A esta terra que sofre

Publicado em Abril 17, 2014 por por autor
Categorias: Livros & Autores, Poemas & Poesias

por  António Quadros

A esta terra que sofre,
Diminuída, mutilada,
À procura de si própria,
Perdida, abandonada.

Mas ouvi, ó portugueses,
Corruptos ou estrangeiros,
Tontos, traidores, burocratas,
Ingénuos, fanatizados,

E vós também, os fiéis
Da verdade da raiz,
Ouvi o que diz o povo,
Ouvi a voz do país.

Portugal somos ainda,
Porque a semente que outrora
Germinou em terra ingrata,
Há-de reviver agora!

Em cada volta do tempo,
De novo começa o mundo.
Juventude, redescobre
O Portugal mais profundo!

(….)

Transviados, cabisbaixos,
Levantai o vosso olhar!
Pátria antiga, que sofreste
Há mais mar, p’ra além do mar!

(…)

Ó Portugal Ser Profundo, ed. Espiral (1980)

Maquiavelices de Patrícia Galvão

Publicado em Abril 15, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, Livros & Autores

por Nilto Maciel

Convidei Patrícia Galvão a ler comigo dois impressos recentemente chegados à minha mesa. Não direi aos leitores tratar-se da célebre Pagu. Seria mentir descaradamente. A de meu convívio nasceu em 1996 e mora em Fortaleza. Não sou dado a regressos no tempo nem pratico o espiritismo. Além disso, tenho verdadeiro pavor de me encontrar com personagens como Calígula, Lucrécia Bórgia ou Adolf Hitler. Os opúsculos aos quais me refiro sãoA menina da chuva (Fortaleza: Premius, 2013), do cearense Bruno Paulino, e Entre-textos (Porto Alegre: Vidráguas, 2013), do carioca Luiz Otávio Oliani.

Faz pouco tempo, comentei o primeiro livro de Bruno Paulino. Gostei aqui, desgostei ali; entusiasmei-me com isso, enfezei-me com aquilo. É sempre assim, se não estamos diante de Fernando Pessoa, Kafka ou Machado de Assis. Patrícia não é de só ouvir, caladinha, feito aluna bem comportada: “E agora, com ‘a menina da chuva’, qual a sua visão do escritor?” Tentei brincar, mas logo desisti: “Vejo, longe, garotinha toda ensopada, a chorar, encolhidinha. E o malvado cronista a rir de sua invenção macabra”. Ela não sorriu e deve ter me chamado de idiota.

Voltei à seriedade de sempre: Embora não veja diferenças essenciais entre crônica e conto, percebi em A menina da chuvavontade em Bruno de se aproximar de certo modelo de relato curto: introspectivo, sem deixar de se referir a fatos, ações, movimentos dos seres, como se vê na primeira estória. Vejamos este trecho: ‘Sentado na cadeira de balanço, no alpendre da casa-grande, o velho observa o sol despertando na campina, depois de uma longa noite de chuva’. Ainda há resquícios de crônica: a descrição e a narração do visto e ouvido. Nesse aspecto, ainda se pode ver, com certa clareza, a diferença entre os dois gêneros. Como neste segmento: ‘Vi uma senhora de cabelos brancos num supermercado outro dia fazendo compras (ela comprava xampu). No meio de jovens, crianças e velhos que também estavam no recinto fazendo compras’. Neste, o demiurgo revela o próprio ato de olhar ou de ver, característico da crônica. Se fosse ficção, o revelador do enredo simplesmente teria escrito: ‘Uma senhora de cabelos brancos fazia compras num supermercado’.

A estudante se mostrou exigente: “O conto é mais enxuto ou sintético, sendo a crônica menos acanhada? Não há incongruência nisso? Pois a crônica quase nunca se estende como a narrativa ficcional em seus vários formatos, à exceção dos mais minúsculos”. Rendi-me aos seus argumentos: “Então sejamos menos polêmicos: a segunda obra de Bruno está entre a crônica e o conto”. Patrícia me espicaçou, outra vez: “Ele tende a evoluir da mera dissertação de caráter pessoal até alcançar a fórmula da trama?” Tentei ser menos obscuro: “Não posso fazer referência a evolução; talvez deva pensar apenas em passagem, no sentido de movimento, dar outros passos, saltar o córrego, o riacho, decidir-se pela visão próxima da opinião. Ou deixar a opinião de lado e se dedicar a narrar e descrever. Ou preferir contar a reproduzir as formas dos corpos, as silhuetas, as tintas. Ou expor os traços físicos ou mentais dentro da exposição objetiva ou subjetiva dos fatos, movimentos, ações: ‘Contemplou o céu azul e viu pássaros em voo lento, quase preguiçoso’. Patrícia pareceu ter gostado da citação: “De quem é isto?” Fui inconvincente: “Não sei, quiçá de algum versejador esquecido”.

Larguei o livrinho de capa azul de Bruno e agarrei o Entre-textos. E não perdi tempo com lengalenga: “Oliani é poeta de pura linhagem, se ainda se pode falar em pureza, depois da devastação causada por esta palavra no discurso humano. Sua linguagem nos remonta aos artífices da palavra. E ele sabe bem disso: ‘Toda linguagem / é selva / a ser devastada // toda linguagem / é terra / a ser adubada // toda linguagem é pedra/ a ser limada’. A jovem, de novo, mostrou personalidade: “Ele usa alguns vocábulos evitáveis, sobretudo nestes tempos de preservação da natureza (‘selva a ser devastada’). Quem sabe ficasse melhor: ‘selva a ser visitada’.

Não lhe dei ouvidos: “Visível, do mesmo modo, é sua leitura da poesia contemporânea brasileira, não exatamente os medalhões (existem medalhões na poesia brasileira de hoje?). Você conhece alguns?” Ela se mostrou sincera: “Não muito notáveis assim. Poderia chamar de bardos renomados ou de fino lavor, como se dizia antigamente”. Brinquei: “E quem é você para se lembrar de antigamente?” Ela entendeu a brincadeira e eu me senti disposto a me estender no assunto: “Alguns deles são muito conhecidos no nosso meio e chegam a ser quase celebridades: Antonio Carlos Secchin, Astrid Cabral, Ferreira Gullar, Olga Savary, Pedro Lyra, Raquel Naveira, Tanussi Cardoso, se quisermos citar somente sete nomes”. Ela quis outras informações: “Trata-se de antologia pessoal de Oliani? Ou de seleta de cantos de diversos literatos brasileiros de hoje?” Não expliquei: “Deixemos isso por conta e risco dos comentaristas menos apressados. Isto aqui não vai além de menção à publicação, simples registro”. Ela não se rendeu ao meu raciocínio: “O que é este livro então?” Precisei pensar em objetividade: “Como explica Pedro Lyra, o menestrel Oliani simplesmente procurou composições de outros autores e realizou associação de ideias com as de sua lavra”.

Dirigi-me até a porta da sala, a fim de me orientar melhor. E ouvi certo sussurro maquiavélico: “Oliani é bom poeta?” Não titubeei: “Ora se é. Nem precisa perguntar”. Ela me incomodou novamente: “E os outros?” Voltei ao assento, disposto a ser bravo até o fim: “São igualmente vates inspirados ou talentosos. Pelo menos, os poemas reunidos no volume são merecedores de adjetivos pomposos. Antológico é um deles, embora muito desgastado. Tudo virou antológico”.

 

XLVI

Publicado em Abril 14, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, Poemas & Poesias

Por Lúcia Helena Alves de Sá

Chega de trepadeiras
e sonetos
à cama
fartei-me de risos

teu sentido quero
ao rio
não quero mais
teus gozos de delícia

quero à margem quiçá
da vida digas
o que é a norma do dia
e a paixão da noite

Hoje lembrei do amor
Eu leve de azul
À espera por teu pelo
e tu em seu habitual teatro

em cena galante
meus olhos a fitar
mas a que tempo
segura meu destino?

Por onde caminha meu zênite?
Ao silêncio
o que dorme em mim
tuas mãos

em meu mel
teu viço
todas as coisas tu
amor meu ordena

consagrei-me primavera
mas… o que é o teu canto
senão razão da
insônia ao sangue?

Sobre os 100 Anos da Saraiva

Publicado em Abril 11, 2014 por por autor
Categorias: Evento, Lingua Portuguesa, Literatura, Livros & Autores

por Cyro de Mattos

Este ano, no dia 13 de dezembro, o Grupo Saraiva completará 100 anos. Em comemoração, está  elaborando algumas ações que serão realizadas ao longo do ano. Uma delas é a criação de um hotsite para divulgação dessas ações. E, nele, irá  também publicar depoimentos de pessoas que fizeram parte dessa história. Maria Regina de  Mello, do departamento de Marketing, solicitou-me um depoimento, contando brevemente um pouco de minha  história como autor publicado pela Saraiva e o que representa fazer parte desse centenário.

Leia, a seguir, meu breve depoimento. Fico grato.

“Publicar um livro por uma editora tradicional e expressiva como a  Saraiva  torna-se um prêmio dos mais importantes para o autor de livros infantis. Quando o autor está em começo de carreira, esse prêmio é ainda mais fascinante. Foi o que aconteceu comigo. O fato ressoou dentro de mim como algo que de repente se transformou de sonho em realidade, envolvendo-me com suas ondas cheias de alegria.

Tudo começou quando enviei  para o conselho editorial da Saraiva  os originais de O Menino Camelô  em 1991. Tive a grande satisfação de saber que meu livro havia sido aprovado para participar na Coleção Mindinho e Seu Vizinho, a qual estava sendo criada à época  pela doutora Samira Youssef.. Ano depois, tive uma surpresa agradável.  O livro ganhou o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes, considerado como o melhor do ano nas letras infantis brasileiras.

  De lá para cá, O Menino Camelô  já alcançou mais de  doze edições. Vendeu mais de 120 mil exemplares. Circulou nas livrarias e na sala de aula de escolas brasileiras. Foi adquirido por programas de órgãos de educação e cultura do governo brasileiro.. Foi assim o livro que me lançou como escritor nacional e me incentivou a continuar na jornada literária.

Já publiquei cinqüenta livros,  quarenta e dois no Brasil e oito na Europa. Desse conjunto quatorze  são para crianças. Além de O Menino Camelô, de poesia, publiquei mais quatro livros infantis  pela Saraiva, todos eles com reedições:  O Circo do CacarecoHistórias do Mundo que Se Foi, O Goleiro Leleta e Outras Fascinantes Histórias de Futebol, O Menino  e O Trio Elétrico,  que foi também publicado na Itália. Vários poemas meus foram extraídos desses cinco livros e estão inclusos em antologias e livros de didática infantil.

Um autor é mais conhecido quando mais divulgado por editora séria no circuito nacional. É o que sempre acontece comigo quando o selo editorial no meu  livro é da Saraiva.

Felicito o grupo Saraiva pelos 100 anos de existência, de intensa divulgação e celebração do livro, numa amostra exemplar  de que o mesmo continua vivo, embora sofra a mudança de suporte hoje. A contribuição exemplar do Grupo Saraiva em prol da nossa cultura ressalta que o Brasil é possível,  com pessoas e livros, como já dizia Lobato”..

 

Apresentação da NOVA ÁGUIA 13

Publicado em Abril 11, 2014 por por autor
Categorias: Evento, Livros & Autores

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Apresentação da NOVA ÁGUIA 13

O evento contará com intervenções de Loryel Rocha, Manuel Gandra e Renato Epifânio

 

Serviço:

Data: 13/04/2014

Horário: 16horas

Local: Sede do Círculo António Telmo

Endereço: Casa do Bispo - Rua Antero de Quental, 15 – Sesimbra – Portugal

Olhos do Coração

Publicado em Abril 8, 2014 por por autor
Categorias: Crônica, Poemas & Poesias

por Euclides Cavaco

Em cada dia que passa
Ficas mais cheia de graça
Com teu distinto fulgor
Na minha vida presente
Vejo-te sempre atraente
Aos meus olhos do amor.

E o tempo qual quimera
Mavioso te fizera
Mais sábia e mais senhora
Mostrando sempre indulgência
Muito agrado e deferência
Da mesma forma que outrora.

Caminhei sempre a teu lado
No rumo por nós sonhado
E por nós dois escolhido…
Sem ter de voltar atrás
Sou feliz porque me apraz
O caminho percorrido.

Os anos foram passando
Eu por ti fui conservando
Este amor feito paixão
Que mantém sempre virtude
Com a mesma juventude
Aos olhos do coração !…

Quid est verita? Qui est veritas? Quo is vire?

Publicado em Abril 7, 2014 por por autor
Categorias: Economia, Política, Política Brasileira

por Saulo Krichanã Rodrigues

Qual é a verdade? Com quem está a verdade? Aonde se quer chegar?

Por que na política o que envolve a verdade parece estar sempre coberto por um manto que parece tão difícil de desvendar?

Há quem diga que, na origem, estas duas coisas são impossíveis de coexistir (a verdade e a política). Ou que uma expulsa a outra. Ou que esta prescinde daquela.

Qual a verdade por trás do caso Petrobrás?

Começando pelo fim, o Conselho da empresa tomou uma decisão equivocada que causou (mais um) prejuízo aos acionistas, já ressabiados por serem bombardeados que a empresa pratica preços no mercado interno, mais baixos do que os preços praticados pelas empresas concorrentes no exterior? Transferindo a renda dos acionistas para a renda dos que não pagam o impacto do reajuste da cadeia de preços do petróleo, sobre a formação dos preços dos outros produtos, no mercado interno?

Necropisciando (sic) a informação: o Conselho de uma empresa é formado por um conjunto de especialistas e não apenas pelo seu presidente (ou presidenta).

Entre eles, está, há mais de treze anos, um dos maiores empresários brasileiros, volta e meio saudado como futuro ministro ou como preclaro tutor das boas práticas de governança. Nas suas empresas e nos conselhos das outras empresas das quais participa.

Entre outros especialistas, um ex-banqueiro saudado por sua visão extra banco, da sociedade; o que também vez ou outra o colocava como sonho de consumo para participar da equipe de governo de políticos com plumas ou com macacão de operário.

O advogado do pivô do imbróglio sustenta (agora) que todos os conselheiros receberam informações suficientes para tomar a decisão correta: o que é negado pelos conselheiros citados, além da própria presidência do conselho.

Como o que parece menos importante é a decisão em si (comprar ou não e a que preço justo ou não), os conselheiros também não informaram até agora, afinal, se tomaram a melhor decisão para a empresa: e, para isto, existem as atas dos conselhos a resguardar a opinião dos que votaram a favor ou contra qualquer decisão segundo a necessária justificativa. Principalmente se votaram contra a decisão ou o consenso majoritário.

Se assim é, porque só imolar a presidência do conselho se não houve desempate e todos os votos foram e são iguais perante a lei das sociedades anônimas, vazado no regimento interno da empresa?

Talvez porque os demais conselheiros não sejam nem candidatos e nem mais destilem simpatia pelos princípios que lhes levaram a partilhar de suas augustas experiências para a boa gestão da empresa para a qual até então não se negaram a dar o melhor das suas sugestões e experiências?

Precisavam comprar? E àquele preço?

Tinham a visão de todos os aspectos inerentes a uma decisão de tal monta? Tomariam decisões similares a esta da mesma forma e com o mesmo conteúdo de informações em suas empresas; ou nas demais empresas onde emprestam o rigor de sua credibilidade?

Estseparare quaeestprincipalisin accessionem?

Ou seja, está se separando, nas análises sentenciais que estão sendo feitas, o que é principal do que é acessório?

De repente a Petrobrás parece ser bem mais “nossa” do que foi para Monteiro Lobato, e outros tantos nacionalistas que lutaram por sua criação há mais de 60 anos, para (então) monopolizar a exploração do ouro negro que faria o país, enfim, trocar o arcaísmo do campo pela modernidade das cidades.

Por tudo (o pouco) que se sabe ao certo, é que tal compra parece ser, além de desnecessária, ruinosa para o patrimônio da empresa e dos seus acionistas.

Que é preciso se apurar, sem dúvida, no interesse de acionistas e da empresa, é mais do que evidente.

Mas porque os demais membros do conselho não são chamados a antecipar e explicar para a opinião publica as razões de suas decisões?

Como se nada tivessem a ver com isso.

Tal como se fossem membros de outro conselho de um mega grupo privado também muito glamourizado pela mídia, composto até por ex-ministros, que pendurou bilhões em prejuízo e para acionistas que compraram ações com expectativas de altos ganhos.

Na Bolsa, pela legislação vigente, todas as empresas são púbicas. E para as regras de governança, tanto faz para seus acionistas que sejam empresas públicas ou privadas (de capital nacional ou estrangeiro): importa isso sim, a transparência, a conduta responsável dos conselheiros e da diretoria executiva e não se a empresa tem ou não participação do tesouro público ou da poupança privada.

Por que a imprensa (que tem o poder de irradiar a luz do sol (a informação) sobre a verdade) não repercute a opinião dos outros conselheiros?

Afinal, omnesparesante legem (todos são iguais perante a Lei).

Pior do que os inimigos em alguns casos, entretanto, são os que se dizem amigos.

Como que a passar recibo como seguro contra eventuais surpresas tenebrosas, o campo político envolvido nessa discussão cogita misturar o assunto Petrobrás com outros assuntos, que a rigor nada tem a ver com ele.

Como que a reagir com chumbo trocado: mas, se está tudo bem, por que reagir como se estivesse tudo mal?

E a abrir CPI para o que deveria ser investigado pelos órgãos de regulação do mercado, como a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, e o Ministério Público, assim como pelos órgãos de controle interno e externo da própria empresa.

Para quem assiste o drama, acionista ou não da Petrobrás, ai sim é que não passa a entender de nada do que está sendo afinal discutido agora ou no furo do pretérito.

Ainda mais quando se descobre que alguns dirigentes da empresa estão sendo processados em outras tenebrosas transações, pouco republicanas, mas igualmente emocionantes e nebulosas.

Visto assim do alto, omneverum est(ou, tudo é verdade, afinal).

Ou quaevidetur esse verum, (tudo parece ser verdade).

Assim, se é de fato esta a conclusão mais provável, por que afinal se está citando tanta coisa em latim?

Porque só nos cabe rezar na língua mãe do Vaticano, esconjurando o demo, se afinal todas as coisas e personagens estiverem saindo da mais profunda e verdadeira realidade factual…

Onde tudo é possível, o Inacreditável de Almeida sempre terá a penúltima palavra.

De fato, só rezando mesmo: e em latim dos bravos!


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