Arquivo de Abril 2013

Centro Cultural 25 de Abril recebe Salva de Prata na Câmara Municipal de SP

Abril 29, 2013

O Centro Cultural 25 de Abril, na Zona Oeste da capital paulista, foi homenageado nesta quinta-feira em sessão solene para a entrega da Salva de Prata, iniciativa do vereador Paulo Fiorilo (PT). A instituição, fundada em 1982, tem como objetivo desenvolver o intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal.

A data desta homenagem é emblemática para o povo português. Neste mesmo dia, em 1974, ocorria a Revolução dos Cravos – movimento responsável por derrubar o regime salazarista, ditadura que comandava o país desde 1926.

Para o presidente do Centro Cultural, Ildefonso Octávio Severino Garcia, essa homenagem é importante para celebrar dois aspectos fundamentais para a sociedade. “O dia 25 de abril é uma marco para a democracia e importante para o povo, porque reestabeleceu as relações democráticas e culturais do país”, afirmou.

O cônsul de Portugal no Brasil, Paulo Lopes Lourenço, destacou a forma como a Revolução dos Cravos foi conduzida. “Foi uma revolução pacífica que colocou fim a um regime ditador. É uma forma de mostrar que é possível transformar a sociedade de maneira organizada”, disse.

O Centro Cultural 25 de Abril, analisou Fiorilo, é fundamental para a consolidação da democracia. “É importante reconhecer essa instituição que tem uma visão política em defesa da democracia. Além disso, Portugal faz parte da nossa história”, disse.

Cultura

O evento contou também com a exposição “Entre Flâmulas” e apresentações musicais. Para um dos expositores da noite, Zélio Alves Pinto, a relação Brasil-Portugal é de “feição permanente”. “Todos nós temos uma ligação com os portugueses e esses vínculos jamais podem ser esquecidos. Portugal é a nossa segunda pátria, de onde vem as nossas heranças culturais”, afirmou o pintor, que expôs a flâmula Brasil-Portugal.

Para a curadora da exposição, Rita de Cássia Alves, manter o intercâmbio da cultura entre Brasil e Portugal é importante para mantermos nossa identidade. “Nós falamos a mesma língua e fomos colonizados por esse povo, precisamos sempre estreitar as relações”, afirmou. “Além disso, relembrar a Revolução dos Cravos é importante porque é a conquista da liberdade”, acrescentou.

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Fonte: http://www.camara.sp.gov.br

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REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

Abril 29, 2013

Por Rubens Jardim

É aqui, longe das praias solitárias

que eu ouço a voz das águas
e as canções do mar. E o mar
que não é português, nem grego ou brasileiro
despeja suas ondas em meus versos
que se recusam a caminhar sozinhos.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

E é em pé e de cabeça erguida que
eu chamo os poetas da nossa língua:
Camões, Fernando Pessoa, Castro Alves
E todos que manifestaram nosso lirismo
sem esquecer que as palavras tem garras
E podem ajudar a transformar o mundo.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

Eis aí o mistério poético e marinho
Que mistura nossas almas e nos torna
Navegantes e resistentes. As cartas
de marear são belas mas a poesia está nas
ruas, nos seios das mães e nas funduras
sociais da língua. Importante é a travessia

Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!

Sim, o mundo era outro. Eu também era outro
Mas a voz do mar era sempre a mesma.
E apesar da terra girar, Portugal continuava
Com Sal e Azar e as colônias africanas
Mas às 22h55 do dia 24 de abril de 1974
As rádios de Lisboa tocaram a canção-senha
Que deu início ao movimento libertário.

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Na celebração desse Abril, um quadro
Ficou famoso. Trazia um título sugestivo:
A POESIA ESTÁ NA RUA”.E foi ocupando
As ruas que o povo português mostrou
Com cravos vermelhos amansando fuzis
que a soberania popular pode ser
Sufocada-mas não pode ser morta.

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!

Rubens Jardim

O autor lendo o seu poema ao lado de Rita Alves no evento realizado em homenagem a Revolução dos Cravos em 25 de Abril na Câmara Municipal de SP

Carta de Luis Serguilha – Encontro 25 de Abril

Abril 29, 2013

Por Luis Serguilha

Forte abraço a todos e a todas e profunda admiração pelas energias criadoras presentes: espero que este encontro nos faça cada vez mais reflectir sobre as ruas de Portugal cheias de pessoas de todas as idades que gritam contra a catástrofe social, a execrável cleptocracia, a centralização sem escrúpulos dos poderes tecnocratas-absolutos que estão vergonhosamente, calculisticamente ao serviço do fmi, da troika, do capitalismo-selvagem levando o povo português para o colapso social, político, espiritual. Continuamos sob o jugo da guerra perpétua da exploração do homem. Vivenciamos a instauração da globalização da miséria, do barbarismo mercantalizador , da injustiça, aliados à fragilidade da linguagem e à ideologia do “salve-se quem puder”: eis a galopante eliminação de quem não produz e de quem está fora da homogeneização do pensamento….encarceraram a vida dos portugueses e de outros povos da europa, destruindo as expectativas, o imaginário ….a vida.

Aqui nos olhamos entre o ato e arte… Dentro da diferença, das fissuras, da diversidade, da multiplicidade e com todos os desdobramentos, entrecruzamentos navegamos até ao alto-mar onde se encontram o navio-fantasma dos lusíadas e o navio-negreiro de castro alves ….aqui estamos com a arte no corpo, tentando pintar cravos no inferno para combater a morte do 25 de abril….

Guilherme Cassel e o delírio tântrico

Abril 24, 2013

Por Nilto Maciel

CASSEL para texto de Nilto Maciel

Meu amigo Roberto Schmitt-Prym me ofertou alguns livros. Um deles é Contos de solidão e silêncios (Porto Alegre: Editora Bestiário, 2012), de Guilherme Cassel, gaúcho de Santa Maria. Passei três dias agarrado a ele, o volume. Ao final da aula do dia 6 de abril, fiz uma proposta às meninas e ao menino da oficina (mantenho em casa um laboratório literário, para aprendizes): Qual de vocês quer explorar umas ficções novas, vindas do Sul? E lhes mostrei o objeto. Sulamita espiou as capas, examinou as abas e se disse muito atarefada. Ana Clara parecia no mundo da lua (passou toda a aula a olhar para o nada) e não demonstrou interesse em mergulhar nas estórias. Fabiano não tentou me engabelar: há dias se via agarrado a umas narrativas de Breno Accioly. Restou Erykah Bloom. Sim, queria muito apreciar a novidade. Só precisava de uns cinco dias. Dei-lhe sete. Analisaríamos a obra no sábado seguinte. E assim o fizemos.

Quando Sulamita Chaves me falou pela primeira vez de Erykah, eu me senti no apogeu da fama: meu nome finalmente chegava aos States. A menina é filha de um natural de New York com uma cidadã de Fortaleza. Nasceu na mesma cidade da mãe, morou dois anos nos Estados Unidos, fala inglês e português, etc. E gosta de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Dalton Trevisan e de mim. Quase não consegui dormir. E sonhei em me apaixonar por ela. E é só, que não estou nesta crônica para falar de paixões tardias ou retardadas, nem de meus pobres gregotins. Fiquemos na seleção de Cassel e na conversa daquela tarde recente.

Guilherme Cassel é novato (embora nascido em 1956). Antes da estreia “oficial” (o que se dá com a publicação do primeiro opúsculo), aparecera em uma coletânea organizada por Luiz Antônio de Assis Brasil. Nestes Contos de solidão e silêncios apresenta 23 (vinte e três) peças, umas bem curtas (“O anjo”, “Sem pressa”, “Somos assim”, “Dezoito por doze”), outras um pouco mais alongadas. Nenhuma, porém, com feição de novela ou romance pequeno (refiro-me ao tamanho ou ao número de páginas). Ou estarei enganado? Pois logo o primeiro drama – “As mortes de Ramiro Esteves”, de apenas sete páginas – tem a cara de Cem anos de solidão: “Naquela manhã de sábado, quando Ramiro Esteves passou em frente ao armazém e cumprimentou os conhecidos com um aceno, ninguém imaginou que ele estava abandonando Santa Clara”. Lembremos o início do monumento universal do colombiano: “Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía”(…).

Erykah Bloom não concordou comigo: “García Márquez é muito mais pomposo. Além disso, a narração de Cassel se atém demasiadamente a informações talvez secundárias sobre o protagonista, o lugar e o tempo”. Não me satisfiz com a conclusão da garota. Esclarecesse aquilo. “Ora, parece desnecessário informar que Ramiro ‘não assistia às missas’. Todo homem sem religião é propenso a cometer crime?” Os outros alunos riram. Pedi-lhes silêncio e respeito à opinião da moça. Sim, o título justificava o mistério do comportamento do fazendeiro, seus modos, a vida afastada dos outros, quase sem contato com seus conterrâneos.

Erykah foi mais azeda ainda: “O título parece impróprio”. Como impróprio? “O autor poderia ter arranjado título menos enfático. Não precisava denotar tanto o caráter do personagem”. Sugeri “Fogo e reza”. Ela riu: “Não, esse é feio demais”.

No meio da tarde, convidei meus pupilos à merenda. Bati palmas (às vezes, chamo a atenção de Alice assim) e apareceu a secretária: “Pode preparar a mesa, que estamos famintos e sedentos”. Dei, sem querer, um abraço na tântrica criatura e sussurrei em seu ouvido “você é muito inteligente”. Ela sorriu, sem jeito: “Muito inteligente é o senhor”. Contestei-a: “Se fosse, não estaria aqui”. “E onde estaria?” “Talvez na Câmara dos Deputados, a cochichar aos ouvidos de outro sabichão. Se não, poderia ser pastor evangélico. Ou, simplesmente, meter-me num navio luxuoso, no Mar Tirreno”. Deixamos de lado os elogios e os sonhos e nos dedicamos à torta de banana e aos sucos de melancia e cenoura. “Então esse Cassel é bom mesmo?” Não prestei atenção à provocação. Só sei de onde proveio: da boca doce e molhada de Sulamita. A brincar, Ana Clara lhe deu murro leve às costas. Parasse de falar, enquanto mastigava.

De regresso à sala onde se dão as aulas (às vezes palestra, às vezes diálogo, outras nem isso nem aquilo), mudei de assunto (porque sou professor e não posso me deixar conduzir pela vontade dos alunos): “Você percebeu algum traço de regionalismo em Guilherme Cassel?” Sim, bastava prestar atenção à ambientação da maioria dos relatos, a caracterização dos personagens, o comportamento das pessoas: “as mãos nos bolsos da bombacha”; “nos invernos do Sul, o dia custa a se livrar da névoa”. Fez uma pausa: “Há até uma composição intitulada ‘Sul’. E as frases sempre a lembrar ao leitor aquela região: ‘Quem vive no Sul, quando envelhece, naufraga em silêncio’”. Interrompi-a: “Isso é natural, minha cara. O sulista deve descrever o Sul; o nordestino, o Nordeste; o escritor do Norte, a Amazônia”. E lembrei o caso José de Alencar, que quis descrever o Brasil, sem o conhecer todo.

Aproveitei o momento, para sair em defesa da arte de Guilherme Cassel: Vejo nele as mais amplas possibilidades como escritor. Sabe lidar com a primeira pessoa (mencionei “Memória”, “Tentação” e outros) e com a terceira ou o ponto de vista onisciente (perfeito na primeira história). Consegue descrever perfis, lugares, objetos (sem ser enfadonho), como em “Tentação”: “voltei devagar, pensando em cada detalhe do que havia acontecido, procurando fixar na memória cada músculo do cavalo, o preto lustroso do pêlo, a voz do homem desconhecido, suas mãos, o olhar, o chapéu”.

Fiz mais duas ou três observações a respeito da linguagem do contista (economia verbal, contenção das falas, narração do essencial) e me lembrei de pedir auxílio a Assis Brasil (que deve ter sido o mestre de Guilherme). E encontrei diversos bons (para a minha aula) trechos na apresentação de quatro páginas. Como este: “Guilherme Cassel opta pela linearidade frasal, deixando a sofisticação para o que, de fato, importa: os enredos e conflitos”. Erykah Bloom quis se manifestar. No entanto, já ia a tarde se encaminhando para a noite. Diga apenas uma palavra ou cale-se para sempre: “Lindo!” Não sei se se referia ao pensamento de Assis Brasil, se ao modo de narrar de Cassel, se ao entardecer.

Ao mesmo tempo, Sulamita, Ana Clara e Fabiano me pediram o tomo, por empréstimo. Olhei de uma só vez para os três. Optei por Ana Clara. Explico a preferência: ainda não iniciara a leitura de Cien años de soledad. “Então deixe García Márquez para depois”. E ela, a sorrir, declamou: “Muchos años después, frente al pelotón de fusilamiento, el coronel Aureliano Buendía había de recordar aquella tarde remota en que su padre lo llevó a conocer el hielo”.

Eu por pouco não atingi o grau máximo do delírio tântrico.

Ato e Arte – 25 de Abril ontem e hoje.

Abril 23, 2013

Ato e Arte 25  de AbrilO evento que comemora a Revolução dos Cravos de Portugal esta sendo coordenado pela nossa colaboradora Rita Alves que cuida também da curadoria de arte, com ajuda da artista plástica Anapana.

O evento faz parte das comemorações oficiais do ano de Portugal no Brasil.

Mais informações em http://teladeletras.com 

A liberdade como tema, inspiração e ideologia.

Abril 19, 2013

Por Rita de Cássia Alves

LIVRE

 Liberdade não se compra

nem vê a luz

quem de cabeça baixa anda.

Vive-se o medo

fantasma e sombra.

Liberdade se conquista

à luz dos cravos

vermelhos de aurora.

A vida em janelas sem trancas

flâmulas ao vento do passado

como se o futuro fosse

agora.

No dia 25 de abril de 1974, chega ao fim um longo processo de tentativa de desmanche da identidade libertária de um povo bravo e desbravador, o povo português.

O país, assolado historicamente pelo malogro de Alcácer Quibir, em 1578, teve como comandante da esquadra o rei Dom Sebastião que, ainda menino, vai ao Marrocos à frente de um exército, como forma de comprovar a sua coragem e valentia e para impedir o avanço das forças otomanas, a ameaça à costa portuguesa, para não deixar atrapalhar os avanços de dominação no Brasil e na Guiné,  e com a  principal finalidade de fortalecer o comércio de ouro, açúcar, trigo; no entanto, não obtém sucesso, desaparecendo  em terras marroquinas e ditando o fim da Dinastia de Avis.

“Senhores, a liberdade real só há de se perder com a vida“. Os nobres que o acompanhavam a cavalo conformam-se em prosseguir o combate até ao fim, tendo D.Sebastião dito a estes: “Morrer sim, mas devagar!”

Com o fim da Dinastia  de Avis e o enfraquecimento do poder português, já que grande parte da nobreza que liderava o país morreu na batalha, Portugal perde a independência por 60 anos, tempo suficiente para abalar a autoestima e autoconfiança do povo, marcado fortemente pela ambiguidade do gesto: um rei mártir (tornado mito) e a perda da liberdade em consequência disso.

O próprio Camões, ao perceber a ruína financeira e a ameaça à liberdade que se abatia sobre Portugal, escreveu, numa carta a D. Francisco de Almeida, referindo-se ao desastre de Alcácer-Quibir, “Enfim acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha Pátria que não só me contentei de morrer nela, mas com ela”.

DOM SEBASTIÃO, REI DE PORTUGAL

(Fernando Pessoa in “Mensagem”, 1934)

 

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está

Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

A mensagem para texto de Rita Alves

Abatido, o povo português apega-se a crença de que o rei voltará pra libertá-los do domínio espanhol.

NEVOEIRO

(Fernando Pessoa, in “Mensagem”, 1934)

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer —

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

Mas sem esmorecer, a ciência passa a ser o principal foco de atenção, em especial, na Universidade de Coimbra, que em 1772 introduz, com a  reforma pombalina,  o ensino das ciências, período iluminista, em que se consolida a visão racionalista, experimental e cientificista, em detrimento ao misticismo, à visão religiosa como explicação para todos os fenômenos agora estudados como naturais e não sobrenaturais.

Assim, o Real Gabinete de Física da faculdade de Filosofia abriga vasta coleção de instrumentos científicos da época.

No Brasil, tivemos reflexos dessas posturas, notadamente a construção de fortificações, expansão do comércio, rotas alternativas incentivadas pelo desenvolvimento da ciência da navegação*.

A perda gradativa das colônias, o ascensão do nazi-fascismo na Europa, as doutrinas da a igreja, o integralismo,  propiciaram a instalação, já no início do século XX, da Polícia Preventiva, Polícia de Informações, transformada aos poucos em milícias de controles pessoais, instrumentos repressores, em nome de uma ordem militar que preparou a chegada de António de Oliveira Salazar ao poder, de onde saiu décadas depois.

No entanto, desde o surgimento da ditadura, nunca foi de conformismo a postura do povo português, tendo ocorrido em fevereiro de 1927, na cidade do Porto e em Lisboa uma importante revolta, onde tombou mais de uma centena de combatentes, em apenas dois dias de embate, com um tanto de deportados, cerca de 700, a países da África e outros 500 para a Madeira e Açores.

Em 1932 dá-se inicio a uma das fases mais obscuras da história política e social de Portugal, com Salazar cuidando da pasta das Finanças, regulamentando os chamados “crimes de rebelião”, ou seja, tortura aos comunistas.

Grandes foram os abalos, revoltas armadas, resistências, emigração de quase dois milhões de portugueses a vários países vizinhos, censura, tentativas de tomadas de poder, sequestros, enfim, após 41 anos, o regime não resistiu aos fortes apelos e embates sociais, culminando na revolução dos cravos, em 25 de abril de 1974. O regime caiu quase sem ter quem o defendesse, fortalecendo, isto sim, o moral do povo, aguerrido mais uma vez – e incansavelmente – ao mais nobre sentimento humano capaz de mover multidões: a liberdade.

SP em 25 de Abril

Foto original digitalizada cedida pelo Centro Cultural 25 de abril em São Paulo

ABRIL DE ABRIL
Manuel Alegre

Era um Abril de amigo / Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo / Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo / Abril de Abril.

Era um Abril na praça / Abril de massas
era um Abril na rua / Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava / Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril / Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se / Abril palavra
esse Abril em que / Abril se libertava.

Era um Abril de clava / Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que / Abril floriu nas armas.

*Em 2004, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, sob direção e curadoria de Marcelo Araújo, consegue negociar a mostra do acervo científico da Universidade de Coimbra, “Laboratório do Mundo – Ideias e Saberes do Século XVIII.

A mostra ficou registrada numa edição especial da Imprensa Oficial do estado, uma parceria entre o Gabinete de Relações Culturais Internacionais de Portugal e a Pinacoteca do estado de São Paulo.

Lançamento do Livro “Alma mais que tudo” de Cryro de Mattos.

Abril 19, 2013

lançamento Cyro de Mattos 21.04


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