajeitados.

A terceira mentira é de que o movimento militar prejudicou idealistas, que apenas queriam o bem do Brasil. Em Comissão pelos próprios opositores do Governo organizada foram indenizadas 40.300 pessoas com a fantástica importância de 3 bilhões e quatrocentos milhões de reais.

Eu poderia ter requerido indenização, pois o pedido do confisco de meus bens e abertura de um IPM contra mim prejudicaram, por anos, minha carreira profissional. Mas não o fiz, pois minha oposição, à época, ao regime,  não era para fazer, mais tarde, um bom negócio, com ressarcimentos milionários.

A quarta mentira é que os democratas recém convertidos queriam uma plena democracia para o Brasil. A atitude de “admiração cívica” da presidente Dilma, ao visitar o mais sangrento ditador das Américas, Fidel Castro, em fotografia estampada em todos os jornais, assim como o inequívoco apoio ao aprendiz de ditador, que é Maduro, além de aceitar o neoescravagismo  cubano, recebendo médicos da ilha – tratados, no Brasil, como prisioneiros do regime, sobre ganharem muito menos que seus colegas que integram o  “Mais Médicos” – parecem sinalizar exatamente o contrário. Apesar de viverem sob as regras da democracia brasileira, há algo de um saudosismo guerrilheiro e uma nostalgia que revela a atração inequívoca por regimes que ferem os ideais democráticos.

E, para não alongar-me mais neste artigo, a quinta mentira é de que o Brasil regrediu naquele período. Nada é menos verdadeiro. Durante o regime militar, os ministros da área econômica eram muito mais competentes que os atuais, tendo inserido o Brasil no caminho das grandes potências. Tanto que, ao final, o Brasil posicionara-se entre as 10 maiores economias do mundo. Hoje, com o crescimento da inflação, a redução do PIB, o estouro das contas públicas, o desaparecimento do superávit primário do início do século, os déficits do balanço de pagamentos e a destruição dos superávits da balança comercial, além do aparelhamento da máquina pública por não concursados – amigos do rei -, o Brasil vai perdendo o que conquistara com o  brilhante plano real do Presidente Fernando Henrique.

O Ministro Torquato Jardim, em palestra em Seminário na OAB-SP, que coordenei, sobre Reforma Política (02/04/2014) ofereceu dados alarmantes. O Presidente Obama, em uma economia quase oito vezes maior que a do Brasil, tem apenas 200 cargos comissionados. A Presidente Dilma tem 22.000!!!

Tais breves anotações – mas já longas, para um artigo-, objetivam mostrar que, em matéria de propaganda, Goebbels, titular de comunicação de Hittler, tinha razão. Uma mentira dita com o tom de verdade, pela força da propaganda que o poder oferece, passa a ser uma “verdade incontestável”.

Espero que os historiadores futuros contem a realidade do período, a qual não pode ser contada fielmente por “não historiadores”, que se intitulam mentores da “verdade”, ou por Comissões com este estranho nome criadas.

Terras Portuguesas

Junho 16, 2014

por Saulo Krichanã Rodrigues

 Se um dia eu renascer, quero nascer em terras portuguesas;

Para, daquelas terras, me arremessar ao mundo,

E o mundo, então, conquistar, atravessando mares,

Que precisam ser singrados, e assim se tornarem presas

 

Do desejo de rumar, com as velas desfraldadas,

Até que se encontre a amada: que está silente, n’essa espreita;

E, assim, sem medo, o tempo desafiar — vento e procela –,

Até a ela chegar, com música e poesia, mil vezes, decantadas.

 

Só assim, por Deus, haverei de me saber herdeiro,

D’alma lusitana, que tanto orgulho traz ao peito;

Até que eu possa chegar a este lugar perfeito;

 

Onde nasceram da mesma fonte rica e benfazeja,

Luís, Fernando, Florbela e outros tantos que, profundos,

Fizeram este imenso Portugal gerar, mil mundos.

Convite

Junho 16, 2014

CONVITE

Gol

Junho 9, 2014

Por Cyro de Mattos

Leva a galera ao delírio, milhares de vozes numa só garganta, corações saem atônitos pela boca. Pelé, um rei, esmurra o ar, abraço festivo dos companheiros e bei­jo nas alturas. A bola passou lá onde a coruja dorme, co­menta o locutor. Que felicidade ver a rede balançar. Bandeiras desfraldadas, orgasmo de milhares, o estádio es­tremece com o grito geral. Desferido o chute, a bola ro­lou normal, bateu no montinho artilheiro e enganou o goleiro. Óóóóóóó! Que fatalidade!

Observa um torcedor: “Nada melhor do que um gol aos 45 minutos do segundo tempo”. Nada mais prazeroso no último minuto, a conquista do campeonato assim nada é igual. No torcedor derrotado um soco na barriga, como dói, quando a partida é uma final de campeonato. É como um nocaute que derruba todos no abismo. Rosto cabis­baixo, bandeira enrolada, queimada. No gol de impedimento xingam o homem do apito vestido de preto e, de quebra, a mãe deixa de ser pura. Vociferam, ameaçam Deus e o mundo, nada mais terrível na alma do que a dor de não ser campeão. Estava escrito nas estrelas. Os deuses tinham escrito há milênios. De um lado o sol tão claro, do outro amargura e solidão.

Obra-prima dos pés, oferta divina que o craque fes­teja no topo da pirâmide humana. O torcedor ama as co­res do momento azul, chora e ri. Reação em cadeia dos que mergulham em depressão. Certeza de guerra vencida, tudo por causa de um lance bobo do zagueiro. A bola ia sair pela linha de fundo, ele foi cortar com a mão. Agora não tem mais jeito. É sair pra outra, bola no pênalti só milagre pra não ser gol.

Gol engraçado, chapliniano, nascia da trama genial daqueles dribles desconcertantes. Comovia, encantava, fazia rir o estádio com a sua boca enorme. Garrincha dribla toda a defesa, pernas se enrolam no tapete verde, passa pelo goleiro que fica babando na grama. Com o pé na bola, espera que eles se levantem, o espanto da galera vai de canto a canto. Huuuuuuuuuuuuuu! E como uma criança irresponsável Garrincha toca a bola devagar para o fundo do gol. O que é isso torcida brasileira! Desmaios, risos, beijos. O estádio quase vem abaixo, o sol partindo-se em gargalhadas sonoras. “Este gol aí foi pra matar a mãe de qualquer um!”

Em 1950, Brasil contra Uruguai, final do campeonato mundial no Rio. O Brasil joga pelo empate. Um gol faz estremecer um estádio com 200 mil pessoas. Foi de Friaça no início do segundo tempo, lenços acenam para os valentes uruguaios. É campeão! É campeão! Todos os brasileiros cantam o grito de glória numa só corrente de irmãos. Veio o gol de empate dos uruguaios, Schiafino o autor da proeza. Um calafrio penetra ossos e nervos do Maracanã com a lotação máxima. O inexorável acontece aos 34 minutos. O ponteiro Gigia chuta a bola e a grama. Ninguém acredita no que vê, a bola entra entre a trave e o goleiro Barbosa. Lenços já não acenam. Aquela coisa que só infunde medo, estupidamente sem tamanho, percorre todo o estádio. Domina o ar de milhões de brasileiros. Ninguém pode reverter o capricho dos deuses. Encerrado o jogo, a procissão de mortos sai do Maracanã, o país das chuteiras, que pensa e ama pelos pés, em caos desencan­ta-se.

Na cidade pequena o menino vê as ruas desertas, bares fechados, a praça em silêncio. O padre não reza a missa das oito à noite. Daí pra frente o canto amargo da memória vai lamber chagas daquele que ficou frustrado no cais, esquecido de si, preso ao nada. Precisou que vi­esse a Suécia, em 1958, para explodir na garganta o grito com a força de granadas. O Brasil sagrava-se pela primeira vez campeão mundial de futebol. Em 1962, no Chi­le, outra vez o grito profundo é bisado, assim como no tricampeonato do México. Depois de vinte e quatro anos de espera, o grito volta a irromper nos Estados Unidos da América, através da conquista do tetracampeonato mundial de futebol. Sem dúvida, esse grito que faz sair atôni­to o coração pela garganta vai retornar em outros momentos de delírio do torcedor brasileiro. Nas disputas dos campeonatos mundiais de futebol. Melhor será com o título de campeão para a nossa Pátria amada.

 

DILMA: À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS?

Junho 4, 2014

Por Paulo Timm

O ano, todos sabem, além da “Copa das Copas”, na qual estaremos todos grudados nos jogos do Brasil esquecidos do resto, é também eleitoral. Terminada a Copa, dia 14 de julho, com ou sem o hexa, o país mergulhará na campanha. Aí, por três ou quatro meses, dependendo do primeiro turno, o assunto será só política. A Presidente Dilma joga tudo na sua reeleição, o que completaria o quarto mandato consecutivo do PT. Corre na frente, com 40% da preferência dos eleitores, contra dois adversários estreantes na disputa presidencial: Aécio Neves, ex- Governador de Minas Gerais, do PSDB, e o dissidente Eduardo Campos, ex-Governador de Pernambuco, do PSB.

Aparentemente, está tudo tranqüilo para Dilma. É dona do baralho, dá as cartas e joga de mão, tem tudo para vencer, contando para isso nas grandes conquistas sociais da era petista: Salário Mínimo e Médio  em ascensão, Pleno Emprego, Bolsa Família alcançando mais de 20 milhões de pessoas, incorporação ao mercado consumidor de duráveis de mais de cerca de 30 milhões de brasileiros, duas vezes a população de Portugal. Com efeito, segundo a  Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Carta Maior – 9/4/13)  convivem hoje 12.600 obras em andamento no país,  sendo que das 50 maiores obras em execução no planeta, 14 estão sendo aqui realizadas. Não obstante, a velocidade das transformações não tem sido suficiente para corroborar o propalado sucesso da última década. O Brasil quer e precisa mais, tais os hiatos no seu processo histórico de desenvolvimento, fortemente concentrado, tecnologicamente dependente e financeiramente vulnerável. A tal ponto que quase metade da Receita com impostos federais se destina à administração da dívida pública, a outra “quase” metade às despesas com Previdência e Assistência Social,  deixando pouca margem de recursos para investimentos. Aí advém, então, o desgaste do Governo, do PT e da Presidente Dilma, que começa a declinar nas pesquisas eleitorais – na última MDA -CNT e divulgada nesta terça-feira (29) mostra que, a menos de seis meses das eleições, a presidente caiu para   37% –  e se enfrentar com a perda de credibilidade, como se vê na última pesquisa IBOPE:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/04/popularidade-do-governo-dilma-vai-de-364-para-329-diz-pesquisa.html

Além disso Dilma se enfrenta com o passado. Apesar da lealdade entre ela e Lula, este é um fantasma que ronda a conjuntura . A campanha “Volta Lula” já chegou à Base Aliada no Congresso Nacional, levando a Presidente a afirmar que, se precisar, irá mesmo sozinha à reeleição. Palavras ao vento…  E se comenta, em Brasília, que grandes empresários, aliados circunstanciais do PT, já deixaram claro ao próprio Lula que não apoiarão Dilma Roussef.

Contra Dilma jogam também as denúncias de malfeitos, seja na PETROBRÁS, hoje objeto de CPI no Senado, seja de importantes quadros como o Deputado André Vargas, ex-PT, pilhado em comprometedoras relações com o doleiro Youssef. Neste processo a mídia joga pesado e jamais vai contar que   PASADENA, apesar de caindo aos pedaços, já deu um lucro acumulado à PETROBRÁS de US$ 3 bilhões. Aquela velha história: O melhor negócio do mundo ainda é o petróleo…

Finalmente, o enfrentamento com a economia interna. Está tudo – inflação, contas públicas, setor externo – sob “relativo” controle, mas até quando? Todas as três variáveis estão fortemente tensionadas. Um deslize e caput…Há fortes indícios de que o modelo de crescimento com base no consumo interno e exportação de commodities estaria a exigir profundas mudanças. Dilma nega e o Ministro da Fazenda retoma negociações com montadoras de veículos para reativar o setor. Tudo como dantes…

Aí vem a Copa. Daqui a pouco a sucessão presidencial. Viva o Brasil!!!

 

FESTA DO ESPÍRITO SANTO na ARRÁBIDA

Junho 4, 2014

Evento Fundação Antonio Quadros

Data: DOMINGO DE PENTECOSTES, dia 8 de Junho de 2014

Participação: Associação Agostinho da Silva, Fundação António Quadros e representantes de diversos grupos culturais e religiosos.

CELEBRAÇÃO

– O Culto do Divino Espírito Santo;

– Agostinho da Silva, 20 anos após a partida, sempre mais presente (In Memoriam, no 24.º Pentecostes da Arrábida).

– Leitura de textos de Agostinho da Silva, António Quadros e Dalila Pereira da Costa.

10.45h

Encontro junto ao Convento da Arrábida (Fundação Oriente). Subida ao Convento Velho.

Saudação na Capela da Memória de Nossa Senhora da Arrábida.

Meditação pela Paz.

Coroação das crianças.

Evocação / Música | Cânticos:

Trovas para o Menino Imperador, de António Quadros;

Quadras ao Divino Espírito Santo, de Agostinho da Silva.

BODO

14.00h

Será oferecido o bodo, junto ao caminho de Alpertuche.

CONFRATERNIZAÇÃO

Convite à participação das pessoas presentes; outras surpresas.

Durante a tarde.

“Reservemos para nós a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada crença não o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abordável, para que se lancem as estradas da paz”.

Agostinho da Silva (Considerações e outros Textos, 1988)

“Esta sobrevivência das Festas do Espírito Santo em Portugal, apesar das dificuldades que teve através dos séculos, é um sinal para que no dia de amanhã os nossos filhos, os nossos netos, os nossos bisnetos, venham a constituir-se como fontes humanas entre os povos deste mundo, entre as culturas deste mundo”.

António Quadros  (excerto da mensagem proferida na Arrábida a 19 de Maio de 1991)


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