João Luso

(n. Lousã, 16 de janeiro de 1874 – f. Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 1950).

Depois dos estudos secundários em Coimbra, Armando Erse de Figueiredo – que se tornaria conhecido como jornalista e escritor – emigrou aos 17 anos para São Paulo, empregando-se no comércio, até que decidiu enviar um primeiro artigo ao Diário Popular, que tinha como figura de proa o jornalista português José Maria Lisboa. O artigo saiu, Armando/João insistiu e acabou destacando-se como jornalista, atuando no jornal de estreia e em O Estado de S. Paulo, no Correio Paulistano e na Revista Literária e Paulicéia.

Publicou o seu primeiro livro em 1896 (Contos da Minha Terra) e foi também secretário da redação do Diário de Santos. Mais tarde, mudou para o Rio de Janeiro, secretariando a redação do jornal Imprensa, dirigido pelo grande tribuno Ruy Barbosa, além de colaborar no Jornal do Commercio, na Revista da Semana e no jornal A Noite, sendo considerado um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Teve igual êxito no teatro, quando escreveu a peça Nó Cego, além de ter traduzido mais de duas dezenas de textos teatrais, ao mesmo tempo em que foi publicando livros. Eleito sócio-correspondente da Academia Brasileira de Letras (a mais alta expressão literária do País), o Governo de Portugal condecorou-o com o Oficialato da Ordem de Santiago da Espada e o do Brasil atribuiu-lhe a Comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul.

Famoso, “João Luso” usou também os pseudônimos de “Clara Luzia”, “Leopoldo Maia” e outros, mas foi o primeiro que lhe deu maior glória. E não só o nome (“Luso”), mas também o sentimento mantiveram-no sempre ligado à Pátria-Mãe, conforme testemunham os inúmeros artigos que consagrou a Portugal, alguns dos quais foram reunidos no volume Assim falou Polidoro. Temos notícia de que revisitou Portugal em 1930: “Acaba de regressar à Lousã, sua terra natal, após largos anos de ausência, o sr. Armando Erse de Figueiredo, vigoroso jornalista que sob o pseudónimo de ‘João Luso’ colabora no jornal A Noite, do Rio de Janeiro, onde conquistou uma situação de destaque. /Hoje realiza-se no Grémio Recreativo de Lousã um jantar de homenagem a João Luso, ao qual assistirão muitos lousanenses e admiradores do homenageado. /O serviço é fornecido por um dos principais restaurantes de Coimbra” (in A Comarca de Arganil). Bons tempos!

Sonho ou realidade? Lembro que pode ser conto ou crônica, assinalando que no volume Textos Dispersos, publicado em 2001 na Lousã, há outros trabalhos que continuam a digressão lousanense: seguem-se à “Volta a casa”, os contos meio ficção, meio de evocação, “O Castelo e a Capela”, “Um pastor”, “Nossa Senhora da Nazaré” e “A bruxa”, indicando-se que terão sido publicados em 1909 no Rio de Janeiro. É há outros de 1932, 1935 e 1941, assim como diversos não datados, entre os quais o intitulado “Lousã no Coração (fotografias de Francisco Ferreira)”. E foram reproduzidos outros dois com o mesmo título, “Dez de Junho” (um de 1932 e o outro de 1942).

Todas estas considerações de “João Luso” devem salientar-se entre os documentos irrefutáveis que acompanham os emigrantes nos chamados “países de acolhimento”. Era assim no tempo dele – e ainda hoje é assim!

Enumeramos, por fim, alguns dos principais livros (com várias edições) de “João Luso” – o lousanense Armando Erse Figueiredo: Contos da Minha Terra (1896), Prosa (1904), Histórias da vida (1907), O Amor, a Tragédia e a Farsa (1907), Ao Sol e à Neve (1909), Elogios (1916), As entrevistas de Expedito Faro (1917), Comédia Urbana (1920), Reflexos do Rio (1923), O Despenhadeiro (1925), Os Menezes de Haddock Lobo (1925), Alegria e Ternura (1925), Contos de Natal (1930), Viajar (1932), Terras do Brasil (1932), Ares da Cidade (1935), Os animais vossos irmãos (1937), Vocês Criminosos (1938), Assim falou Polidoro (1941), Orações e Palestras (1941), Fruta do Tempo (1945), Louvores (1946), Quatro Conferências (1949). *

 * Reproduzido do volume Textos Dispersos (2001), editado na Lousã.

3 comentários em “João Luso”

  1. maria da graça Says:

    Era tio querido de minha avó materna e um homem que muito admiramos

    • Henriqueta Marinho Says:

      Era casado com a uma irmã da minha avó materna e era tratada por atia Ninita,sendo o seu nome Lydia Moreira Erse, já que o nome verdadeiro de”João Luso” era Armando Erse.

  2. Henriqueta Marinho Says:

    Corrigindo, era casado com uma irmã do meu avô e não avó, como está escrito no anterior comentário


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