Bibi canta & conta

Por Renato Nalini

No próximo dia 14 de outubro, celebrar-se-á o cinquentenário da morte de Edith Piaf. Ela não morreu, mas continua bem viva na voz de Bibi Ferreira. Há 30 anos a filha de Procópio canta e conta a existência daquela menina que ficou cega e recobrou a visão graças a um milagre atribuído a Teresa Martin, hoje Doutora da Igreja, Santa Terezinha do Menino Jesus. A carmelita de Lisieux.

Tive o privilégio de assistir Bibi no Teatro Frei Caneca, em sua última semana de espetáculo. Notável como a mulher de mais de 90 anos tem a voz possante, a sobressair em relação a uma potente orquestra. Sua entrada no palco já é recebida com aplausos e plateia em pé. Levanta-se por muitas outras vezes. Pois a interpretação é magnífica.

Ela canta “La Foule”, “La Ville Inconnue”, “Monsieur Saint Pierre”, além dos clássicos “Hino ao Amor” e “La Vie En Rose”. Transfigura-se, faz gestos de carinho para o público, é uma grande dama.

O sucesso é o mesmo em todo o mundo. Em Paris, Michel Rivegauche, compositor de grandes sucessos de Piaf, entregou a ela o material que guardou desde a morte da cantora, em busca de alguém que pudesse sucedê-la. Encontrou em Bibi uma outra Piaf.

Em Buenos Aires, o “La Nación” destacou: “Bibi Ferreira, lenda viva do teatro brasileiro, impressiona pelo seu vigor e sai de Buenos Aires ensinando como se canta um tango”. Em Nova Iorque, a crítica do New York Post é um testemunho que deve orgulhar os brasileiros: “Bibi Ferreira é a melhor cantora do mundo!”.

E é mesmo. Quanta esperança essa jovem de 91 anos, com 70 de carreira, traz àqueles que já nasceram velhos, desanimados, pessimistas e achando que a vida já acabou.

No dia do espetáculo que assisti, ela identificou no auditório Agnaldo Rayol e o chamou para cantar com ela. O povo vibrou. A voz de ambos é um show. O Agnaldo que gravou nossos dois hinos: o Hino a Jundiaí e o Hino à Padroeira, a pedido de sua amiga, a inesquecível Mariazinha Congilio.

Ainda brindou seu público dando uma “palhinha” do show que estreará em maio de 2014, em São Paulo: “Bibi canta Sinatra”. O fenômeno Bibi mereceu crítica de Sábato Magaldi: “Não me lembro, nos últimos 30 anos, de tantos aplausos em cena aberta, e no final uma ovação como a que recebe Bibi Ferreira, o público de pé. Testemunha-se um desses raros milagres da comunicação absoluta, em que a plateia se libera da violenta carga emocional”. Essa menina é impossível!

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