Documentário sobre José Bonifácio é apresentado na Bibloteca Mario de Andrade em São Paulo

Por Eulália Moreno

Os 250 anos do “Patriarca da Independência”, José Bonifácio de Andrade e Silva são comemorados no Brasil com a exibição do documentário de 52 minutos dirigido por Francisco Manso e produzido pela Rádio e Televisão de Portugal ( RTP ) com o apoio do Parque Biológico de Gaia e da Ciência Viva e a colaboração do Centro de Ecologia Aplicada Professor Baeta Neves. Em São Paulo e Santos as exibições gratuitas contam com o apoio e organização do Consulado Geral e Consulado Honorário de Portugal em São Paulo e Santos, respectivamente.

No dia 24, o documentário estreou no SESC da cidade de Santos e contou com a presença do director Francisco Manso e a mediação nos debates que se seguiram á exibição de José Augusto do Rosário , gestor do Consulado Honorário de Portugal em Santos. ( foto de Carlos Oliveira).

Em 25 de setembro o documentário foi exibido no SESC Pinheiros seguindo-se um ” bate papo” com o director e com o roteirista Francisco Castro Rego. Hoje, dia 26, na Universidade Mackenzie, às 14h00 e ás 19h00 na Bibliotea Mario de Andrade ocorrem as exibições sempre com entrada gratuita.

Um pouco sobre José Bonifácio

A vida de José Bonifácio de Andrada e Silva marca e documenta ela própria a história da Ciência e da Política no início do século XIX. O relato da sua trajetória de aprendizagem científica é feito pelo próprio, como Secretário Perpétuo da Academia Real das Ciências de Lisboa, numa representação ficcionada da preparação do seu discurso histórico de Junho de 1819, que antecedeu o seu regresso ao Brasil.

José Bonifácio relembra os tempos em que, voltando do Brasil, chega à Universidade de Coimbra e se matricula nos cursos de Direito, de Filosofia e de Matemática.

A pesca das baleias que observou durante a sua juventude na armação de Bertioga, perto de Santos, é o tema escolhido para um estudo de admissão à Academia de Ciências de Lisboa.

A partir de 1790, já em Paris, numa época em que fervilhavam os ideais da Revolução, José Bonifácio aprofundou os seus conhecimentos de Química e Mineralogia. A história leva os espectadores em seguida a Freiberg, cidade alemã com grande tradição mineira, onde José Bonifácio foi colega de estudos do célebre naturalista alemão Humboldt.

As imagens das ferrarias do Alge associam-se aos trabalhos de José Bonifácio após o seu regresso a Portugal, em 1802, como Intendente Geral das Minas e Metais do Reino e recordam que foram os artilheiros das ferrarias que foram por ele chamados como chefe do Corpo Acadêmico Militar para combater em Coimbra a invasão francesa de 1808.

Depois da fuga da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro o documentário continua na Academia das Ciências, já depois das invasões francesas, com José Bonifácio a desenvolver os seus trabalhos científicos. Os trabalhos sobre as dunas da costa de Lavos documentam a importância da arborização de que José Bonifácio foi pioneiro e as paisagens de Trás-os-Montes ilustram os seus estudos sobre as possibilidades de exploração de minas.

Em 1820, já no Brasil, José Bonifácio continua as suas explorações mineralógicas numa viagem de Santos a São Paulo. Como Vice-Presidente do Governo de S. Paulo, defende a civilização dos índios e a emancipação gradual dos escravos e contestava a decisão das Cortes de que as Províncias do Brasil dependessem de Lisboa e que ordenavam a D. Pedro que regressasse a Portugal.

D. Pedro, influenciado por José Bonifácio, proferiu então a célebre frase “Independência ou Morte”. A influência de opositores a José Bonifácio, em particular pela sua posição contra a escravatura, e também de Domitila, amante de D. Pedro, fez com que José Bonifácio fosse deportado para Bordéus em 1823.

A morte da Imperatriz Leopoldina, o novo casamento de D. Pedro e o afastamento de Domitila permitiram o regresso de José Bonifácio ao Brasil. D. Pedro, agradecido antes de partir para Portugal em 1831 para recuperar o trono ao seu irmão D. Miguel, nomeia José Bonifácio tutor dos seus filhos.

As imagens da ilha de Paquetá, na baía de Guanabara, onde José Bonifácio se fixou e onde passou os últimos anos de vida até à sua morte em 1838, e do Panteão dos Andradas, em Santos, fecham a narrativa da sua vida. Ficam para a história a defesa da Natureza, mas também a defesa dos índios, dos escravos, dos brasileiros e dos portugueses sendo, talvez, o primeiro estadista de dimensão universal a compreender que a defesa dos recursos naturais é a mesma defesa dos direitos do homem, e que Natureza e Humanidade são um todo único.

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