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A abençoada profissão de Relações Públicas

Abril 10, 2013

Por João Alberto Ianhez 

Aquelas pessoas que não viveram e não praticaram na sua essência a atividade de Relações Públicas nunca poderão entender a afeição que essa profissão abençoada desperta. Esse sentimento faz com que profissionais da área sofram quando a vê sendo deturpada, inadequadamente praticada, mal interpretada.

A atividade de Relações Públicas é abençoada por: Mudar para melhor as organizações, ao criar entendimento e as harmonizar com os seus públicos. Através da sua filosofia e das suas práticas administrativas, fazer as pessoas encararem as demais com maior compreensão e cordialidade.  Promover a relação de respeito entre o humano, o social e a natureza, muito antes de se começar a falar em sustentabilidade. Representar a opinião pública junto à organização. Promover a eficácia e a produtividade.

.Hoje se fala em substituir Relações Públicas por Comunicação Organizacional. A análise dessa idéia pode começar pelos nomes: Relações Públicas dá a idéia correta do que guia as organizações e assume cada vez maior importância: as relações com o público, a opinião pública. Comunicação Organizacional dá idéia de ações internas, da comunicação voltada para dentro das organizações.

Os defensores da Comunicação Organizacional dizem que esta é mais fácil de entender e que Relações Públicas têm um campo de ação muito amplo e é muito complexa. Não é isso! É falta de conhecimento prático da atividade.  Sua amplitude e complexidade não são maiores do que as de muitas outras áreas da administração. Por essa razão muitos profissionais afirmam: “Relações Públicas só se conhece na prática.”

Enganam-se os que colocam nos ombros do profissional de Relações Públicas as responsabilidades que ela envolve e as atividades abrangidas por ela. O líder da organização deve ser o responsável primeiro pela atividade. Ele deve utilizar a sua capacidade de liderança para que toda a administração apóie a atividade. É necessário que todos na organização atuem pela filosofia e práticas de Relações Públicas. A profissional assessora, aconselha e fornece os instrumentos para que Relações Públicas aconteça.

A atividade não envolve somente técnicas de comunicação. Ela é filosofia e prática de administração. Não é só o profissional de Relações Públicas que vai praticá-la. É a organização como um todo. A filosofia que está na cultura da empresa é adaptada aos parâmetros de Relações Públicas e deve permear a organização na plenitude da sua estrutura. Nesse processo, ela transforma e adapta ações administrativas. Em muitas áreas vai exigir novas políticas, mudanças nas formas de se relacionar e de se comunicar.

Tendo o apoio do líder da organização, o profissional e a área de Relações Públicas são os guardiões dessa filosofia e das práticas administrativas resultantes da mesma.

Portanto, Relações Públicas são: a) Filosofia de administração. b) Função administrativa. c) Técnicas de comunicação e relacionamento. d) Técnicas para olhar a organização com os olhos do público.

No passado, se tentou fazer da atividade de Relações Públicas um instrumento para valorizar regime não democrático, tornarem corretas imagens incorretas. Não vingou. Surgiu nos órgãos governamentais e empresas estatais o termo Comunicação Social, importado do Vaticano. Os profissionais de Relações Públicas foram substituídos por especialistas em comunicação de mão única. Executavam a comunicação de cima para baixo, ditatorial: “Mando! Obedeça!”. Essa denominação se impôs rapidamente. Foi a saída para aqueles que não podiam utilizar o titulo de Relações Públicas. Até hoje se encontra essa forma da comunicação em algumas organizações públicas e privadas.

Então, o que aconteceu com as Relações Públicas no Brasil?

Primeiro: Fizeram dela o que ela não é.  Retalharam-na por falta de conhecimento e para burlar a regulamentação. Segundo: Colocaram-na como especialidade de Comunicação Social e foram aos poucos minando sua visão multidisciplinar. Terceiro: Pessoas despreparadas e amadoras, que não tinham condições de exercê-la, se aventuraram na sua prática, criando confusão e interpretações errôneas.  Quarto: Falta de visão do mercado sobre ela e sobre o trato com a opinião pública. Quinto: Interesses pessoais colocados acima dos, da profissão. Sexto: A falta de união da classe.

Hoje está ocorrendo o que ocorreu na época da regulamentação. Profissionais que não podiam utilizar o título diziam: “Não é Relações Públicas, mas é a mesma coisa”. Agora estão querendo que digam: “Não é Relações Públicas, mas é a mesma coisa, é Comunicação Organizacional.”

Vamos lutar por essa abençoada profissão, ou vamos deixar que tripudiem sobre ela ainda mais?

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Relações Públicas e sua atuação estratégica

Janeiro 27, 2011

Por João Alberto Ianhez (*)

Os líderes das organizações não se contentam mais com as atividades de comunicação padrão. Eles estão valorizando a comunicação estratégica, com visão macro das organizações e seus vasos comunicantes. Já aprenderam a ver que existe algo além da comunicação promocional e da assessoria de imprensa. Estão percebendo que o público é o responsável pelo progresso ou decadência das organizações e que ele não é constituído apenas pelos empregados, fornecedores, clientes e imprensa.

As organizações estão constatando, muitas vezes à custa de sacrifícios enormes de tempo, recursos humanos e financeiros, que precisam praticar a comunicação a partir da visão geral de suas amplas estruturas de relacionamentos. Estão conscientes de que o motor que gera o desenvolvimento pleno das organizações é a administração correta da comunicação com todos seus públicos. Dentro desse contexto, são identificados os públicos das organizações. Desta forma, ações especificas são desenvolvidas objetivando o fluxo ideal da comunicação em suas estruturas de vasos comunicantes, redes de relações que se formam dentro delas e se estendem por todos os ambientes sociais com os quais elas interagem.

Essa é a visão da organização que está preocupada em se inserir na sociedade como co-responsável pelos sucessos e fracassos da comunidade em que está sediada. Visão de quem está consciente de seus valores e da importância de se guiar por eles. Visão de quem está preocupada com a sua reputação, o seu nome, o seu conceito, a sua imagem. Visão de quem está consciente da necessidade de priorizar as ações de preservação e fortalecimento dos seus princípios e valores, seus maiores patrimônios. Visões que só se concretizam em sua totalidade sob a responsabilidade direta do líder da organização.

Relações Públicas tem as técnicas e as ferramentas para trabalhar adequadamente a comunicação estratégica e formalizar os valores da organização. Valores nos quais irão se basear todas as ações de comunicação sejam elas promocionais ou institucionais. Os profissionais que conhecem as técnicas e utilizam as ferramentas das Relações Públicas estão preparados para assessorar o líder da organização nessa importante responsabilidade: comandar o processo de comunicação estratégica da organização, fundamento de toda a sua comunicação – todos os seus relacionamentos.

Consciência crítica dentro das organizações

É importante destacar que o profissional responsável pelas Relações Públicas de uma organização tem como principal função ser a consciência crítica do público dentro das organizações. Essa é uma das funções dessa atividade, nem sempre amena. Mas, muito necessária e vital.

Todas as organizações estão executando atividades inerentes às Relações Públicas. Muitas, não com estratégias e planejamentos adequados. Executando-as de forma canhestra, através de pessoas não preparadas para isso. Sendo assim, elas improvisam, executam pelas beiradas, copiam sem fundamentações, por não saberem a razão de fazer e como fazer.

O mercado está em expansão. Todas as organizações precisam de profissionais preparados para utilizar com eficácia o composto das Relações Públicas. As que não têm um profissional dessa área, provavelmente, estão cometendo erros prejudiciais a sua operação. Estes irão se acumulando e se agravarão a ponto de causar sérios contratempos e danos à organização.

Cinco pontos a serem resolvidos

Estes são problemas vividos pelas Relações Públicas no Brasil. Primeiro: a falta de conhecimento e reconhecimento da sua prática, por grande parte das lideranças organizacionais. Segundo: a utilização de diferentes nomes, na tentativa de encobrirem a ocupação das mesmas por pessoas não preparadas. Terceiro: a execução de planejamentos e programas parciais das Relações Públicas, sem a integração adequada, em torno dos valores e dos objetivos maiores da organização, das áreas que trabalham a comunicação e de toda estrutura organizacional. Quarto: as situações apontadas acabam passando ao público imagem de falta de coesão e de não integração das atividades dessas organizações. Concluindo: as situações anteriores prejudicam as organizações. Os recursos investidos nas atividades de comunicação acabam por não obter o melhor retorno, em virtude dos problemas apontados.

Pior! Do ponto de vista do mercado de comunicação, acabam criando uma promiscuidade danosa para o processo de relacionamento das organizações. Esses problemas têm que ser combatidos, para que as organizações brasileiras possam utilizar todo o potencial das Relações Públicas. Em outros países, a utilização adequada dessa atividade deu excelente contribuição para alavancar o desenvolvimento das organizações, com reflexos positivos para as próprias empresas.

Por tudo isso, é necessário conscientizar as lideranças organizacionais dos papéis que devem exercer como responsáveis diretos pela comunicação nas organizações. Essa é a questão chave. Onde está o poder que conduz ao desenvolvimento das organizações? Esta é uma pergunta que todo líder organizacional deveria procurar responder com profundidade. Nesse caso o poder tem fundamentos, que poucos entendem: a comunicação, os relacionamentos.

O poder nas organizações está na capacidade de gerar comunicação e relacionamentos harmoniosos e produtivos. A sustentação da organização está baseada nesse princípio. Este é o principal papel dos líderes das organizações. Diante desta afirmação, alguns vão contrapor que as atividades mais importantes são as ligadas às finanças e à administração dos bens materiais. Isto ocorre pelo fato de que, nas exigências diárias dos seus cargos, acabam por perder o foco da razão da existência dos recursos materiais e deixam de lado a visão da importância da comunicação, dos relacionamentos.

Observemos: é evidente que se ganharmos o grande prêmio vamos resolver a maior parte dos nossos problemas. E eles estão aonde? Nos nossos relacionamentos. Se não tivermos alguém controlando o banco no qual fizemos empréstimos e nos cobrando, não precisaremos utilizar nosso dinheiro. Se não houver vendedor ou pessoas tomando conta das lojas de carros e se não houver autoridade e justiça para pautar nosso comportamento, podemos pegar um carro e utiliza-lo sem pagamento. Sairmos pelas estradas, como se cada quilômetro delas fosse nossa propriedade particular.

Nesses exemplos, diante dessas situações, há pessoas que entenderão que essas formas de agir levam a erros, a faltas comunitárias. O que está em jogo, então, não é o carro, não é a estrada, não é o dinheiro tomado por empréstimo junto ao banco e nem o grande prêmio recebido. São as pessoas que sabem discernir sobre a essência da situação: a manutenção e a precedência dos valores. Valores que todas as pessoas têm às vezes uns diferentes dos outros. Se, em todo esse contexto que colocarmos pessoas interagindo com pessoas as coisas mudam. É nesse ambiente de interação entre pessoas, aprovando ou desaprovando seus atos, produtos e serviços, que vivem as organizações.

Queremos deixar claro que tudo é feito por pessoas, para atender aos anseios e desejos de pessoas, para que os seus valores possam ser levados em consideração e respeitados, como ocorrem com os valores de outras. Se tirarmos as pessoas do cenário existe o nada. O amontoado de materiais sem função: maquinários, móveis e imóveis, cédulas de reais, dólares, euros e outras moedas.

Responsabilidades do Líder da Organização

Então, podemos afirmar que as responsabilidades maiores do líder da organização são pontualmente:

•  Liderar e apoiar o processo de comunicação estratégica na organização, consciente da fundamental importância da mesma.
•  Compartilhar com seus liderados a sua visão, a sua missão, os seus objetivos e os seus valores. Providenciar para que eles permeiem toda a organização.
•  Desenvolver a capacidade de comunicação dos membros da organização.
•  Apoiar o desenvolvimento da sensibilidade, ações e práticas para ouvir o público, em toda a estrutura organizacional.
•  Ensinar seus liderados a construir e facilitar relacionamentos.
•  Buscar o contínuo aperfeiçoamento do relacionamento harmônico com todos os públicos que interagem com a organização.

Como sou apaixonado por esse tema, para completar as colocações feitas e deixar mais clara à importância do papel das Relações Públicas, permito-me colocar uma visão em poucas palavras:

As Relações Públicas são uma função da alta administração de apoio e assessoria ao líder da organização. Elas são responsáveis pela formalização dos valores da organização e pelo planejamento estratégico da comunicação. Elas desenvolvem ações de comunicação institucional e apóiam e assessoram a comunicação promocional. Interagem com as demais áreas da organização, assessorando-as em suas estratégias e ações de relacionamentos. Seu objetivo é harmonizar o interesse do público com os da organização, buscando a criação do melhor conceito possível para a mesma, preservada a verdade dos fatos. Desta forma, as Relações Públicas colaboram para a excelência da organização, através da criação da compreensão e da boa vontade do público para com os seus atos, produtos e serviços.

(*) Profissional de Relações Públicas e Consultor de Empresas
Conrerp 2ª Região – 004

Fonte: http://www.universorp.net/page_blog.aspx?LinkID=91&Artigo=Rela%E7%F5es%20P%FAblicas%20e%20sua%20atua%E7%E3o%20estrat%E9gica&m=Artigos

Profissão do futuro no País do futuro!

Novembro 18, 2009

por Fabiola Nese

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou diante de uma platéia de potenciais investidores financeiros reunidos em uma conferência organizada pelos jornais Financial Times e Valor Econômico em Londres, que “o Brasil cansou de ser o país do futuro”.  Li essa notícia em um portal da Internet e imediatamente concordei com a afirmação de nosso presidente – que desta vez não cometeu gafes ortográficas – afinal há quantos anos somos o país do futuro? Quando chegará esse futuro?

O mesmo acontece com a profissão de Relações Públicas, com a qual estou envolvida há quase 10 anos. Lembro-me que no meu primeiro contato com essa profissão um professor da universidade fez um discurso encantador dizendo que nós éramos os “profissionais do futuro”, pois havíamos escolhido a “profissão do futuro”, que em países desenvolvidos nenhuma empresa sustentável – termo que na época ainda não estava na moda – tinha vida saudável sem uma boa rede de comunicação e sem ou um portavoz de gabarito e que o profissional de Relações Públicas é o responsável em criar essa rede e ser o orador da empresa em momentos de crise ou em anúncios de relevante importância para a organização.

Contudo, não é isso que vejo “no país do futuro”, após dez anos a cara de interrogação com que me deparo quando falo a médicos, advogados, engenheiros, ou qualquer profissional que sou Relações Publicas é “desencantador”. Pior ainda quando após alguns meses ou anos depois de ter conhecido algum desses profissionais me perguntam: Você é formada em quê? O que você faz mesmo?

Esse “desencantamento” ficou ainda mais claro quando ouvi uma entrevista do publicitário João de Simoni, em uma emissora de rádio, comentando que a política brasileira, ou a situação da política brasileira é um case prático para qualquer profissional de marketing do mundo – “o maior laboratório mundial de marketing”, afirmou o publicitário, que comentou ainda sobre a capacidade do profissional brasileiro de marketing de desenvolver ações promocionais no dia seguinte a cada umas das crises políticas que esse país já enfrentou, mas se o profissional de marketing é responsável pelo gerenciamento de crise, o que faz o profissional de Relações Publicas no “país do futuro”? Fritar coxinha?, como disse, salvo erro, o publicitário Washington Olivetto.

No Brasil o profissional de Relações Públicas é “engolido” pelo marketing – vale lembrar que a atividade de RP faz parte do conglomerado do Marketing e é mais um dos inumemos caminhos para atingir o mesmo objetivo, no entanto, em teses e entrevistas divulgadas em grandes mídias, de importantes profissionais da área de comunicação, como no caso de entrevista de De Simone, a atividade de relações publicas não é lembrada e assim fica a pergunta: até quando seremos denominados pelos acadêmicos como os “profissionais do futuro”?


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