Profissão do futuro no País do futuro!

por Fabiola Nese

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou diante de uma platéia de potenciais investidores financeiros reunidos em uma conferência organizada pelos jornais Financial Times e Valor Econômico em Londres, que “o Brasil cansou de ser o país do futuro”.  Li essa notícia em um portal da Internet e imediatamente concordei com a afirmação de nosso presidente – que desta vez não cometeu gafes ortográficas – afinal há quantos anos somos o país do futuro? Quando chegará esse futuro?

O mesmo acontece com a profissão de Relações Públicas, com a qual estou envolvida há quase 10 anos. Lembro-me que no meu primeiro contato com essa profissão um professor da universidade fez um discurso encantador dizendo que nós éramos os “profissionais do futuro”, pois havíamos escolhido a “profissão do futuro”, que em países desenvolvidos nenhuma empresa sustentável – termo que na época ainda não estava na moda – tinha vida saudável sem uma boa rede de comunicação e sem ou um portavoz de gabarito e que o profissional de Relações Públicas é o responsável em criar essa rede e ser o orador da empresa em momentos de crise ou em anúncios de relevante importância para a organização.

Contudo, não é isso que vejo “no país do futuro”, após dez anos a cara de interrogação com que me deparo quando falo a médicos, advogados, engenheiros, ou qualquer profissional que sou Relações Publicas é “desencantador”. Pior ainda quando após alguns meses ou anos depois de ter conhecido algum desses profissionais me perguntam: Você é formada em quê? O que você faz mesmo?

Esse “desencantamento” ficou ainda mais claro quando ouvi uma entrevista do publicitário João de Simoni, em uma emissora de rádio, comentando que a política brasileira, ou a situação da política brasileira é um case prático para qualquer profissional de marketing do mundo – “o maior laboratório mundial de marketing”, afirmou o publicitário, que comentou ainda sobre a capacidade do profissional brasileiro de marketing de desenvolver ações promocionais no dia seguinte a cada umas das crises políticas que esse país já enfrentou, mas se o profissional de marketing é responsável pelo gerenciamento de crise, o que faz o profissional de Relações Publicas no “país do futuro”? Fritar coxinha?, como disse, salvo erro, o publicitário Washington Olivetto.

No Brasil o profissional de Relações Públicas é “engolido” pelo marketing – vale lembrar que a atividade de RP faz parte do conglomerado do Marketing e é mais um dos inumemos caminhos para atingir o mesmo objetivo, no entanto, em teses e entrevistas divulgadas em grandes mídias, de importantes profissionais da área de comunicação, como no caso de entrevista de De Simone, a atividade de relações publicas não é lembrada e assim fica a pergunta: até quando seremos denominados pelos acadêmicos como os “profissionais do futuro”?

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5 comentários em “Profissão do futuro no País do futuro!”

  1. Vera Says:


    Parabéns vc escreve mto bem. E tudo isto que vc escreveu é verdade.
    Bjs

  2. Natasha Says:

    Fabi,

    Parabéns pelo artigo, concordo com seu posicionamento.

    Orgulho de você.

    Bjs,

  3. Péricles Says:

    Parabéns pelo artigo!!!
    Realmente, muito bem elaborado, o qual, de forma inteligente, faz uma comparação entre algumas Profissões, notadamente o da Autora do presente, com nosso País, que, não obstante as recentes conquistas de cunho também político, de vulto internacional, entre elas: Pré-sal, Direito a sediar a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, ainda continua a ser visto como um “Pais do Futuro”.
    Vamos torcer para que, da mesma forma que nosso País venha a ser, num futuro próximo, visto como um “País do Presente”, tais Profissões, de sublime importância, sobretudo num País de nítido destaque internacional, tenham seu devido reconhecimento.

  4. Luana Says:

    Parabens pepelo seu artigo, mas devo discordar de voce.
    Ser RP nao é apenas limitar-se a cuidar da imagem empresarial, ou como muitos acham, organizar “festinhas”.
    Devemos acreditar no que fazemos. As empresas hj buscam profissionais generalistas, e é isso mesmo que a profissao de Rp, nos proporciona, uma ampla visao do que cada área faz, podendo atuar nesses setorres, no começo é dificil, confesso, mas como os paíse vistos como o “país do futuro” tem possibilidade de crescer e ser reconhecido, a profissao de Rp, nao só tem, como já cresceu.

    • João Alves das Neves Says:

      Luana. Obrigada por sua visita e comentário.
      Concordo com você quando diz que o RP é um profissional generalista e que as empresas hoje buscam profissionais com esse perfil. Por isso acredito que o crescimento e o reconhecimento do profissional de RP no Brasil ainda é pífios, dentre tantas alternativas que podemos oferecer ao mercado.
      No entanto cabe a nos, profissionais de RP, mudar esse cenário e buscar o nosso espaço.
      Abraços.
      Fabiola


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