Archive for the ‘Política Portuguesa’ category

SALAZAR

Julho 23, 2014

Por Fernando Pessoa

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
……
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Pica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu…
……
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho…
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.

Heróis de Abril

Abril 24, 2014

pro Euclides Cavaco

 Cravo

Deixem-me cantar Abril
E evocar tal heroísmo
Militar junto ao civil
Que derrubou o fascismo.
Prestar aos bravos meu preito
Dizer-lhes Valeu a pena
Os cravos e o tema eleito
Grandola Vila Morena !…

Deixem-me clamar victória
Às nossas Forças Armadas
Pelo seu triunfo e glória
Com o povo de mãos dadas.
Que a hístória jamais olvide
Os militares de excelência
Que incutiram fim à pide
E à maldita prepotência…

Deixem-me exaltar os bravos
Do nosso Portugal novo
Da Revolução dos Cravos
Que trouxe justiça ao povo.
Dando a Abril o sentido
Com coragem e vontade
De abrir com o povo unido
As portas da liberdade !…

SE EU FOSSE DEPUTADO, QUEM ME DERA

Abril 3, 2014

Por Clariesse Barata Sanches

Artigo Clarisse SanchesSe eu fosse Deputado, quem me dera

Com um governo tão desafinado…

Em que há tanto Credor à sua espera…

Mas sempre se enche o bolso ao Deputado!

Alguns só batem palmas, se eu estivera,

Dormia ali um sono descansado…

E a recordar o fado da Severa

Com um dos meus “compadres” lá ao lado.

A crise até os deixa ter preguiças…

Os subsídios dobram quais chouriças.

Ai crise, abençoada, grande Amor!

Se alguns choram com fome, tenho pena

De ver em Portugal a triste cena:

“Democracia”  chocha sem valor…

 

ASSOBIEM-LHE ÀS BOTAS

Fevereiro 25, 2014

Por Fernanda Leitão

Não sei o que me surpreende mais: se Miguel Relvas e Passos Coelho indicando a porta da emigração aos que em Portugal são lançados ao desemprego e à indignidade, se Pires de Lima e Poiares Maduro a garantirem que, depois de uma experiência laboral no estrangeiro, o emigrante regressa sem hesitações ao nosso país. A minha surpresa deriva de eu não considerar destituídos de inteligência os personagens apontados e de me repugnar a possibilidade de eles serem uns fariseus desavergonhados. Prefiro pensar que se trata de ignorância no estado puro.

O português, tão visceralmente agarrado ao seu terrunho, tem a emigração por uma fatalidade, uma infelicidade, uma afronta pessoal que não esquece nem perdoa, ressentimento que passa por inteiro aos seus descendentes. Sai por se sentir rejeitado pelos donos da Pátria. Bate com a porta engulindo lágrimas. Nunca mais se cura dessa dor. Por sobrevivência, atira-se ao trabalho que aparece no estrangeiro, seja ele qual for, e em geral é a dureza que os nacionais não querem aguentar, priva-se de muita coisa, anula-se mesmo, para garantir a independência económica com que evitará aos seus filhos as humilhações  que os donos da Pátria infligem a quem não faz parte da sua capelinha partidária ou da sua teia corrupta. Porque a desgraça de Portugal é, foi sempre, a possibilidade de ter donos do poder, graças à ausência de investimento maciço na Educação.  Fosse o povo educado, com boa bagagem técnica e cultural, todo ele, que não havia donos e a democracia seria natural. Digamos que os donos do poder, em Portugal, o são porque, cobardemente, vivem desta exploração vil. Não aguentam confrontação de igual para igual, vivem de rebaixar o povo.  Sendo as coisas o que são, e não as que imaginam os que fazem da política um modo de vida, fácil é perceber que o emigrante passa a ser um turista que vai a Portugal uma vez por ano ou de tantos em tantos anos. E isso mesmo enquanto os filhos são pequenos e obedecem aos pais, porque depois de crescidos as férias são nos cruzeiros e praias doutras paragens. Têm saudades da boa comida e do bom vinho? Nem tanto como se imagina porque o Mercado da Saudade é um facto. Onde houver comunidades portuguesas compra-se tudo o que a Pátria dá,  do azeite à couve galega, do peixe aos feijões, da cerveja Sagres ao tremoço, do queijo às carnes fumadas.  Tudo isso abunda cá por fora, incluindo as castanhas maila pera Rocha. E depois há os clubes onde os mais velhos vão beber o seu copo e conversar, que lhes são sala de festas durante o ano. Uma ida de um mês a Portugal chega-lhes para abraçar família e amigos, para observarem o que se passa e regressarem sempre  com a mesma opinião: aquilo por lá não se entende, nem se percebe como vivem, mas continuam a olhar para nós por cima do ombro.

Com este estado de espírito, compreende-se que a abstenção eleitoral na emigração atinja facilmente os 90 por cento. Sem perceber nada do que anda a fazer, quem está no poder tentou, de modo canhestro, domesticar esta rebeldia silenciosa implantando por cá delegações partidárias, um falhanço redondo que só serviu para meia dúzia abichar viagens e condecorações. As visitas de deputados e secretários de estado, em tempos de aperto financeiro ou de eleições, reduzem-se a umas cerimónias pífias no consulado seguidas de jantaradas, sempre com os mesmos clientes, perante a indiferença da comunidade. A propagandeada luta pela língua portuguesa, é tida como uma treta e uma vigarice que serve para encaixar afilhados e seus familiares desempregados em Portugal. Os consulados funcionam mal ou menos mal consoante o chefe da missão, sendo um dado adquirido que a qualidade do pessoal deiplomático tem vindo a descer de forma assustadora. Os bancos estão de arraial armado nas comunidades, todos à caça da poupança, mas nenhum deles abriu nunca a porta aos empresários locais para que se implantassem indústrias e comércios em Portugal. Tudo, na relação de Portugal com a emigração, reside no reino do faz de conta.

Leio que  Presidente da República vem a Toronto e a São Francisco da Califórnia para reuniões com empresários. Acho engraçado este acordar presidencial do mesmo personagem que, quando rebentou a fraude da Caixa Económica Faialense, em que estavam envolvidos figurões do PSD, não levantou um dedo para acudir aos milhares de defraudados, entre os quais um que se matou e outro que matou a tiro o gerente dessa unidade bancária em Toronto, tendo mesmo a então secretária de estado das Comunidades recusado receber os representantesm dos lesados, e tendo fechado os olhos ao facto do então ministro da Administração Interna, o seu amigo Dias Loureiro da roubalheira do BPN, ter mandado a polícia espancar as centenas de emigrantes que, perdidas as economias de uma vida, se manifestaram em Lisboa. O mesmo personagem que, sendo primeiro ministro e tendo vindo a Otava prestar contas ao governo canadiano que vivia tempos de ira contra armadores portugueses e espanhóis que dizimaram o bacalhau da Terra Nova, com isso levando à falência pescadores e indústrias locais, se deu ao capricho de vir a Toronto, em carro oficial de cortesia canadiana, para, empoleirado nas escadas exteriores dum clube que já fechou, empinar o queixo para dizer aos emigrantes que voltassem porque Portugal era “um caso de sucesso”. Militante da seita dos que nunca se enganam nem têm duvidas, ficou a pregar sózinho.  E agora, ei-lo de novo. Se os investidores estrangeiros e nacionais olham com grandes reticências o completo fracasso dum governo que aplica de cócoras a austeridade suicida que a Merkel exige, por alma de quem o emigrantes português terá de comprar o vigésimo premiado a quem nunca deu garantias?

Tarde piaste.  Assobiem-lhe às botas.

 

A VIOLÊNCIA DOMESTICA E O NAMORO

Fevereiro 6, 2014

Por Humberto Pinho da Silva

A violência doméstica, mormente entre conjugues, não é novidade, muito embora se dê, nos nossos dias, maior atenção.Imagem texto humberto

No entanto mostra faceta nova e preocupante, já que se encontra mais complexa.

Se outrora a desavença era fruto de palavras mal pensadas ou efeito de álcool, ou ainda pelo marido considerar que a esposa era propriedade sua, atualmente não é alheio a “droga”, e até, em casos graves, o crime organizado.

Quem o diz é a vice-presidente da Associação das Mulheres Contra a Violência, Dona Margarida Medina Martins, referindo-se ao que se passa em Portugal.

Quando se fala de violência doméstica, logo se pensa que a vítima é a mulher. Na verdade, na maioria dos casos, é; mas há violência sobre homens e idosos.

Muitos, são barbaramente espancados, em casa, e sofrem, em regra, em silêncio absoluto, por vergonha.

O facto de usufruírem menor rendimento ou dependerem financeiramente do conjugue – é mais gritante no homem, já que este sente-se complexado por ter habilitações ou salário inferior à esposa – leva-os a sofrerem, em silêncio, agressões físicas e psíquicas.

Nas últimas décadas, verifica-se tendência crescente da agressividade entre jovens.

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, refere que cerca de 20% dos jovens, de 21 anos, já agrediram a namorada; e 60% admitem terem exercido violência psicológica durante o namoro.

Ao serem interrogados, cerca de 3000 jovens, qual espécie de violência exerceu durante o namoro, 18% admitiram terem atirado objetos com intenção de magoarem.

Quem ler, assiduamente, a imprensa, facilmente constata que atos de violência e agressões, são frequentes entre jovens namorados, praticados por ambos os sexos. Embora haja preponderância dos rapazes coagirem as namoradas psicologicamente, e exercerem agressões mais ou menos violentas.

Se o namoro começa assim, não admira que as desavenças surgem logo após o casamento.

Digo casamento, pensando, também, no que antigamente se dizia: “ juntar os trapinhos”, porque grande parte dos jovens não quer compromissos sérios.

A perda de valores, ausência de educação religiosa, a influência malsã de muita mass-media, e o facto dos progenitores não cuidarem – por falta de tempo ou desinteresse, – da formação e educação dos filhos, leva que a sociedade gere jovens consumistas, que apenas buscam o lucro e o prazer, não tendo bitolas para obtê-los.

Sendo assim, não admira que as nossas cidades tornem-se mais violentas, e que a mocidade, veja no seu semelhante, não um ser humano, mas alguém que lhe pode dar lucro ou prazer.

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Clube Português de SP

Junho 4, 2013

No próximo domingo, 9 de junho de 2013, a partir das 10 horas, o Clube Português de São Paulo convida a todos para participarem do ato cívico do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, com colocação de flores junto ao Busto de Camões e o Porto de Honra oferecido pela entidade. Com realização do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo e Clube Português.

camoes

 

Prosseguindo as comemorações, em 10 de junho, segunda-feira, às 20 horas, haverá na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, à Avenida Pedro Alvares Cabral, 201, a sessão solene do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, propositura do deputado estadual, Dr. Fernando Capez.   

De 10 a 15 de junho, a exposição “Os Construtores do Brasil”, estará aberta para o público no Hall Monumental da Assembleia Legislativa.

Departamento Cultural do Clube Português de São Paulo

Centro Cultural 25 de Abril recebe Salva de Prata na Câmara Municipal de SP

Abril 29, 2013

O Centro Cultural 25 de Abril, na Zona Oeste da capital paulista, foi homenageado nesta quinta-feira em sessão solene para a entrega da Salva de Prata, iniciativa do vereador Paulo Fiorilo (PT). A instituição, fundada em 1982, tem como objetivo desenvolver o intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal.

A data desta homenagem é emblemática para o povo português. Neste mesmo dia, em 1974, ocorria a Revolução dos Cravos – movimento responsável por derrubar o regime salazarista, ditadura que comandava o país desde 1926.

Para o presidente do Centro Cultural, Ildefonso Octávio Severino Garcia, essa homenagem é importante para celebrar dois aspectos fundamentais para a sociedade. “O dia 25 de abril é uma marco para a democracia e importante para o povo, porque reestabeleceu as relações democráticas e culturais do país”, afirmou.

O cônsul de Portugal no Brasil, Paulo Lopes Lourenço, destacou a forma como a Revolução dos Cravos foi conduzida. “Foi uma revolução pacífica que colocou fim a um regime ditador. É uma forma de mostrar que é possível transformar a sociedade de maneira organizada”, disse.

O Centro Cultural 25 de Abril, analisou Fiorilo, é fundamental para a consolidação da democracia. “É importante reconhecer essa instituição que tem uma visão política em defesa da democracia. Além disso, Portugal faz parte da nossa história”, disse.

Cultura

O evento contou também com a exposição “Entre Flâmulas” e apresentações musicais. Para um dos expositores da noite, Zélio Alves Pinto, a relação Brasil-Portugal é de “feição permanente”. “Todos nós temos uma ligação com os portugueses e esses vínculos jamais podem ser esquecidos. Portugal é a nossa segunda pátria, de onde vem as nossas heranças culturais”, afirmou o pintor, que expôs a flâmula Brasil-Portugal.

Para a curadora da exposição, Rita de Cássia Alves, manter o intercâmbio da cultura entre Brasil e Portugal é importante para mantermos nossa identidade. “Nós falamos a mesma língua e fomos colonizados por esse povo, precisamos sempre estreitar as relações”, afirmou. “Além disso, relembrar a Revolução dos Cravos é importante porque é a conquista da liberdade”, acrescentou.

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Fonte: http://www.camara.sp.gov.br


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