Arquivo de Março 2014

A cruz é inextinguível

Março 31, 2014

por Renato Nalini

A tentativa de eliminar símbolos do Cristianismo das repartições públicas é utopia. O Brasil se chamou Terra de Santa Cruz, a religião católica foi a oficial desde 1500 até 1890. A laicidade da República não significa ateísmo. Apenas não há uma religião oficial. Todas são permitidas. Até incentivadas, porque é lícito celebrar acordos, convênios e tratados com organizações religiosas quando se cuida de implementar políticas públicas.

A se levar a sério a eliminação de qualquer sinal da cristandade, cultura entranhada em nossas tradições, teríamos de reescrever a história. E isso é impossível. Veja-se o ridículo da revisão do passado, de maneira a excluir o que é inexcluível, tema que George Orwell já enfrentou no seu célebre “1984″. Ao proceder a leitura de “O Tempo das Ruas”, da antropóloga Fraya Frehse, mais me certifiquei disso. Ela fala de São Paulo, cidade fundada sob a invocação do Apóstolo dos Gentios, por padres jesuítas que aqui estavam a catequizar os indígenas.

A reescrita obrigaria São Paulo a não se chamar assim. Seria apenas “Paulo”? Não estaria implícito e subjacente a santidade do patronímico? Onde se chegaria se tivéssemos de dizer que a população recenseada pelo poder público paulistano em 1872 e 1890 obedecia a uma divisão administrativa que se chamava, simplesmente, Nossa Senhora da Assunção da Sé, Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia, Nossa Senhora da Consolação e São João Batista, Senhor Bom Jesus do Mattosinhos do Braz, Nossa Senhora da Expectação do Ó, Nossa Senhora da Penha de França, Nossa Senhora da Conceição de São Bernardo, Nossa Senhora do Desterro do Juqueri e Nossa Senhora da Conceição dos Guarulhos?

As cidades todas têm padroeiro, os Estados membros também, a Nação idem. Que cidade não tem a sua “rua do Rosário”, invocação mariana entranhada na consciência das pessoas e que nenhum decreto humano conseguirá apagar. Vide a URSS, que ao ser dissolvida, viu voltar, em plenitude e exuberância, a fé e a crença na transcendência, vocação natural dos míseros humanos. Conformem-se, ateus, e tentem ganhar a adesão dos descrentes, sem modificar o passado. Este já foi e é a única dimensão do tempo com que se pode efetivamente contar.

Colóquio Raul Lino em Sintra

Março 31, 2014

Convite coloquio Raul Lino em Sintra

PROFISSÃO: EMPREGADO DE CAFÉ

Março 20, 2014

Por Pedro Silva

Em todos os locais do mundo, existem actividades mais peculiares que outras. Profissões existem que, por si mesmas, despertam em nós particular interesse. Por exemplo, o extinto ardina era uma figura típica de um Portugal de tempos não muito distantes e, por assim dizer, a peixeira é ainda ponto de destaque nas vendas a retalho.

Mas, entre todas, há uma que me desperta especial atenção e carinho, por razões mais que óbvias – empregado de café, designação pela qual, na minha terra, distinguimos os profissionais que fazem parte do nosso dia-a-dia, mesmo sem pertencerem à nossa família e que servem as muita apreciadas bicas, de mesa em mesa, em azáfama contínua.

Hoje em dia todos os meninos querem ser médicos ou engenheiros. Há cinquenta anos atrás aspiravam a ser empregados da restauração, fosse num café ou num restaurante. Os tempos eram outros, as dificuldades também e, porventura, a humildade era uma das características mais evidente.

Momentos intermédios houveram, nas últimas três décadas, que as pessoas passaram a fazer distinções entre certas actividades.

Esta crónica é uma forma de homenagear uma actividade que me é tão querida. São milhares de quilómetros percorridos, assentes nos próprios pés, movidos à força pessoal, durante uma vida completa de actividade profissional. Centenas de confidências escutadas em tantas noites. Dezenas de conselhos bem empregues, dados por quem, sem um curso de psicologia, conhece mais do ser humano, na sua pior e melhor expressão prática, do que os doutores.

Devo afirmar que conheço pessoalmente vários empregados de café, mas há uma figura que me é por demais grata, e que considero a mais inconfundível, incontornável e conhecida figura desta área profissional na minha cidade, conhecido por todos como o Sr. Chico da Nabância.

Muito obrigado por tudo, meu querido pai!

O PÓ DO TEMPO

Março 18, 2014

por Rita de Cássia Alves

o valor da palavra e o sinal

verdes florações de outono

singelas pintas de cores

caem sobre as calçadas

em largas espirais

a verdade das estradas

e os movimentos das folhas

em hipotéticas imagens ancestrais

ampliam o tempo

alargam as desventuras

criam inscrições

esqueletos

ramos tórridos

cantos-lamentos

evocação da memória

acompanham o arrastar da folhagem

ventos empurram

redemoinhos que fazem  voltas

com o tempo

palavra

a aderir aos fios

cabelos

lãs

entalhes no torso

palavras-golpe

palavras-carícia

lapidam as gemas

dos seios

lanças que se atiram

rasgando o horizonte

de pó e lembranças

Por que a Cruz é sinal do cristão?

Março 17, 2014

por Felipe Aquino

Algumas pessoas não católicas dizem que a cruz é um símbolo pagão e que não deve ser usada. Mas esta afirmação não está de acordo com o que a Igreja Católica sempre viveu e ensinou desde os seus primórdios e também não concorda com os textos bíblicos, que louvam e exaltam a Cruz de Cristo. Senão vejamos:

texto Felipe AquinoMt 10, 38 – Jesus disse: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”.

Mt 16, 24 – “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.

Lc 14, 27 –“E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”.

Gl 2, 19 – “Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo”.

Gl 6, 12.14 – “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

1Cor 1,18: “A linguagem da Cruz… para aqueles que se salvam, para nós, é poder  de Deus”.

 1Cor 1, 17: “… anunciar o  Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a Cruz de Cristo”.

 Quando o imperador Constantino o Grande, enfrentou seu rival Maxêncio sobre a ponte Milvia, próximo do ano 300,  viu nos céus uma cruz luminosa acompanhada dos dizeres: “In hoc signo vinces!” (Por este sinal vencerás). Constantino, então, colocou a sua pessoa e o seu exército sob a proteção do sinal da cruz e venceu Maxêncio, tornando-se imperador supremo de Roma, proibindo em seguida a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, em 313.

O símbolo resultante da sobreposição das letras gregas X e P, iniciais de Cristo em grego, lembrava Cristo e a Cruz e foi representado no estandarte de Constantino. No fim do século IV, tomou a forma que lembrava a Cruz.

Após a conversão de  Constantino († 337) a cruz deixou de ser usada para o suplício dos condenados e tornou-se  o símbolo da vitória de Cristo e o sinal dos cristãos, como mostra de muitas maneiras a arte, a Liturgia, a piedade particular e a literatura cristã. A cruz tornou-se, então, sinal da Paixão vitoriosa do Senhor. Conscientes deste seu valor, os cristãos ornamentavam a cruz com palmas e pedras preciosas.

Os Padres da Igreja como Tertuliano de Cartago e Hipólito de Roma, já nos séculos II e III, afirmavam que os cristãos se benziam com o sinal da Cruz. Os mártires tomavam a cruz antes de enfrentar a morte e os santos não se separavam da cruz. As Atas dos Mártires mostra isso.

No entanto, muito antes de Constantino, Tertuliano (†202) já escrevera: “Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas  as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa o sinal da Cruz” (De corona militis 3)*.

S. Hipólito de Roma († 235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III, escreveu: “Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da Cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o Cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da  Cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos 42)*.

No  Novo Testamento a Cruz é símbolo da virtude da penitência, domínio das paixões desregradas e do sofrer por amor de Cristo e da Igreja pelas salvação do mundo. Seria preciso apagar muitos versículos do Novo Testamento para dizer que a Cruz é um símbolo introduzido no século IV na vida dos cristãos. O sinal da Cruz é o sinal dos cristãos ou o sinal do Deus vivo, de que fala Ap 7, 2, fazendo eco a Ez 9,4: “Um anjo gritou em alta voz aos quatro Anjos que haviam sido encarregados de fazer mal à terra e ao mar: “Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus”.

São Clemente de Alexandria, no século III, chamava a letra T (tau), símbolo da cruz, de “figura do sinal do Senhor” (Stromateis VI 11)*.

Por tudo isso, a vivência e a iconografia dos cristãos, desde o século I, deram à cruz sagrada um lugar especial entre as expressões da fé cristã. Daí podemos ver que é totalmente errônea a teoria de que a Cruz é um símbolo pagão introduzido por influência do paganismo na Igreja e destinado a ser eliminado do uso dos cristãos. Rejeitar a  Cruz de Cristo é o mesmo que rejeitar o símbolo da Redenção e da esperança dos cristãos.

* Este artigo foi baseado no de Dom Estevão Bettencourt, da revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 351 – Ano 1991 – Pág. 364.

CONFISSÃO DE UMA MONJA

Março 7, 2014

por Raquel Naveira

Eu sei, irmã,
Que meu sofrimento é pequeno
Perto do de Cristo
Que levou nos ombros
Doenças,
Humilhações,
Misérias,
Todas, todas…
Que é só uma parcela,
Um pingo,
Uma gota,
O quinhão que me cabe.

Eu sei irmã,
Que minha cruz é de bom tamanho,
Que posso carregá-la,
Que as formigas suportam muitas vezes mais
O próprio peso,
Que ela é leve
Comparada a outras cruzes,
Que devo agradecer volume
E medida razoáveis
Para uma cristã.

Eu sei irmã,
Que não se deve lamentar,
Que no caminho da mulher
Há sempre um dragão,
Uma serpente,
Uma maçã.

Eu sei irmã,
Eu sei, mas é que ardo,
Queimo,
Definho
Toda noite
Até de manhã.

Artistas Negros da Música Popular e do Rádio

Março 6, 2014
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Capa do Livro

Em seu novo livro, Thais Matarazzo resgata as memórias dos cantores negros da música popular, do carnaval de rua e do rádio, esquecidos na poeira do tempo.

Enriquece, com esta obra, a memória da música popular brasileira. A autora, com um toque de leveza e originalidade no seu texto, traz a luz interessantes momentos das trajetórias artísticas de Henricão, Vassourinha, Risadinha e Chocolate. Todos nascidos em São Paulo e que ganharam o Brasil através das ondas mágicas do rádio.

O livro também contempla as figuras pioneiras do carnaval e do samba da Pauliceia: Dionízio Barbosa, Dª. Sinhá, Argentino Celso Wanderley e Elpídio de Faria. Todos membros de pequenas associações carnavalescas surgidas entre as décadas de 1910 a 1930. Com destaque para o Grupo Carnavalesco Barra Funda, mais conhecido como “Camisa Verde”, que completa seu centenário em 2014.

São, sem qualquer discussão, figuras das mais impressionantes da música popular brasileira em todos os tempos. São personalidades, como outros tantos que, com sacrifício e heroísmo, lutaram por incrementar a nossa exaltada canção popular.

Esses cantores/compositores deixaram significativo acervo a ser resgatado, que necessita de valorização e preservação, para que a memória possa ter papel importante de destaque na literatura e outros estudos, para informação e conhecimento das futuras gerações.

O prefácio é assinado pelo radialista e jornalista Jorge Luiz, Rádio Globo AM-R; participações especiais do pesquisador musical e blogueiro Luiz Amorim e de Marcello Laranja, presidente do Clube do Choro de Santos.

O livro tem edição da “Arte e Expressão”, com 304 páginas, ilustrado, papel off-set 90gr/m², preço de capa sugerido R$ 30,00.

Sobre a autora

Nasceu na capital paulista. Jornalista, escritora, palestrante e pesquisadora cultural. Colunista doJornal Movimento e Mundo Lusíada Online. Integra a equipe do programa Solo Tango, da Rádio Trianon 740 AM/SP, comandado por Walter Manna. Trabalha noDepartamento Cultural do Clube Português de S. Paulo. Desenvolve extensas pesquisas sobre a história do rádio e da música popular brasileira. É autora dos livros IreneCoelho, uma brasileira de coração português (2011), A Música Popular no Rádio Paulista, 1928- 1960 (2013), A Dinastia do Rádio (2013) – parceria com Valdir Comegno, Fado no Brasil: Artistas& Memórias (2013) – lançado em Portugal, e Artistas Negros da Música Popular e do Rádio (2014).

Contatos

thmatarazzo@gmail.com ou bondedasaudade@gmail.com

Telefones: (11) 3663-5953 (comercial)

Serviço

Lançamento em São Paulo – SP

Data: 15 de março de 2014 (sábado)

Horário: 15h30 às 18h30

Local: Casa de Portugal

Av. da Liberdade, 602 – 1º andar

Tel: (11) 3273-5555

Lançamento no Rio de Janeiro – RJ

Data: 5 de abril de 2014 (sábado)

Horário: 14 horas

Local: Livraria Folha Seca

Rua do Ouvidor, 37

Centro – Rio de Janeiro

Tel: (21) 25077175


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