Arquivo de Abril 2012

O “Empresário” da Íbis Pessoa republicano, “criador de anarquias” e “civilizações”

Abril 29, 2012

Por Teresa Rita Lopes

Uma pequena descoberta como a que a Empresa Íbis (que todos acreditávamos não ter chegado a funcionar) imprimiu durante três meses um semanário algarvio, O Povo Algarvio, “republicano e anticlerical”, como se subintitulou, é rica de implicações. Pode levar-nos longe: a perceber melhor a importância na sua vida – que há muito venho a sublinhar – da família de Tavira, judeus e maçons de ascendência fidalga. Numa nota autobiográfica, Pessoa disse-se descendente “de fidalgos e judeus”. Eram esses. A “cruzada” de toda a sua vida contra o que chamava “a Igreja de Roma” – ele que sempre foi e se assumiu como “um espírito religioso” – é esclarecida por esse período de iniciação na vida adulta. Herdeiro de um cabedal importante por morte da avó paterna, o jovem Pessoa, ao dobrar o cabo da maioridade de então (21 anos), decide montar urna empresa que batizou Íbis e que visava muito mais do que ser um negócio: “o criador de anarquias” que, mais tarde, disse ter que ser todo o intelectual digno desse nome, pretendia simultaneamente ser um “criador de civilização” – como o atestam escritos vários desses primeiros tempos, depois do regresso a Portugal e à língua portuguesa.

A sua boa maneira, o jovem Pessoa aplicou-se simultaneamente a confecionar muitas e longas listas de projetos literários a realizar pela tal “Empresa Íbis”, com esse alcance de arrancar à sua incultura o povo português, e a redigir, à mão, um jornal que primeiro se chamou Fósforo e depois Iconoclasta, para atear fogo à monarquia agonizante. Quem ignore este furor iconoclasta de Pessoa, torcerá o nariz a textos desta fase, escritos assumidamente como um “insulto que fere e escalda” — contra “padres e reis”.

Muitos continuam a incorrer no erro dos seus primeiros biógrafos que o disseram monárquico – e até entenderam ao contrário a sua afirmação, nuns apontamentos autobiográficos que confiou ao amigo Armando Côrtes-Rodrigues, segundo os quais a ditadura de João Franco teria desencadeado nele o desejo intenso de escreverem português. Atéaí o jovem “português à inglesa”, como se disse num poema, dedicara-se sobretudo a exprimir em inglês as suas profundas cogitações e os seus poemas. Mas para escrever os tais textos para os referidos jornais projetados, de forma a incendiarem a monarquia decrépita e o clero devasso e tirano, teria que usar o português. Quem ignore tais propósitos ficará chocado com a linguagem ostensivamente grosseira de poemas nessa altura atribuídos a um tal Joaquim Moura Costa, que pôs a vociferar impropérios e palavrões que Pessoa, na sua própria pessoa, jamais pronunciou. As caricaturas que então fez, só com versos, de “padres e reis”, ganharão, em grosseria, às de Bordalo Pinheiro e seus seguidores, denunciando os mesmos podres.

A Empresa Íbis surgiu-lhe como o instrumento ao dispor para editar não só os seus escritos de combate republicano como de edificação cultural desse povo português que descobriu amar com todas as veras do seu coração (di-lo num texto que publiquei em Pessoa por Conhecer, que mais parece uma declaração de amor adolescente). Também confessa, num escrito desses primeiros tempos, que tem o projeto de “desencadear uma revolução aqui”… Por isso, os seus panfletos. À margem de um poema épico, em português, que então compunha, significativamente intitulado Portugal, escreveu, em outubro de 1910, dias depois da implantação da República: “Recentes e gloriosas dias tornaram felizmente visionária esta poesia prefacial”.

Da Empresa Íbis (cujo propósito cultural foi retomado, mais tarde, por uma longamente projetada Cosmopólis – mas só isso, só sonhada – e pela Olisipo, essa realizada mas de pouca dura) eu conhecia o papel timbrado, os envelopes e os numerosos planos. Todos os estudiosos de Pessoa têm dito (e eu também) que nunca funcionou. Saber que sim, foi uma surpresa que me fez Rui Sena, que me visitou no Algarve, na minha casa de Cacela, para me entrevistar sobre um poeta algarvio que eu conheci pessoalmente, Cândido Guerreiro, sobre o qual fez um documentário. Disse-me ele que, ao consultar vários jornais algarvios para o efeito, descobrira um, de Loujê, O Povo Algarvio, composto e impresso, durante três meses, “na tipografia da Empresa Íbis” (assim figura no cabeçalho do jornal). Preparava-se ele para me fornecer generosa mente essa descoberta, dizendo, com a modéstia que o carateriza que “tinha sido por acaso’.

É claro que fiz questão use fosse ele a assumi-la e no primeiro Encontro que fizemos (o Instituto de Estudos sobre Modernismo, de que sou timoneira) em Tavira, em 15 de Outubro de 2010, pedi-lhe que comunicasse aos presentes o que descobrira. A seguir, pedi que registrasse por escrito, um texto para nossa revista on-line, Modernista 1, tudo o que nos tinha dito. Lá está (http://www.iemodernismo.org/Revista.html). Em Junho de 20011 fiz, nas Jornadas Modernistas que o meu Instituto levou a cabo na mi ha Faculdade (de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa) uma comunicação em que expus o que digo neste artigo, prometido ao JL desde então. Foi portanto o Rui Sena que me revelou que, entre 12 de Março e 12 de Junho de 1910, o jornal de Loulé O Povo Algarvio tinha sido composto e editado pela tipografia da Empresa Íbis. Também aprendi com ele que esse semanário, que se subintitulava “semanário republicano independente”, fora fundado em 20-5-1909, e que nesse primeiro número o seu diretor e proprietário se regozijava com a conquista da Câmara de Lisboa pelos republicanos e denunciava indignadamente a proibição, às crianças das escolas, de aí cantarem o hino maçônico! Escreve Rui Sena no seu artigo que, nesse primeiro número, o seu diretor revelava o objetivo do jornal: “Propugnar a verdade das doutrinas democráticas que anunciam a redenção da espécie pela Escola, pela Liberdade e Fraternidade humanas, sem deuses, sem reis e sem padres”.

Num poema desse tal Joaquim Moura Costa, Pessoa escreve, no mesmo sentido: é a espada, vejam bem, Que ao mal e ao crime conduz: A Espada tem uma coroa E a coroa tem uma cruz.

Soube também, por este artigo de Rui Sena, que Paulo Madeira, nascido em Alte, em 1875, já publicava artigos revolucionários aos 15 anos, no jornal diário anarquista Batalha, de Feio Terenas, e que, mais tarde, em precária situação económica (sacrificara todos os seus rendimentos no comércio de cereais, em Loulé, à causa republicana) teve que emigrar para a Argentina, em 1912, donde nunca mais regressou. Pela mão amiga do nosso parceiro, em Tavira, de aventuras pessoanas, dr. Carlos Lopes, que me convidou para amadrinhar a Casa Álvaro de Campos que aí criou, comuniquei comum sobrinho-neto de Paulo Madeira, dr. Luís Filipe Madeira, advogado em Loulé (em tempos secretário de Estado e deputado peio Partido Socialista) que me escreveu que esse tio-avô, irmão do avô paterno, filho mais velho de seis irmãos, tinha finalmente sido obrigado a emigrar, vítima do seu “romantismo republicano”.

Rui Sena forneceu-me mais faclos que a leitura de alguns números do Povo Algarvio (que ele pediu ao eng Luís Guerreiro me fizesse chegar) veio enriquecer.

A mudança do subtítulo do Povo Algarvio para “seminário republicano anticlerical”, quando estava a ser produzido pela Íbis (conforme imagem) deve ter feito exultar Pessoa – se é que não foi ele a sugeri-lo, o que é bem provável. No último número publicado pela Íbis em 12 de Junho de 1910, ficamos a saber da venda da empresa. O jornal mudou então de tipografia, para outra de Lisboa, provavelmente arranja da por Pessoa, que a isso se prontificara.

Numa fotografia podemos ver, ao centro, o dr Alexandre Braga (filho) acompanhado, à sua direita, por Paulo Madeira, no dia em que deslocou ao Algarve (Junho de 1910) para o defender, como seu advogado, no tribunal de Loulé, num processo que lhe fora movido pelo padre Basílio, Manuel Basílio Correia, pároco de Loulé (S.Sebastião), diretor, com outro padre, Luís Vieira, do jornal rival, Noticias de Loulé, por tentativa de homicídio (acusara-o, no jornal, de ser pedófilo e, frente-a-frente, ameaçara-o com uma pistola). Paulo Madeira conseguiu sair do julgamento apenas condenado por não ter licença de porte de armas… (Tudo isto são informações que Rui Sena generosamente me tem dado). Houve outros padres acusados no Povo Algarvio de pedofilia – o articulista chamava – lhes “dicículos do bispo Beja”, que Pessoa também nessa altura, denunciava. (Veja-se a caricatura publicada num jornal de Lisboa).

Nessa fotografia podemos ver outros correligionários de Paulo Madeira e Alexandre Braga, entre eles João Rosa Beatriz, membro da Carbonária, extremamente influente na altura (o que leva a crer, por irem junto a Lisboa tratar de assuntos políticos, como o jornal noticiou, que Paulo Madeira também pertencia a essa instituição). Foram também colaboradores do Povo Algarvio – com grande repercussão dentro e fora do país – Brito Camacho, Câmara Reis, Comes Leal, Raul Brandão, além de João Rosa Beatriz e Machado dos Santos, ambos combatentes da Rotunda.

A descoberta do funcionamento da Íbis seria de somenos importância se não ajudasse a fazer luz sobre uma fase da vida Pessoa pouco conhecida e sobre a sua sempre presente militância contra a Igreja de Roma. Nos poemas dessa época pré República, vemos o jovem Pessoa defendendo o Regicídio sobre o qual pôs o seu “outro”, Alexander Search, a escrever, em inglês.

Num texto dos primeiros tempos, afirmou que “estamos todos divididos entre o deus do pai e o da Mãe”. Até aos 13 anos jovem Pessoa foi católico, como a família materna, oriunda dos Açores. Fez em Durban a Primeira Comunhão, frequentando um colégio de freiras irlandesas, precisamente para ter uma educação católica. Campos evoca, num dos seus poemas, “a minha infância que rezava”. Já anteriormente afirmei que o relacionamento com a família paterna, em Tavira, de judeus e maçons, quando passou em Portugal um ano, em 1901-1902, terá sido decisivo para que a balança pendesse decisivamente para o lado do pai.

As suas incessantes leituras, procuradas já para entender essa identidade que se descobrira, ajudaram muito, claro: na sua biblioteca há para cima de 20 livros de J.M.Robertson (1856—1933), do movimento racionalista e secularista britânico, que colaborou com Annie Besant, a teósofa traduzida por Pessoa. Por esta altura leu Junqueiro e Nietzsche (também se pôs a proclamar, em verso, a morte de Deus e da Igreja Católica, contra a qual escreveu, em verso, violentos e mesmo grosseiros vitupérios – que Joaquim Moura Costa terá assumido… Identificou-se então com o contestatário dessa Igreja: Em mim o espírito de Lutero’, e adotou a sua expressão Igreja de Roma e sua denúncia do Papa e dos padres, ignorando a sua senha contra os judeus…).

Convém, contudo, ter presente, que a verrina contra a Igreja de Roma não era superficial aversão mas porfiada “militância” de toda a vida contra essa instituição que criara a Inquisição às mãos de quem morrera o Grão Mestre desses Templários a cuja Ordem, em dormência, no fim da vida declarou pertencer (de cabeça, portanto, como fez quase tudo).

Também o seu tetravô Sancho Pessoa foi condenado a confisco de bens por essa abominada Inquisição. E a “religião individual”, “metafísica recreativa”, que foi o Neopaganismo, com a paródia de Cristo que Caeiro representa, é a forma literária – mente mais acabada dessa recusa da religião – que representava, como disse, “o adoecimento” da civilização: chamou-lhe mesmo “morbo cristista”.

Quando, em 1901-1902, de visita a Portugal (vivia então em Durban) frequentou a família de Tavira – com quem manteve sempre relação – o jovem Pessoa deve ter ficado impressionado com o que soube do avô e tio-avô combatentes das lutas liberais perseguidos e presos por esse ideal. Na campa de último, no cemitério de Tavira (conforme Imagem), pode ainda hoje ler-se em letra grande a “AQUI JAZ O LIVRE PENSADOR JACQUES CESARIO PESSOA”, seguramente maçou. O Jacques Pessoa da rua de Tavira é filho deste, pai do engº Jacques Pessoa Rolão, recentemente falecido, com quem contatei e me informou que os Pessoas eram maçons e não batizados. Publiquei (no mencionado PPC) uma carta começada a escrever por Pessoa em 1906, segundo nota diarística, em que pede contas ao prior dos Mártires, que o batizara, por esse ato abusivo de integrar numa religião um ente ainda irracional.

Segundo me informou o nosso parceiro e amigo Carlos Lopes (que me forneceu esta foto), este Jacques Pessoa (filho do “Livre Pensador”) teria um irmão, primo do pai de Pessoa, também proprietário de uma Tipografia Burocrática, que publicou, em Tavira, um jornal de Anúncios, assim chamado, fundado em 1885. Os Pessoas de Tavira eram, portanto, não só judeus e maçons mas também dados a estas atividades editoriais…

Parece-me evidente que foram eles quem arranjou ao jovem Pessoa esse seu primeiro emprego de editor do Povo Algarvio, de cuja existência, na então longínqua vila de Loulé, Pessoa não teria tido conhecimento, sem a sua mediação. Imagino que Pessoa terá ido ao funeral de Jacques Pessoa, falecido em 1909, em que terão comparecido outros correligionários maçons e republicanos, e que a família, a que era muito ligado, terá estabelecido os contactos. Isso explica que o proprietário do Povo Algariío tenha escolhido essa desconhecida tipografia por estrear, tendo outras, no Algarve e Alentejo, mais à mão – de que, noutras alturas, se serviu.

Pessoa deve ter vibrado com as atitudes de Paulo Madeira (incito os meus amigos informadores a apurar se era também judeu – sei de Madeiras dessa zona que o eram – e a escreverem uma biografia desse algarvio destemido). Não querendo abusar do espaço que aqui me é concedido, deixo para a próxima a continuação desta (palpitante) estória…

Nota: Não quis sobrecarregar o artigo com citações e notas, que, aliás, fiz de cor. Encontrarão (quase) tuda no meu Pessoa par Conhecer, no volume coletiva Pessoa Inédito e onde eu fui dizendo (quando disse).

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Calendários – Fernando Pessoa

Abril 29, 2012

Os 10 calendários publicados em 1985 foram uma homenagem ao cinqüentenário da morte do Poeta Fernando Pessoa e fazem parte do acervo do Prof. João Alves das Neves, jornalista que dedicou grande parte da sua vida aos estudos da obra e vida do poeta da “Mensagem”.   

São reproduções de obras do artista Quim Bica um dos mais notáveis pintores populares portugueses. Nesse trabalho Bica ilustrou as seguintes obras de Pessoa: “Um Poema”, “Carta de um Amigo”, “Declamação”, “Mensagem”, “A Última Ginjinha”, “Pensamento em Ofélia”, “Primeiro Poema”, “O Livro do Desassossego”, “Conversa com os Amigos”, “Apontamentos”. 

 

Colóquio: Turismo em Portugal – Passado. Presente. Que Futuro?

Abril 29, 2012

 

 

Colóquio: Turismo em Portugal - Passado. Presente. Que Futuro?

Livro de Adonias Filho Organizado Por Cyro de Mattos Lançado na Academia de Letras da Bahia dia 25 de Abril

Abril 29, 2012

Numa edição primorosa, com belíssimas ilustrações do desenhista baiano Ângelo Roberto, nascido em Ibicaraí, a coletânea Histórias Dispersas de Adonias Filho, com prefácio, notas e organização do escritor Cyro de Mattos, será lançada no dia 25 deste mês na Academia de Letras da Bahia, em Salvador, às 18 horas. O livro foi publicado pela Editus, editora da UESC, e nele são apresentadas cinco histórias em que o escritor Adonias Filho transmite sua paixão por uma humanidade feita de verdades fundamentais através da visão dramática, lírica e amorosa, que palpita em seus protagonistas, nas passagens feitas de alusões e observações lúcidas.

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O Brabo e Sua Índia, A Lição, Nosso Bispo, Amor no Catete e A Volta são as histórias que compõem a coletânea e que foram publicadas há mais de trinta anos, em revistas, jornais e antologias. A coletânea traz ainda uma pesquisa iconográfica feita com bom gosto pelo escritor Cyro de Mattos na qual é mostrado o consagrado romancista baiano Adonias Filho em momentos importantes de sua vida: tomando posse na Academia Brasileira de Letras, em sua fazenda Aliança, em Inema, em sua viagem a Luanda (África) e com os amigos Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Gilberto Freire.

LEGÍTIMO CRIADOR

Há que se destacar como posfácio na coletânea o estudo Experiência de um Romancista, do Professor Emérito Doutor Fred Ellison, da Universidade de Austin, Texas, com tradução para o português do Professor Emérito Doutor Luiz Angélico, da Universidade Federal da Bahia. Cyro de Mattos, no prefácio da coletânea, declara que “o tratamento digno que imprime o legítimo criador de linguagem à sua gente, nestas Histórias Dispersas, que ora acontecem no interior do sul da Bahia, ora na Capital, já demonstra aquele que seria em sua carreira de escritor, entre o trágico e o lírico, um dos maiores intérpretes da natureza humana feita de sortilégios, ermos e pesos da vida, em sua dimensão mítica povoada de mistérios”.

Em Itabuna, a Academia de Letras de Itabuna – ALITA e a Editus vão lançar Histórias Dispersas de Adonias Filho no dia 5 de maio deste ano, na FTC, às 19 horas, enquanto o Memorial Adonias Filho em Itajuípe vai programar o lançamento da obra para o mês de junho deste ano, em data a ser escolhida.

Homenagem da Revista IP&C ao Prof. João Alves das Neves

Abril 28, 2012

Obrigada por tudo, Querido Professor

Em janeiro deste ano, o mondo das letras e do jornalismo, bem conto a comunidade luso-brasileira e a pacificação paulistana, sofreram uma grande perda, com e falecimento de um grande representante e amigo. O jornalista e escritor João Alves das Noves – que, por vários anos foi colaborador do Sindipan/Aioan-SP, como editor da revista IP&C nos deixou no dia 12 daquele mês, deixando saudades e uma trajetória de brilhantes e marcantes realizações. Nascido no dia 29 de maio de 1927, na aldeia portuguesa de Pisão de Coja, em Arganil, Distrito de Coimbra, onde também foi sepultado, João Alves das Neves foi professor universitário e escritor. Estudou jornalismo em Paris, posteriormente mudando-se para a capital paulista, onde exerceu as funções de redator-editorialista do jornal O Estado de Paulo por 31 anos, até se aposentar, e, ao mesmo tempo, de adido de imprensa e cultura de Portugalem São Pauloe de professor-pesquisador da Faculdade de Comunicação Social “Casper Libero” durante mais de duas décadas. Complementarmente, fundou as revistas culturais Portugalia, Comunidades de Língua Portuguesa e Arganila, presidiu o Centro de Estudos “Fernando Pessoa”, organizando vários encontros culturais sobre os países de língua portuguesa, entre eles uma exposição sobre imprensa de Língua Portuguesa, realizada na sede da UNESCO,em Paris. Foiainda diretor de várias associações luso-brasileiras no Brasil e em Portugal, e publicou dezenas de livros sete dos quais, sobre Fernando Pessoa. Entre suas obras figuram “400 Anos Padre Vieira- Imperador da Língua Portuguesa” (Memorial da América Latina,  2009), “As Relações Literárias de Portugal com o Brasil” (Icalp Lisboa, 1992), “Temas Luso-Brasileiros” (Ed. Cons. Est. De Cultura, 1963), “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo” (Ed. Fabricando Idéias, 2009) “Fernando Pessoa, O Poeta Singular e Plural” (Editora Expressão, 1985). Além de suas lições profissionais João Alves das Neves deixa conto herança para todos aqueles que tiveram a honra conhecê-lo a sua alegria de viver, de estar com as pessoas queridas e de trabalhar exaustivamente com suas paixões.

Homenagem da Revista IP&C ao Prof. João Alves das Neves

XIX FEIRA DO LIVRO DE ARGANIL

Abril 23, 2012

A Câmara Municipal de Arganil vai homenagear o Dr. João Alves das Neves na próxima Feira do livro de Arganil que se realizará de 2 a 5 de Maio próximo.

Na cerimônia de abertura da XIX Feria do Livro de Arganil, será inaugurada a Exposição sobre a vida e obra do Prof. Neves.  A sessão está marcada para o dia 2 de Maio as 18 horas.

PROGRAMA DA XIX FEIRA DO LIVRO DE ARGANIL

2 de Maio de 2012
13h00 – Abertura da XIX Feira do Livro de Arganil

14h00 – Encontro com o escritor Gonçalo Cadilhe
13h30 às 16h30 – Animação de Leitura com as técnicas da Biblioteca Municipal Miguel Torga
18h00 – Abertura Oficial da XIX Feira do Livro de Arganil
– Homenagem ao Dr. João Alves das Neves – Abertura da Exposição
21h30 – Espetáculo pelo Coro Infantil da Associação Filarmónica de Arganil
23h00 – Fecho da XIX Feira do Livro de Arganil

3 de Maio de 2012
10h00 – Abertura da XIX Feira do Livro de Arganil
10h00 – 16h30 – Animação da Leitura com a Prof.ª Dolores Tavares e Ana Rita Martins
14h30 – Encontro com a escritora Leonor Mexia
15h30 – Encontro com o escritor Jorge Gaspar
21h30 – Espetáculo por “Big Band 2011/12” do Conservatório de Música de Coimbra
23h00 – Fecho da XIX Feira do Livro de Arganil

4 de Maio de 2012
10h00 – Abertura da XIX Feira do Livro de Arganil

10h00 – 16h30 – Animação da leitura com as técnicas da Biblioteca Municipal Miguel Torga
10h30 – Encontro com a escritora Manuela Ribeiro
14h30 – Sessão de histórias com o narrador José Craveiro
21h30 – Noite de Contos com José Craveiro
23h00 – Fecho da XIX Feira do Livro de Arganil

5 de Maio de 2012
10h00 – Abertura da XIX Feira do Livro de Arganil
16h30 – Concerto de Primavera pela Associação Filarmónica Arganilense
21h30 – Concerto de Música Clássica pela Escola de Música “Pauta em Movimento”
23h00 – Fecho da XIX Feira do Livro de Arganil

http://www.cm-arganil.pt/component/content/article/199/1947.html


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