SALAZAR

Publicado em Julho 23, 2014 por por autor
Categorias: Pessoano & Fernando Pessoa, Poemas & Poesias, Política, Política Portuguesa

Por Fernando Pessoa

António de Oliveira Salazar.
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
……
Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve
O sal,
E sob o céu
Pica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu…
……
Coitadinho
do tiraninho!
Não bebe vinho.
Nem sequer sozinho…
Bebe a verdade
E a liberdade.
E com tal agrado
Que já começam
A escassear no mercado.
Coitadinho
Do tiraninho!
O meu vizinho
Está na Guiné
E o meu padrinho
No Limoeiro
Aqui ao pé.
Mas ninguém sabe porquê.
Mas enfim é
Certo e certeiro
Que isto consola
E nos dá fé.
Que o coitadinho
Do tiraninho
Não bebe vinho,
Nem até
Café.

10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas

Publicado em Julho 10, 2014 por por autor
Categorias: Evento, Lingua Portuguesa, Poemas & Poesias

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Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_de_Portugal

TERAPIA INTENSIVA

Publicado em Julho 8, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, Poemas & Poesias

 por Dalila Teles Veras

A ceifeira ronda
à volta das máquinas
ao redor dos tubos
no ar infectado de dor
 sombra indesejável

A ciência brinca
experimenta, põe e tira
mórbido esconde-esconde
fingida presença de Deus

Um corpo respira
(a máquina opera o milagre)
um corpo não mais senhor
do gesto, do gosto, do querer
corpo, cobaia, objeto
à mercê do progresso

A ceifeira espera
e sabe da hora
A ciência não

Domitila – D. Pedro deu a Domitila o título de Marquesa de Santos

Publicado em Julho 7, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, História

Por Raquel Naveira

Partindo do Páteo do Colégio dos jesuítas, desço a antiga rua do Carmo, onde se localiza o rosado solar da Marquesa de Santos.

O piso assoalhado range um pouco sob meus pés. Em cada cômodo, pinturas, pedaços expostos da parede de taipa de pilão e pau-a-pique. Alguns canapés, o piano, a penteadeira e a pequenina cama da Marquesa, de madeira entalhada e florões, desnuda e sem dossel.

A um canto, o quadro retratando Domitila, essa personagem fascinante. O vestido é de seda cor de pérola, com uma faixa trespassada, um broche em forma de medalhão perto do decote. Os cabelos dispostos em cachos negros de cada lado do rosto um pouco duro, de olhos escuros e enviesados. Quais os segredos dessa mulher? Que mistério há nesse sorriso de lábios finos? Que gestos teriam esboçado essas mãos agora pousadas sobre o colo de marfim?

Uma mulher que viveu setenta anos. Uma trajetória de amores, viagens e peripécias. Vários ciclos numa só existência. Casou-se a primeira vez com um oficial do Corpo dos Dragões, o alferes Felício, homem violento, que a espancava. Com ele teve três filhos: Francisca, Felício e João, morto com poucos meses. A separação do casal foi trágica, depois dele a ter esfaqueado numa crise de ciúmes.

Alguns dias antes da proclamação da independência do Brasil, Domitila é apresentada a D. Pedro I. Apaixonam-se, tornam-se amantes, trocam cartas ardentes. Titila e Demonão, assim se chamavam na intimidade.

Fogoso, impulsivo, sensual, D. Pedro teve outros casos paralelos, mas Domitila foi a concubina mais importante, aquela que ele levou para uma mansão perto da Quinta da Boa Vista. Domitila torna-se dama camarista da sofrida imperatriz D. Leopoldina, que, sabendo de seu papel num casamento dinástico, jamais perdeu a compostura diante das infidelidades do marido, granjeando a admiração e o espanto do povo.

D. Pedro deu a Domitila o título de Marquesa de Santos, afrontando os irmãos Andradas, nascidos em Santos.

O imperador e a marquesa tiveram cinco filhos: um menino natimorto, Isabel Maria, Pedro, Maria Isabel e Maria Isabel II. Sobreviveram Isabel Maria e Maria Isabel II.

Intrigas, perseguições, demissões, prestígio abalado, tráfico de influências. O clima era negro, após a morte de D. Leopoldina. D. Pedro contrata segundas núpcias com a princesa Amélia, noiva de sangue nobre. Domitila é banida da Corte, voltando para São Paulo.

Nessa fase, conhece o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar. Casa-se com ele e tem seis filhos: Rafael Tobias, João Tobias, Antônio Francisco, Brasílico, Gertrudes e Heitor. Torna-se o centro da sociedade paulistana. O Palacete do Carmo é palco de bailes de máscaras, saraus literários, reuniões sobre ensino, artes e política.

Com a maturidade, Domitila revela-se uma dama devota, caridosa, protegendo os miseráveis, famintos e doentes.

De repente, eu a vi, velha, sentada no soalho de tábua, rindo, enquanto preparava escondido um cigarro de palha. Foi só uma imagem, uma presença, logo fixei novamente o olhar enviesado do retrato.

O que admiro nessa mulher? A resiliência, essa capacidade de lidar com problemas, de superar obstáculos, de resistir às pressões, sem entrar em surto, sempre com esse olhar duro que a todos encara. Maravilhosa a sua vontade de vencer, de jogar, de acreditar que tudo podia mudar para melhor, de investir na esperança, de alcançar e seduzir pessoas. Domitila procurou sempre soluções.

Lembrei  de uma canção de Edith Piaf, “Non, je ne regrette rien”, que diz assim: “Não, não lamento nada, nem o bem que me fizeram, nem o mal, tudo para mim é igual.// Não, nada de nada, não lamento nada, porque minha vida, minhas alegrias, hoje tudo isso começa com você.”

Domitila me olha do retrato com ar desafiante. Como ela, não sinto mais receio, nem medo do fracasso. Há beleza em recomeçar do zero.

Aniversário de 94 anos do Clube Português

Publicado em Julho 7, 2014 por por autor
Categorias: Evento

convite Clube Portugues

MONTE GORDO

Publicado em Julho 1, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, Poemas & Poesias

por Euclides Cavaco

Monte Gordo é açucena
Juntinho a Vila Real
Tem a praia mais amena
Das praias de Portugal.

Banhada p’lo mar azul
De areias brancas e finas
É a praia mais a Sul
No País das Cinco Quinas.

É destino gigantesco
Na época balnear
Tem carisma pitoresco
E o mais tranquilo mar.

A praia dos pescadores
É verdadeira aguarela
Motivou muitos pintores
Celebrizá-la na tela.

Todo um mosaico envolvente
Satisfaz nossos anseios
De dia a praia atraente
À noite os belos passeios.

Minha praia favorita
Que com saudade recordo
Por ser serena e bonita
A praia de Monte Gordo.

AS MENTIRAS “VERDADEIRAS”

Publicado em Junho 30, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, Economia, Política

Por  Ives Gandra da Silva Martins
 
“Comparado ao carniceiro profissional
do Caribe, os militares brasileiros parecem
escoteiros destreinados apartando um conflito
de subúrbio” in “O homem mais lúcido do Brasil –
as melhores frases de Roberto Campos”, p. 53,
organização Aristóteles Drummond, Ed.
Resistência Cultural, 2014.

Na memória dos 50 anos do Movimento de 1964, que derrubou o Governo Jango, tem sido ele criticado por aqueles que fizeram guerrilha, muitos deles treinados na sangrenta ditadura de Cuba e que objetivavam implantar um regime semelhante no Brasil, ao mesmo tempo em que se vangloriam, como sendo os únicos e verdadeiros democratas nacionais.

Assim é que a própria Comissão da Verdade negou-se a examinar os crimes praticados por aqueles que pegaram armas – muitos deles terroristas, autores de atentados a shoppings e de homicídio de inocentes cidadãos -, procurando centrar-se exclusivamente nos praticados pelo Governo Militar, principalmente nas prisões onde houve tortura.

Com a autoridade de quem teve um pedido de confisco de seus bens e abertura de um inquérito policial militar, nos termos do Ato Institucional nº 5 em 13/02/1969, pertenceu, à época, à Anistia Internacional, combatendo a tortura perpetrada pelo governo, foi conselheiro da OAB-SP, opondo-se ao regime, e presidiu o Instituto dos Advogados de São Paulo na redemocratização,  quero enumerar algumas “mentiras verdadeiras” dos adeptos de Fidel Castro, recém convertidos à democracia.

A primeira mentira é de que foram os militares que quiseram a derrubada do governo. Na verdade foi o povo que saiu às ruas, com o apoio da esmagadora maioria dos jornais, como se pode ver pelas fotografias do dia 19 de março de 1964, na Praça da Sé, diante das sinalizações do governo de que pretendia instalar o comunismo no Brasil. Depois do fatídico 13 de março, em que Jango incitou os sargentos a rebelarem-se contra a hierarquia militar, nomeando, inclusive, um oficial general de 3 estrelas para comandar uma das armas, os militares apenas atenderam ao clamor popular para derrubá-lo.

A segunda mentira é que a repressão militar levou à morte de milhares de opositores. Entre combatentes da guerrilha, mortes nas prisões ou desaparecimentos, foram 429 os opositores que perderam a vida, conforme Fernão Lara Mesquita mostrou em recente artigo publicado no O Estado de S. Paulo. Por outro lado, entre inocentes mortos por atos terroristas em atentados ou soldados em combate, os guerrilheiros mataram 119 pessoas.

Comparado com os “paredons”, de Fidel Castro, que, sem julgamento, fuzilou milhares de cubanos, os militares foram, no máximo, aprendizes desajeitados.

A terceira mentira é de que o movimento militar prejudicou idealistas, que apenas queriam o bem do Brasil. Em Comissão pelos próprios opositores do Governo organizada foram indenizadas 40.300 pessoas com a fantástica importância de 3 bilhões e quatrocentos milhões de reais.

Eu poderia ter requerido indenização, pois o pedido do confisco de meus bens e abertura de um IPM contra mim prejudicaram, por anos, minha carreira profissional. Mas não o fiz, pois minha oposição, à época, ao regime,  não era para fazer, mais tarde, um bom negócio, com ressarcimentos milionários.

A quarta mentira é que os democratas recém convertidos queriam uma plena democracia para o Brasil. A atitude de “admiração cívica” da presidente Dilma, ao visitar o mais sangrento ditador das Américas, Fidel Castro, em fotografia estampada em todos os jornais, assim como o inequívoco apoio ao aprendiz de ditador, que é Maduro, além de aceitar o neoescravagismo  cubano, recebendo médicos da ilha – tratados, no Brasil, como prisioneiros do regime, sobre ganharem muito menos que seus colegas que integram o  “Mais Médicos” – parecem sinalizar exatamente o contrário. Apesar de viverem sob as regras da democracia brasileira, há algo de um saudosismo guerrilheiro e uma nostalgia que revela a atração inequívoca por regimes que ferem os ideais democráticos.

E, para não alongar-me mais neste artigo, a quinta mentira é de que o Brasil regrediu naquele período. Nada é menos verdadeiro. Durante o regime militar, os ministros da área econômica eram muito mais competentes que os atuais, tendo inserido o Brasil no caminho das grandes potências. Tanto que, ao final, o Brasil posicionara-se entre as 10 maiores economias do mundo. Hoje, com o crescimento da inflação, a redução do PIB, o estouro das contas públicas, o desaparecimento do superávit primário do início do século, os déficits do balanço de pagamentos e a destruição dos superávits da balança comercial, além do aparelhamento da máquina pública por não concursados – amigos do rei -, o Brasil vai perdendo o que conquistara com o  brilhante plano real do Presidente Fernando Henrique.

O Ministro Torquato Jardim, em palestra em Seminário na OAB-SP, que coordenei, sobre Reforma Política (02/04/2014) ofereceu dados alarmantes. O Presidente Obama, em uma economia quase oito vezes maior que a do Brasil, tem apenas 200 cargos comissionados. A Presidente Dilma tem 22.000!!!

Tais breves anotações – mas já longas, para um artigo-, objetivam mostrar que, em matéria de propaganda, Goebbels, titular de comunicação de Hittler, tinha razão. Uma mentira dita com o tom de verdade, pela força da propaganda que o poder oferece, passa a ser uma “verdade incontestável”.

Espero que os historiadores futuros contem a realidade do período, a qual não pode ser contada fielmente por “não historiadores”, que se intitulam mentores da “verdade”, ou por Comissões com este estranho nome criadas.


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