CONFISSÃO DE UMA MONJA

por Raquel Naveira

Eu sei, irmã,
Que meu sofrimento é pequeno
Perto do de Cristo
Que levou nos ombros
Doenças,
Humilhações,
Misérias,
Todas, todas…
Que é só uma parcela,
Um pingo,
Uma gota,
O quinhão que me cabe.

Eu sei irmã,
Que minha cruz é de bom tamanho,
Que posso carregá-la,
Que as formigas suportam muitas vezes mais
O próprio peso,
Que ela é leve
Comparada a outras cruzes,
Que devo agradecer volume
E medida razoáveis
Para uma cristã.

Eu sei irmã,
Que não se deve lamentar,
Que no caminho da mulher
Há sempre um dragão,
Uma serpente,
Uma maçã.

Eu sei irmã,
Eu sei, mas é que ardo,
Queimo,
Definho
Toda noite
Até de manhã.

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