Arquivo de Setembro 2013

Vaidade

Setembro 30, 2013

Por Euclides Cavaco

Os pecados capitais
Parecem não ter idade
Sendo um dos mais triviais
A desairosa VAIDADE.

Segundo a nossa doutrina
Entre os sete é o primeiro
Pecado que predomina
Presente no mundo inteiro.

Para além de ser pecado
A VAIDADE é coisa vã
P’la igreja condenado
Consoante a fé cristã.

Ter VAIDADE é pretender
Meras virtudes expor
Mais qu’os outros querer ser
Com alarde e com fragor.

A VAIDADE é presunção
Sempre fútil e frustrada
Autêntica aberração
De leviana fachada.

Jactante vulgaridade
De grandeza pretendida
Maldita seja a VAIDADE
E quem a tem nesta vida!…

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Escritor Baiano Eleito Membro Titular do Pen Clube do Brasil

Setembro 27, 2013

O escritor baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos foi eleito Membro Titular do Pen Clube do Brasil e sua posse ocorrerá no dia 23 de outubro, às 17 horas, no salão nobre da entidade, na Praia do Flamengo, 172, Rio de Janeiro. A Professora Emérita Doutora Olívia Barradas proferirá o discurso de recepção ao novo membro.  A indicação do poeta para integrar o Pen Clube do Brasil foi por iniciativa da escritora Helena Parente Cunha, Doutora em Letras e Professora Emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Fundado em 2 de abril de 1936, no Rio de Janeiro, por iniciativa do escritor Cláudio de Sousa, o Pen Clube  destina-se a congregar escritores do País, estimular a criação literária e a concepção universalista dos bens da cultura, da liberdade e da paz, propugnando os sentimentos que animam o P.E.N. Internacional, bem como a UNESCO, sob cujos auspícios se encontra. O Centro Brasileiro (RJ) integra o PEN Internacional, sediado em Londres, conservando-se autônomo em seus procedimentos administrativos e culturais.

 ALTO NÍVEL

 Vários membros do Pen Clube do Brasil pertencem também à Academia Brasileira de Letras. O seu presidente atual é o escritor Cláudio Aguiar. A instituição reúne um conjunto de intelectuais  do mais alto nível,  formado por escritores, poetas,  tradutores, educadores  e professores universitários, como Rubem Fonseca, Muniz Sodré, Nélida Piñon,  João Ubaldo Ribeiro, Paulo Coelho, Ana Maria Machado, Arnaldo Niskier, Carlos Heitor Cony, Carlos Nejar,  Cleonice Berardinelli, Deonísio  da Silva, Domício Proença Filho,  Edivaldo Boaventura, Eduardo Portella, Evaristo de Moraes Filho, Fábio Lucas, Fernando Gabeira,  Ivan Junqueira, Ives Gandra da Silva Martins, Ivo Barroso, Ivo Pitanguy, , Marcos Maciel, Dom Paulo Evaristo Arns, Pedro Lyra, Reynaldo Valinho Alvarez, Ricardo Cravo Albin, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, Sábato Magaldi,  Silviano  Santiago, Stella Leonardos, Salgado Maranhão, Helena Parente Cunha, Olívia Barradas  e Sílvio Back.

  PEN Clube do Brasil

Filiado ao PEN International (Londres)

Fundado em 2 de abril de 1936

Documentário sobre José Bonifácio é apresentado na Bibloteca Mario de Andrade em São Paulo

Setembro 27, 2013

Por Eulália Moreno

Os 250 anos do “Patriarca da Independência”, José Bonifácio de Andrade e Silva são comemorados no Brasil com a exibição do documentário de 52 minutos dirigido por Francisco Manso e produzido pela Rádio e Televisão de Portugal ( RTP ) com o apoio do Parque Biológico de Gaia e da Ciência Viva e a colaboração do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves. Em São Paulo e Santos as exibições gratuitas contam com o apoio e organização do Consulado Geral e Consulado Honorário de Portugal em São Paulo e Santos, respectivamente.

No dia 24, o documentário estreou no SESC da cidade de Santos e contou com a presença do director Francisco Manso e a mediação nos debates que se seguiram á exibição de José Augusto do Rosário , gestor do Consulado Honorário de Portugal em Santos. ( foto de Carlos Oliveira).

Em 25 de setembro o documentário foi exibido no SESC Pinheiros seguindo-se um ” bate papo” com o director e com o roteirista Francisco Castro Rego. Hoje, dia 26, na Universidade Mackenzie, às 14h00 e ás 19h00 na Bibliotea Mario de Andrade ocorrem as exibições sempre com entrada gratuita.

Um pouco sobre José Bonifácio

A vida de José Bonifácio de Andrada e Silva marca e documenta ela própria a história da Ciência e da Política no início do século XIX. O relato da sua trajetória de aprendizagem científica é feito pelo próprio, como Secretário Perpétuo da Academia Real das Ciências de Lisboa, numa representação ficcionada da preparação do seu discurso histórico de Junho de 1819, que antecedeu o seu regresso ao Brasil.

José Bonifácio relembra os tempos em que, voltando do Brasil, chega à Universidade de Coimbra e se matricula nos cursos de Direito, de Filosofia e de Matemática.

A pesca das baleias que observou durante a sua juventude na armação de Bertioga, perto de Santos, é o tema escolhido para um estudo de admissão à Academia de Ciências de Lisboa.

A partir de 1790, já em Paris, numa época em que fervilhavam os ideais da Revolução, José Bonifácio aprofundou os seus conhecimentos de Química e Mineralogia. A história leva os espectadores em seguida a Freiberg, cidade alemã com grande tradição mineira, onde José Bonifácio foi colega de estudos do célebre naturalista alemão Humboldt.

As imagens das ferrarias do Alge associam-se aos trabalhos de José Bonifácio após o seu regresso a Portugal, em 1802, como Intendente Geral das Minas e Metais do Reino e recordam que foram os artilheiros das ferrarias que foram por ele chamados como chefe do Corpo Acadêmico Militar para combater em Coimbra a invasão francesa de 1808.

Depois da fuga da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro o documentário continua na Academia das Ciências, já depois das invasões francesas, com José Bonifácio a desenvolver os seus trabalhos científicos. Os trabalhos sobre as dunas da costa de Lavos documentam a importância da arborização de que José Bonifácio foi pioneiro e as paisagens de Trás-os-Montes ilustram os seus estudos sobre as possibilidades de exploração de minas.

Em 1820, já no Brasil, José Bonifácio continua as suas explorações mineralógicas numa viagem de Santos a São Paulo. Como Vice-Presidente do Governo de S. Paulo, defende a civilização dos índios e a emancipação gradual dos escravos e contestava a decisão das Cortes de que as Províncias do Brasil dependessem de Lisboa e que ordenavam a D. Pedro que regressasse a Portugal.

D. Pedro, influenciado por José Bonifácio, proferiu então a célebre frase “Independência ou Morte”. A influência de opositores a José Bonifácio, em particular pela sua posição contra a escravatura, e também de Domitila, amante de D. Pedro, fez com que José Bonifácio fosse deportado para Bordéus em 1823.

A morte da Imperatriz Leopoldina, o novo casamento de D. Pedro e o afastamento de Domitila permitiram o regresso de José Bonifácio ao Brasil. D. Pedro, agradecido antes de partir para Portugal em 1831 para recuperar o trono ao seu irmão D. Miguel, nomeia José Bonifácio tutor dos seus filhos.

As imagens da ilha de Paquetá, na baía de Guanabara, onde José Bonifácio se fixou e onde passou os últimos anos de vida até à sua morte em 1838, e do Panteão dos Andradas, em Santos, fecham a narrativa da sua vida. Ficam para a história a defesa da Natureza, mas também a defesa dos índios, dos escravos, dos brasileiros e dos portugueses sendo, talvez, o primeiro estadista de dimensão universal a compreender que a defesa dos recursos naturais é a mesma defesa dos direitos do homem, e que Natureza e Humanidade são um todo único.

Bibi canta & conta

Setembro 25, 2013

Por Renato Nalini

No próximo dia 14 de outubro, celebrar-se-á o cinquentenário da morte de Edith Piaf. Ela não morreu, mas continua bem viva na voz de Bibi Ferreira. Há 30 anos a filha de Procópio canta e conta a existência daquela menina que ficou cega e recobrou a visão graças a um milagre atribuído a Teresa Martin, hoje Doutora da Igreja, Santa Terezinha do Menino Jesus. A carmelita de Lisieux.

Tive o privilégio de assistir Bibi no Teatro Frei Caneca, em sua última semana de espetáculo. Notável como a mulher de mais de 90 anos tem a voz possante, a sobressair em relação a uma potente orquestra. Sua entrada no palco já é recebida com aplausos e plateia em pé. Levanta-se por muitas outras vezes. Pois a interpretação é magnífica.

Ela canta “La Foule”, “La Ville Inconnue”, “Monsieur Saint Pierre”, além dos clássicos “Hino ao Amor” e “La Vie En Rose”. Transfigura-se, faz gestos de carinho para o público, é uma grande dama.

O sucesso é o mesmo em todo o mundo. Em Paris, Michel Rivegauche, compositor de grandes sucessos de Piaf, entregou a ela o material que guardou desde a morte da cantora, em busca de alguém que pudesse sucedê-la. Encontrou em Bibi uma outra Piaf.

Em Buenos Aires, o “La Nación” destacou: “Bibi Ferreira, lenda viva do teatro brasileiro, impressiona pelo seu vigor e sai de Buenos Aires ensinando como se canta um tango”. Em Nova Iorque, a crítica do New York Post é um testemunho que deve orgulhar os brasileiros: “Bibi Ferreira é a melhor cantora do mundo!”.

E é mesmo. Quanta esperança essa jovem de 91 anos, com 70 de carreira, traz àqueles que já nasceram velhos, desanimados, pessimistas e achando que a vida já acabou.

No dia do espetáculo que assisti, ela identificou no auditório Agnaldo Rayol e o chamou para cantar com ela. O povo vibrou. A voz de ambos é um show. O Agnaldo que gravou nossos dois hinos: o Hino a Jundiaí e o Hino à Padroeira, a pedido de sua amiga, a inesquecível Mariazinha Congilio.

Ainda brindou seu público dando uma “palhinha” do show que estreará em maio de 2014, em São Paulo: “Bibi canta Sinatra”. O fenômeno Bibi mereceu crítica de Sábato Magaldi: “Não me lembro, nos últimos 30 anos, de tantos aplausos em cena aberta, e no final uma ovação como a que recebe Bibi Ferreira, o público de pé. Testemunha-se um desses raros milagres da comunicação absoluta, em que a plateia se libera da violenta carga emocional”. Essa menina é impossível!

SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA

Setembro 24, 2013

Por Ives Gandra da Silva Martins

Na década de 90, Alvin Toffler, escreveu um livro “Guerra e Antiguerra”, no qual defendia a tese de que as guerras futuras serão ganhas, não por generais em campo de batalha, mas pelos serviços de inteligência. Quem dispuser de mais informações, prevalecerá, em eventual conflito.

Os serviços de inteligência, por muitos denominados de espionagem, buscam ter as informações necessárias para que os governos possam decidir as políticas a serem adotadas perante eventuais adversários, criminosos ou inimigos externos. Até mesmo perante nações amigas.

Tem, o governo federal, seus serviços de inteligência nas Forças Armadas, na Receita Federal, na Polícia Federal e na ABIN, que oferecem dados relevantes para determinar suas ações.

É bem verdade que o direito à privacidade é uma cláusula pétrea no Brasil (artigo 5º, incisos X, XI e XII), mas, até mesmo essa cláusula pétrea pode ser oficialmente quebrada, mediante autorização judicial. Infelizmente, não poucas vezes é quebrada pelas mais variadas ações públicas e privadas (hackers). Quando descobertas pela imprensa, tornam-se escândalo público.

De rigor, com a evolução da informática, o direito à privacidade tornou-se, melancolicamente, um segredo de Polichinelo, tendo, por exemplo, a Receita Federal mais informações sobre a vida econômica de cada contribuinte, do que o próprio contribuinte. E legalmente.

No plano internacional, podem as nações defender-se por meio de serviços de inteligência contra potenciais inimigos, aliados ocasionais ou movimentos subversivos internos ou externos com o aprimoramento de seus serviços de inteligência.

Depois do dia 11 de setembro de 2001 –quando os serviços de inteligência americanos detectaram a possibilidade de ataque, mas as autoridades não avaliaram com o devido cuidado as informações de que dispunham–, toda a estratégia dos Estados Unidos, que, a partir da guerra da Coréia em 1952, tinha sido consideravelmente valorizada e alicerçada nestes serviços secretos, foi definitivamente erigida como elemento chave na defesa da nação. Por variados motivos que não cabe aqui analisar, tornou-se a nação preferencial de ataques no próprio território ou no exterior.

É, pois, natural que cada país, nos limites de sua tecnologia, busque ter informações sobre seus vizinhos ou potências adversárias.

Os serviços de inteligência, portanto, estão na essência da segurança do Estado e sabeo não só  Presidente da República, como todos os órgãos responsáveis para garanti-la.

O encarregado da embaixada brasileira na Bolívia arriscou-se a tirar de lá o Senador exilado há um ano e meio, porque detectou os riscos concretos de sua permanência na Embaixada.

No velho testamento (livro de Josué), os hebreus derrotaram Jericó depois de enviarem dois espiões até a cidade e, tendo obtido informações de uma prostituta, trouxeram-nas para que Josué pudesse invadir a cidade, preservando, inclusive, a vida da informante.

É de se lembrar que, o combate à criminalidade, no Brasil e no mundo, faz-se a partir de serviços de inteligência.

Convite: “Quinta Poética”

Setembro 24, 2013

convite casa das rosas

CICLO DE SANGUE

Setembro 19, 2013

Por Raquel Naveira

Ciclo de sangue,
Todo mês
A lua volta
Em forma de plasma,
Suco,
Sumo;
Mar vermelho
Entre minhas pernas
De ser mamífero,
Fêmeo
E quente;
Placenta
Que se dissolve
Num fluxo de rio.

Que pode minha consciência,
Meu sonho de conviver com anjos,
Meu livre-arbítrio
Contra este ritmo bruto
Que me abate?

Que pode meu espírito
Contra a máquina indiferente
De meu corpo imperfeito
Que purga
E se mancha
De estrelas sanguíneas?
De nada adiantaria
Um banho ritual,
Um mito,
Ou a fé no pecado original,
Vivo num invólucro de carne,
Casulo natimorto.

Mesmo na velhice,
Quando os diques se fecharem,
Útero e ovário
Esturricarem como frutas
De cascas endurecidas,
Ainda assim
Terá sido a mão da natureza
Com a violência de um outono seco.

Sou Eva,
Circe,
Maria,
Entre maçãs, feitiços e serpentes
Sangro gerações.


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