Arquivo de Março 2009

João Alves das Neves cria um importante canal de comunicação entre Brasil e Portugal

Março 26, 2009

Aos 82 anos, escritor e importante estudioso de Fernando Pessoa aposta na internet e cria um blog para discutir os assuntos da Língua Portuguesa.

Após muitos anos atuando como colaborador e coordenador de vários jornais e revistas no Brasil e em Portugal o escritor, jornalista e professor universitário João Alves das Neves aposta na Internet como uma nova forma de comunicação, com a criação de seu Blog www.joaoalvesdasneves.blogspot.com.

No alto dos seus 82 anos, o escritor denomina sua página na rede como “Diário Eletrônico Brasil Portugal de João Alves das Neves”, onde aborda temas que vão desde Artes e Letras, passando por História, Política e até o Folclore. O principal tema defendido pelo veículo é a Língua Portuguesa, tão em evidência atualmente por conta da reforma ortográfica.

Os temas de cunho político, econômico e social servem de inspirações para o novo “Blogueiro”, que tem artigos publicados em vários países além de Brasil e Portugal. Fernando Pessoa, Santo Antônio e Padre Antonio Vieira, “amigos” inseparáveis do escritor, também têm o seu espaço garantido no blog.

Vale a pena a visita!

Fabiola Nese 

Relações Públicas

Fone: (11) 9255-3099

E-mail: fabiola@fesesp.org.br

Blog dos Países de Língua Portuguesa

Março 25, 2009

1. QUEREMOS INTERCÂMBIO!

                 

Os editores do site www.pessoano.com.br e dos blogs: www.joaoalvesdasneves.blogspot.com e www.revistalusofonia.wordpress.com  estão selecionando as propostas de colaboradores das áreas jornalística e comercial de todo o Mundo (com destaque para os 8 países de idioma português) para a organização de uma ampla rede noticiosa na Internet.

Os temas sugeridos vão desde as Artes & Letras à Economia,  História, Política (excluindo a de partidos e ideologias), Turismo e Folclore, Problemas da Diáspora, etc. Somos a favor da liberdade de imprensa e religiosa (com responsabilidade), mas reservamo-nos o direito de escolher os colaboradores. E defendemos os interesses dos Países de Língua Portuguesa, que já somam  cerca de 250 milhões de pessoas (em 2009).

Agradecemos as sugestões dos homens e  mulheres de boa vontade e de acordo como espírito do Poeta Fernando Pessoa: “Minha Pátria é a Língua Portuguesa”.

Fale conosco!

E-mails: jneves@fesesp.org.br (João Alves das Neves)
conrado.ruggieri@gmail.com (Conrado Ruggieri)
fabiola_nese@hotmail.com  (Fabíola Nese).

2. APOIO CULTURAL:

– Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras
– Real Gabinete Português de Leitura
– Liceu Literário Português (Rio de Janeiro)
– Federação das Empresas de Serviços do Estado de São Paulo-FESESP  (nossa Provedora de Internet)
– e Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo e Circulo Fernando Pessoa.

3. EMPRESAS & EMPRESÁRIOS:

A Câmara Portuguesa de Comércio do Brasil, com sede em São Paulo, publicou o último nº. da sua revista trimestral (nov/dez 2008) com a seguinte colaboração: “Portugal participou do “2º Descubra a Europa” – Remessas de brasileiros residentes no exterior ao Brasil cresceram 50%” -”Livro relata a história do comércio luso-brasileiro” – “União Europeia mobilizará novos recursos” – “Governo luso fez doação” à Real e Benemérita Caixa de Socorros D. Pedro V (Rio de Janeiro) –  Entrevista com Manuel Augusto Garcia – A Biblioteca Nacional (do Rio de Janeiro)- A despedida do Embaixador Francisco Seixas da Costa – Exposição do escritor José Saramago em São Paulo – Jantar dos 96 anos da Câmara Portuguesa do Comércio de São Paulo  – Entrevista com o artista plástico Ênio Squeff – “Em tempos de crise”, etc. ( E-mail: geral@camaraportuguesa.com.br)

4. LICOR BEIRÃO                                                                                             

A revista cultural da Beira-Serra Arganilia divulgou no seu volume 22, dedicado ao Município da Lousã, uma curiosa história sobre o Licor Beirão, que ainda é mal conhecido no Brasil, embora seja uma das bebidas portuguesas mais exportadas, pois é enviada para 20 países.  Produzida inicialmente numa farmácia lousanense – como se fosse “um bom remédio” –, desde fins do século XIX, somente em 1940 o jovem José Carranca Redondo lhe deu o título que hoje tem, popularizando a bebida em Portugal e depois em muitos outros países. Deu fama à Lousã e tornou-se uma das mais importantes “fábricas” da Beira-Serra e o seu processo é um segredo muito bem guardando, mas pode garantir-se que os diversos sabores são devidos a uma fórmula que combina 13 plantas e sementes aromáticas. Presentemente, a empresa lousanense está fazendo uma grande campanha de vendas na televisão, com destaque para o caipirão, cuja receita podemos oferecer aos amigos (para 1 copo): 5 cl. de Licor Beirão – 1/2 lima – 1 colher de café de açúcar – gelo picado. Corte a lima para dentro de 1 copo baixo e largo – junte o açúcar e esmague as limas com a ajuda do pilão – junte em seguida o Licor Beirão e encha o copo com gelo picado – sirva com 2 pequenas palhinhas”.  E depois beba o gostoso caipirão!

Quem já provou, gostou, mas pode fazer outras experiências – pretendemos divulgar outras pratos (são dezenas) que levam o Licor Beirão nas  “entradas”e nos peixes,  carnes,  bolos e bolinhos. E acrescentaremos pelo menos  umas três dezenas de cocktails e outras bebidas.

5. ARTES & LETRAS               

Com o título de Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo, o escritor João Alves das Neves está concluindo o prefácio do seu 6º. Volume de estudos pessoanos. A obra surpreenderá até alguns especialistas, pois inclui não só trechos políticos, mas também um Dicionário Breve  sobre o tema, além de 5 poemas anti-salazaristas do Poeta da Mensagem. Os textos estavam distribuídos por diversos livros que  não foram nas Obras Completas e que são finalmente reunidos num único volume, que documentará o pensamento político de Fernando Pessoa, que não foi fascista – muito  longe disso! 

Enqaunto os políticos discutem, 200 Associações prestigiam Portugal no Brasil

Março 25, 2009

Cartas da Diáspora

Fonte: verblogando.files.wordpress.com

Fonte: verblogando.files.wordpress.com

 

A primeira grande emigração portuguesa foi a do Brasil, conforme testemunham  cerca de 200 entidades reunidas sob a bandeira da Federação das Associações Portuguesas Luso-Brasileiras, fundada em 14 de Agosto de 1931. E talvez sejam  mais, pois admitimos a hipótese de algumas não se terem ainda federado.

 

É um cenário único no mundo do nosso idioma espalhado pelos cinco Continentes, pois  se trata de agremiações bem estruturadas,  em boa parte, com edifícios próprios, há longa data , como é o caso do Real Gabinete Português de Leitura, cujos alicerces vêm desde 14 de Maio de 1837 ou da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência (17/05/1840);   da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V (31/05/1863); do Liceu Literário Português (10/09/1868;  do R.S. Club Ginástico Português (31/10/1868); da Associação Beneficente Luso-Brasileira (10/06/1880) e do Club de Regatas Vasco da Gama (31/08/1898).

 

Vieram as 7 associações após o pioneirismo da  Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da Penitência, que foi criada há 390 anos, no dia  20 de Março de 1619! E apareceram, a seguir,  a  Venerável e Arquiepiscopal Ordem Nossa Senhora do Monte e do Carmo (19/07/1648) e a Venerável Irmandade do SS. Sacramento Santo António dos Pobres e Nossa Senhora dos Prazeres (15/08/1807). São 10 instituições religiosas, é certo, mas às quais os portugueses continuam ligados por devoção e patriotismo.    

 

Todas são   do Rio de Janeiro e a sua fundação  é obra da Diáspora Lusíada, ontem e hoje, iniciada desde  a Colonização, da qual os Portugueses só podem orgulhar-se, pois o espírito e a realização ficaram  para sempre ligados à Civilização Cristã. E a esta dezena de instituições verdadeiramente humanitárias devemos  acrescentar outras 31 na antiga capital brasileira, abertas para a assistência médico-hospitalar e social,  cultural ou desportiva, como é o caso extraordinário do Real Gabinete Português de Leitura, que, para lá das exposições históricas e artísticas, cursos e conferências, abre  a sua magnífica Biblioteca – com centenas de milhares de livros –  ao povo simples e aos investigadores e ensaístas, portugueses, brasileiros e de outras origens. E em várias  cidades do mesmo Estado funcionam mais 12 associações luso-brasileiras, entre as  quais destacamos as duas já centenárias – a Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos, fundada em 10 de Janeiro de 1852  na cidade homônima, e a Real Sociedade Portuguesa de Petrópolis, que data de 24 de Setembro de 1875.      

           

Se atendermos ao número de entidades, vem a seguir o Estado de São Paulo com 38 agremiações, a mais antiga das quais comemorará 150 anos em 2 de Outubro de 2009 – é a Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência – que dispõe  actualmente do maior hospital particular do Brasil, com perto de 2.000 leitos e uma equipe de cerca de 1.500 médicos e  50 salas de cirurgia (na realidade, atende em 6 edificios, nos dois hospitais interligados – o de São Joaquim e o de São José.

E, entre as mais antigas associações luso-paulistas, apontam-se igualmente a Real Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campinas (20-07-1873), o Real Centro Português de Santos (03/03-11/1895)  e, ainda nesta cidade, assinala-se a Sociedade Portuguesa de Beneficência (21/08/1859). Os portugueses fundaram também na cidade de São Paulo a Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas (24/06/189) e a Sociedade Portuguesa Beneficente Vasco da Gama (20/05/1898), que construiu e mantém um hospital  (mencionamos apenas as centenárias).

 

É necessário enumerar outras prestimosas associações luso-brasileiras: no Estado de Alagoas há 2 e no de Amazonas outras 2 (incluindo a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficente do Amazonas, fundada em 31/10/1873). As mais antigas do  Estado da Bahia são o Gabinete Português de Leitura (02/03/1863) e a Real Sociedade Portuguesa de Beneficência 16 de Setembro (01/01/1857). No Estado do Ceará refere-se a Sociedade Beneficente Portuguesa  (02/02/1872) e no Maranhão a ociedade Humanitária 1º. de Dezembro (1/12/1862). Na cidade de Corumbá (Mato Grosso) actua a Sociedade Portuguesa de Beneficência 1º. de Dezembro (21-02/1892)  e em Minas Gerais existe a Sociedade Portuguesa (01/12/1891). No Pará, indicam-se  a Associação Vasco da Gama (20/05/1898), a Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente (08/10/1854), o Grêmio Literário e Recreativo Português (29/09/1867). Em Curitiba, capital do Paraná, salientam-se a Sociedade Portuguesa Beneficente 1º. Dezembro (10/11/1878)  e na capital pernambucana o Real Hospital Português de Beneficência (16/09/1850), ao passo que no Estado do Rio Grande do Sul se relevam as actividades da Sociedade Portuguesa de Beneficência (Bagé, 27/11/1870), a Sociedade Portuguesa de Beneficência (Pelotas, 16/09/1857) e a  Sociedade Portuguesa de Beneficência (Porto Alegre, 26/02/1854) e, na cidade de Rio Grande,  a Sociedade Portuguesa de Beneficência, instituída em 03/07/1859).

                                                           

Na impossibilidade de enumerar, embora resumidamente, as associações luso-brasileiras que surgiram já no século XX  – e várias delas promovem manifestações muito válidas, não podemos omitir que, a par das enunciadas, outras actuam nos Estados de Alagoas, Rio Grande do Norte e no Distrito Federal (Brasília). Podemos concluir   acentuando que as Beneficências Portuguesas e outras entidades médicas, hospitalares, assistenciais  ou recreativas e culturais  prosseguem, de certo modo, a missão que foi inicialmente cumprida pelas Santas Casas de Misericórdia, fundadas pelos emigrados lusíadas no Brasil.

         

E, ainda no capítulo associativo, há que revelar os esforços colectivos   dos 15  Conselhos Luso-Brasileiros dos Estados de Amazonas,  Bahia, Ceará, Distrito Federal (Brasília), Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná (2), Pernambuco, Rio Grande do Norte,  Rio de Janeiro,  Santos e São Paulo. A  fonte desta lista foi a Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras. (Em tempo: um dos Conselhos paranaenses é da Comunidade Portuguesa e o outro da Comunidade Luso-Brasileira no Estado do Paraná, adiantando-se  que no de São Paulo permanecem idênticas denominações, em virtude de haver a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas – de Lisboa – criado com tal  designação os Conselhos “Portugueses”, pelo que a maioria das antigas entidades adoptou o título de Comunidades Luso-Brasileiras…  protesto  silencioso dos portugueses que vivem no Brasil). E um acréscimo final a estas anotações: dos cerca de 20 Elos Clubes fundados no Brasil cremos que nenhum deles se filiou à Federação das Associações. Por conseqüência, o movimento global luso-brasileiro não andará longe  das 170 a 200 entidades.                                                                                                                                                                                                                            

Nos últimos anos, têm sido escassos os estudos sobre a Diáspora Portuguesa no Brasil e é pena que não haja estímulos para historiadores, sociólogos, ficcionistas e poetas ou jornalistas  que possam continuar (a seu modo) as obras de  João Lúcio de Azevedo,  Jaime Cortesão, Fidelino de Figueiredo, Ferreira de Castro, Miguel Torga e de outros autores que tanto prestigiaram a Cultura Portuguesa no Brasil. Por isso, julgamos oportuna a citação do notável estudo de  Maria Beatriz Rocha-Trindade (da Universidade Aberta de Lisboa), Portugal-Brasil (Migrações e Migrantes – 1850-1930 (Edições Inapa, Lisboa, 2000).

 

Que ninguém pergunte se a obra valeu a pena!

“O Despertar” adiantou-se ao Governo…

Março 24, 2009

Por Nuno Mata

o_despertar

“A ortografia da língua portuguesa é regida por um conjunto de normas oficiais materializadas em acordos ortográficos. No início do século XX quer em Portugal, quer no Brasil, surgiu a intenção de estabelecer um modelo de ortografia que pudesse ser usado como referência nas publicações oficiais e no ensino em ambos os países, iniciando-se assim um longo processo de tentativas de convergência das duas ortografias.

No ano de 1943, realiza-se em Lisboa um encontro entre os dois países com o objectivo de uniformizar os vocabulários já publicados, o da Academia das Ciências de Lisboa, de 1940, e o da Academia Brasileira de Letras, de 1943. Deste encontro resultou o Acordo Ortográfico de 1945, que, no entanto, apenas se tornou vigente em Portugal, não tendo sido ratificado pelo Brasil, que continuou a reger-se pelo Vocabulário de 1943.

Em 1986 foi feita no Brasil uma nova tentativa de uniformização da ortografia, mas não se chegou a consenso.

Anos mais tarde, fruto de um longo trabalho desenvolvido pelas Academias de Portugal e Brasil, os representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, ao qual em 2004 adere o recém-independente Timor-Leste. O Acordo Ortográfico de 1990 entrou em vigor no início de 2009 no Brasil e tudo indica que outros países o farão brevemente.” In www.portaldalinguaportuguesa.org

 

O tema em análise é provocador de paixões e de acesas discussões, envolve cerca de 240 milhões de falantes, constituindo-se como a 5ª Língua mais falada no Mundo.

Embora causador de apenas 1,6% de alterações (em Portugal, PALOP’s e Timor Leste) e 0,5% no Brasil, são muitos os contrários e os favoráveis que esgrimem argumentos contra e a favor do Acordo Ortográfico (finalmente) aprovado e que o Brasil já colocou em marcha.

Desconhecendo o que se passa na totalidade dos países signatários deste Acordo, Portugal está paulatinamente a habituar-se à ideia de “fazer desaparecer” letras de algumas das suas palavras. Cauteloso, o Governo e a Administração Pública avançam pouco a pouco, sem grandes sinais.

Uma vez mais, a Imprensa Regional assume a dianteira da modernidade, quando outros o poderiam fazer com mais meios e oportunidades. O jornal mais antigo de Coimbra, “O DESPERTAR” adoptou as novas regras, causando espanto e admiração, mas apenas depois dos seus leitores terem sido informados desta situação. Prova-se, então, uma de duas coisas: ou a leitura é distraída ou, afinal, as diferenças não são assim tantas.

De qualquer forma, os falantes da Língua Portuguesa, estejam em que continente estiverem, pouco notarão grande parte das alterações, pois que a fonética, o dialecto ou o simples sotaque já há muito limparam letras de palavras… complica-se, contudo, o assunto na escrita, habituada há décadas à colocação de “c”, “p” e outras letras.

Ame-se ou odeie-se, espera-se que este Acordo Ortográfico sirva para que a Língua Portuguesa seja a Pátria de todos os seus falantes e não apenas de alguns…

Um Dicionário Escolar com a Nova Ortografia

Março 24, 2009
A Nossa Língua Portuguesa

A Academia  Brasileira de Letras acaba de publicar o seu Dicionário Escolar da Língua Portuguesa (1), que interessa não somente aos estudantes, mas a todos os leitores, com relevo para os professores, pois, além de trazer o acordo ortográfico que começou a ser utilizado pelos principais órgãos da imprensa, traz milhares de palavras.

 

É o primeiro êxito dos que definiram os princípios da nova ortografia, cujas

bases  começaram a ser discutidas  há cerca de 20 anos pelos lingüistas  portugueses, brasileiros, caboverdeanos, sãotomenses, angolanos e moçambicanos (o da Guiné-Bissau não pôde comparecer e o nosso Timor ainda sofria sobe a ditadura indonésia). As reuniões tiveram lugar no Rio de Janeiro e a imprensa portuguesa teria primado pela ausência se não assistisse o então correspondente no Brasil da Agência “Notícias de Portugal” e da RDP.

 

Não obstante, participaram dos estudos 5 especialistas portugueses, quase

todos (se bem nos lembramos) da Academia das Ciências de Lisboa, que há muitos anos trata das questões idiomáticas em nome de  Portugal, cabendo a outra representação à Academia Brasileira de Letras. Mas o caminho foi demorado até se chegar  à renovação ortográfica, desde o dia 1º. de Janeiro de 2009.

 

O novo dicionário escolar foi editado sob a responsabilidade da ABL e aceita, é

 claro,  as normas do acordo ortográfico oficial  dos 8  países de Língua Portuguesa.  

Não é  tão breve como sugere o título – soma 1312 páginas, explicando-se que os

 verbetes são antecedidos de informações necessárias – após os nomes dos directores da Academia Brasileira de Letras em 2008, assinalam-se: Prefácio,

Sumário, História da ABL, História (breve) da Língua Portuguesa, “Formação do Léxico Português” e  “Unificação Ortográfica”, antes da reprodução do acordo sobre “A Nova Ortografia da Língua Portuguesa” e de “O Verbo em Português”, além das instruções que facilitam o uso do Dicionário e a compreensão das abreviações.

 

Os verbetes da letra A  só aparecem na página 83, mas é evidente que a obra não inclui todas as palavras do vocabulário. Manifestam os organizadores deste Dicionário Escolar da Língua Portuguesa para o Brasil a esperança de que o Acordo de Unificação da Ortografia dos 8 países de idioma comum “seja de fato concretizado”. E que em Portugal e nos outros 6 países dicionários semelhantes sejam elaborados de facto…”

 

Que haja diferenças na pronúncia de cada um dos territórios dos 8 não terá

nenhuma importância, porque todos poderão entender-se – e eis o essencial:  Camões escreveu de um modo diferente do actual, mas sempre o compreenderão os que falam o idioma português, seja qual for o Continente onde viverem. Mas se as palavras forem unificadas, ortograficamente, mais depressa as utilizaremos. Por isso é que os versos de Os Lusíadas serão eternos.

 

Os responsáveis pelo novo dicionário recordam que as reformas ortográficas anteriores dos dois países não foram bem sucedidas, mas esperam que a unificação ortográfica possa contribuir agora para melhorar o ensino e se tornem “fator de difusão da cultura dos países que têm como oficial o nosso idioma.”

  (1)     O lançamento do volume é da Companhia Editora Nacional, São Paulo, 2008.

 


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