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O inesperado fim do ano de 2009, que vivi no Hospital de São Joaquim, em São Paulo

Março 1, 2010

Por João Alves das Neves

1- Talvez vez seja oportuno lembrar que, após um ataque de tosse, pode vir outro –  e foi o que me aconteceu. Depois do primeiro, vieram muitos, embora ao chegar ao pronto-socorro do grande hospital da Beneficência Portuguesa esperasse achar depressa  a mezinha salvadora e voltar para casa, antes que os meus filhos e netos fossem cumprir os programas que haviam feito para a noite de 31 de Dezembro. Mas não foi assim e eu e a minha Mulher ficámos num apartamento hospitalar confortável e em segurança.

Afinal, a broncopneumonia foi eficazmente combatida, mas não sem afetar outros órgãos,  entre os quais o coração, a garganta e sei lá mais o quê e somente após 36 dias pude regressar a casa – espero que por bastante tempo! Sentia-me protegido, no hospital São Joaquim (a Beneficência Portuguesa de São Paulo inaugurou há meses as  novas instalações do São José (que fica do outro lado da rua), moderníssimo (aliás, ambos estão super-equipadíssimos, dispondo de mais de 60 salas de cirurgia e de quase 2.000 leitos),  contando  com a assistência de cerca de 1.500 médicos e vários  milhares de enfermeiro(a)s – no total, são perto de 5.000 os funcionários: admito que o conjunto hospitalar luso-paulista é não só o maior do Brasil mas também do vasto  Mundo Português.

Aqueles que ainda não puderam avaliar o esforço da emigração portuguesa têm na Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência Portuguesa de Beneficência de São Paulo, fundada em 2 de Outubro de 1859, o exemplo da fé inquebrantável da Diáspora Lusíada, cujos representantes dispersos pelos 5 Continentes dignificam a Pátria distante e os países onde se radicam. Os emigrantes portugueses valem pelo que constroem!

2- Sim, quando temos dores, as noites custam a passar. E sem dores também custam: o silêncio não é apenas de ouro. A semi-sonolência levou-me com freqüência à  aldéia natal e a toda a Beira-Serra, aos familiares e amigos, a Lisboa e a São Paulo (onde, afinal, eu me encontrava). E as pessoas vivas e mortas dialogavam comigo – lá em frente, eu via os soutos (que já desapareceram), as oliveiras e os meus amigos de outrora. E eu renascia! Sonho? Talvez, mas era o passado que se confundia com o presente, era o meu Pisão restaurado, após a grande luta que  a gente da minha terra travou pelo progresso comunitário. E, entre os felizes  minutos revividos,  algumas mágoas e incompreensões dos que não me conhecem. Haja o que houver, valeu a pena!

3- Já estou outra vez na luta, mas, antes de concluir, quero agradecer aos amigos que me contactaram e desejaram  “boa saúde”!

(*) O autor desta crônica vive no Brasil (e-mail: jneves@fesesp.org.br)

Leituras de Férias

Novembro 24, 2009
Cartas de Lisboa

Por João Alves das Neves (*)

Entre os livros que tivemos  a oportunidade de ler ou pelo menos compulsar. durante as  últimas  férias em Portugal,  devemos  salientar os que mais nos despertaram a atenção, embora sem  espírito crítico, ainda que possamos   fazê-lo mais tarde.  Aliás, não há críticos literários, como antigamente…

Por agora, limitamo-nos a alguns comentários breves, pois os jornais diário, salvo raras excepções, não vão muito  além  das notas simples dos editores, que resumem os livros, bem pouco adiantando sobre as obras, a não ser quando se trata  do nobelizado Saramago onpsu de um ou outro amigo. É certo que se perderam anos demais com os cortes parciais  ou totais dos censores que nada tinham a ver com o que acontecia em Portugal e no Mundo.

É verdade que se multiplicaram os caminhos de acesso: podemos comprar sem medo qualquer  jornal ou livro e ninguém nos  o acesso a outras vias, nomeadamente através da Internet, apesar   das falsidades  que transmite sem interrupção. Mas que fazer senão aceitar o novo mundo em rodagem –  até onde e até quando? Pois  temos  de o enfrentar, com os seus milhões de erros, porque tudo vale a pena se a alma não é pequena.

E por aí  começamos,  abrindo a Fotobiografia de Fernando Pessoa, desta vez com os olhos de Richard Zenith, um pessoano já confirmado em livros anteriores (a primeira Fotobiografia foi de Maria Jo sé de Lancastre, cujo pioneirismo resiste aos anos, desde 1981 e que continua ser exemplar). O norte-americano Zenith percorreu outras rotas, tentando redefinir o Homem e o seu intimismo com Lisboa (“seu lar”), o tropicalismo que descobriu em Durban e as reacções que o contrariaram em Portugal, o vivenciador do Modernismo, com os seus companheiros orfeicos, o caminhante das ruas alfacinhas, o

espírito lusíada da  visão imperial, o Desassossego dos poetas sonhadores  e a entrada

na Eternidade de onde nunca mais sairá.

Assim o confirma a Mensagem relida há meses  por José Sinde Filipe e musicada por Laurent Filipe ou a outra “mensagem à beira-mágoa”, revisitada (mais do que uma segunda vez?) por José  Campos e  Sousa. Assim, tudo vale a pena, sem as provocações confusas e  culturalmente falsas dos “marketistas” que se fazem passar por génios da Literatura. De resto, Lisboa e seus mais longínquos arredores estão cheios dos copiadores da poesia, da política.

Menos do que seria necessário, as livrarias apresentam vários estudos sérios em torno daquele que foi – é e será – “o Imperador da Língua Portuguesa” e eles voltaremos quando acabarmos de ler O Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira (da autoria de José Carvalho), e da Vida e Obra de Dom Nuno Álvares Pereira  (da escritora inglesa G.

Leslie Baker). Entretanto, o grande herói de Portugal, que tanto interesse despertou ao historiador Oliveira Martins), merece a atenção  dos nossos ensaístas contemporâneos,

Ê claro que outros livros  de História, Artes e Letras Portuguesas foram editados recentemente e exigem  a nossa atenção – e alguns deles mencionaremos, quando for possível. Entretanto, procurámos com insistência obras dos autores da Província (com relevo para a   Beira-Serra), mas não pudemos ir muito além do Livro Comemorativo do 75º. Aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Argus (de A. C. Quaresma Ventura e de Regina Anacleto). Não obstante, há  um registo significativo que desde já se impõe –  o da excelente monografia sobre Tabua / História, Arte e Memória), de Marco Daniel Duarte, editado pela Câmara Municipal de Tábua, com  657 págs, 2009 e boa apresentação gráfica. Por isso, voltaremos ao tema.

(*) Os últimos  livros de João Alvas das Neves foram o Dicionário de Autores da Beira-Serr (Ed. Dinalivro, Lisboa, 2008) Fernando  Pessoa, Salazar e o Estado Novo (ed. Fabricando  Idéias, S]ao Paulo. 2009)

Notas e comentários

Novembro 18, 2009

Livro de Cyro de Mattos é publicado na Alemanha

“Zwanzig Gedichte von  Rio und andere Gedichte”  (Vinte Poemas do Rio e Outros Poemas) é uma coletânea do poeta baiano  Cyro de Mattos*  que foi publicada recentemente pela Projekte-Verlag,  em Halle, Alemanha, com a tradução de Curt Meyer-Clason. A coletânea é constituída de 49 poemas, extraídos dos livros “Vinte Poemas do Rio”, editado no Brasil e Portugal, “Canto a Nossa Senhora das Matas”, publicação bilíngüe, da Fundação Casa de Jorge Amado, com tradução para o alemão de Curt Meyer-Clason,  e ainda cinco poemas selecionados  dos livros infantis “O Menino Camelô”, “O Circo do Cacareco” e “Oratório de Natal”.  .

A  Bahia situada no sul do Estado, onde o autor nasceu e reside, serve de motivação aos poemas reunidos nesta coletânea de Cyro de Mattos publicada na Alemanha. Na primeira parte intitulada “Zwanzig Gedichte  von Rio” (Vinte Poemas do Rio),  o poeta revisita e transfigura o rio Cachoeira, que divide sua cidade natal em duas partes, quando então  havia nele  areeiros, pescadores, lavadeiras e aguadeiros. Faz falar  sua infância com  essa gente ribeirinha, usando para isso uma dicção líquida em uma espécie de recuperação do tempo perdido, não à maneira de Proust,  mas, como ressaltou o crítico e poeta Fernando Py,   “conciso na expressão e claro  nas imagens  que respondem pela eficácia poética do conjunto.”

Na segunda parte da coletânea, “Gesang Auf  Unsere Liebe Frau von  Den Waldern” (Canto a Nossa Senhora das Matas), percebe-se que vários poemas obedecem  a um projeto ecopoético, no sentido primordial em que nos insere no centro do mundo, e o  discurso do poeta premiado no Brasil e exterior (Prêmio  Nacional Ribeiro Couto da UBE/Rio, Prêmio APCA,  Prêmio Maestrale Marengo d’Oro, em Gênova, Itália) está  visceralmente relacionado com a natureza, cujos elementos vêm sendo gritantemente ofendidos pelo homem nos tempos atuais. A coletânea em alemão inclui,  em sua terceira parte, cinco poemas infantis,  sob a denominação “Kindergedichte”. Além disso traz foto e biografia resumida do poeta.

Cyro de Mattos enviou há  seis anos para Curt Meyer Clason primeiro  seu livro “Vinte Poemas do Rio” e a seguir “Cancioneiro do Cacau ”. Recebeu então do consagrado tradutor alemão  não só a tradução de vários poemas bem como  a opinião seguinte:  “Li e reli seus poemas com os sentidos encantados e  admiração pelo seu talento mágico.” Curt Meyer-Clason traduziu para a língua alemã, entre outros, Vladimir Nabokov, Robert  Lowell, Unamuno, Cervantes, Ortega y Gasset, Eça de Queiroz, Fernando Namora,  Pablo Neruda, Gabriel Garcia Marquez, Jorge Luís Borges, Juan Rulfo, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Ferreira Gullar, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado e Adonias Filho.

Contista, novelista, poeta, cronista, ensaísta, autor de livros infanto-juvenis e organizador de antologias, Cyro de Mattos atualmente é o presidente da Fundação Itabunense  de Cultura e Cidadania.  Possui mais de uma vintena de prêmios literários respeitáveis, no Brasil e exterior. Tem dois livros de poesia publicados em Portugal pela Palimage Editores e outro na Itália, pela  Runde Taarn Edizioni, de Gerenzano (Varese). Está presente em mais de trinta antologias importantes  do conto e poesia, no Brasil, em Portugal, Alemanha, Rússia, Dinamarca, México e Estados Unidos. Foi agraciado com a Medalha do Mérito da Bahia. Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa (SP), Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras da Bahia. Em 1998 participou como convidado do III Encontro Internacional de Poetas, da Faculdade de Letras de Coimbra, em Portugal. De sua literatura disse Jorge Amado: “Cantor da terra e das águas. Cantor do amor. Pastor de diversos bichos. Cyro de Mattos, tão esplêndido poeta, tão esplêndido ficcionista.”

 *Cyro de  Mattos, Zwanzig Gedichte von Rio und andere Gedichte, Projekte-Verlag (www. projekte-verlag.de), Halle, Alemanha, tradução de Curt Meyer-Clason, prefácio de Graça Capinha, Doutora em Literatura Norte-Americana pela Universidade de Coimbra,  coleção Lyrik, 8,90 euros, 2009..

A cultura na rede mundial

Além das mudanças impostas pela rede mundial de computadores ao mundo dos negócios, alardeadas aos quatro ventos por publicações de todo o planeta, a “revolução” provocada pela popularização da Internet vai muito além dos ganhos de produtividade e das compras pela tela do computador. A possibilidade de, com poucos recursos, se criar um canal capaz de promover o debate e a troca de idéias sobre os mais variados assuntos abre caminho para iniciativas culturais e educacionais até então impensáveis.

Pois foi com base nessa crença que dois estudantes universitários apaixonados por literatura e com o conhecimento necessário para trabalhar e moldar o “mundo virtual” se propuseram a desenvolver um canal voltado à divulgação e disseminação da cultura. Foi assim que, em meados de 2000, nasceu o projeto do portal Mundo Cultural.

Disponível na rede desde fevereiro de 2001 (http://www.mundocultural.com.br), o portal tem entre seus objetivos a divulgação da literatura, tão negligenciada em nosso país, da cultura de um modo geral. Mais que um grande banco de dados, com obras para down load, análises literárias e ferramentas de busca, o canal serve ainda como um meio capaz de criar uma confraria de amantes da literatura e da cultura, interessados em divulgar seus trabalhos e trocar idéias.

Atualmente, o Mundo Cultural recebe um número cada vez maior de visitantes. Dezenas de e-mails de estudantes, com solicitação de material de pesquisa e perguntas sobre literatura, são recebidos e analisados diariamente. “A receptividade obtida pelo portal, sem qualquer investimento em divulgação, é o que nos faz prosseguir com esse trabalho”, revela Ronaldo Fazam, um dos idealizadores do projeto e hoje professor de Língua Portuguesa.

Para Lucas Tavares, co-autor do projeto, a liberdade trazida pela inexistência de qualquer vínculo institucional é um dos fatores capazes de explicar o sucesso do portal. Entre os principais serviços disponíveis no canal estão:

  • Down load de obras literárias;
  • Análises literárias exclusivas;
  • Banco de dados com a história da literatura;
  • Biografia de autores consagrados;
  • Canal para divulgação gratuita de trabalhos literários;
  • Museu virtual;
  • Colunistas exclusivos.

E a equipe trabalha para que novos serviços sejam implantados.
Para obter mais detalhes, envie um e-mail para mundocultural@mundocultural.com.br.

Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo 

O livro de João Alves das Neves será apresentado em tardes de autografos em São Paulo e Santo Andre, oportunidades em que serão organizadas mesas redondas sobre “As idéias políticas de Fernando Pessoa” (esse é o texto, não tem anexo – incluir figura, copia da capa).

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Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo – O livro de João Alves das Neves será apresentado em tardes de autografos em São Paulo e Santo Andre, oportunidades em que serão organizadas mesas redondas sobre “As idéias políticas de Fernando Pessoa” (esse é o texto, não tem anexo – incluir figura, copia da capa). 

0s 150 anos da Beneficência Portuguesa de São Paulo

Setembro 26, 2009
Carta da Diáspora 

0s 150 anos da Beneficência Portuguesa de São Paulo

João Alves das Neves (*) 
 
O primeiro hospital "São Joaquim" foi inaugurado em 1876. Fonte: Site da Prefeitura de SP.

O primeiro hospital "São Joaquim" foi inaugurado em 1876. Fonte: Site da Prefeitura de SP.

 

Fundada  por 168 portugueses, a Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência é hoje o maior centro hospitalar privado do Brasil  –  mantém os hospitais  de São Joaquim, fundado em 1876, e o de São José, inaugurado em 2008. 

A instituição atende em mais de  50 áreas médicas, tendo criado um Centro de Pesquisa com 37 núcleos  nas  áreas de cardiologia, urologia, clínica médica , pneumologia, infectologia, nefrologia, vascular, hepatologia e oncologia. Instalou um dos maiores bancos de sangue  do pais (coletou  30 mil bolsas de sangue em 2008). Faz  diariamente cerca de 40  cirurgias cardíacas. E tem um ícone da modernidade – o hospital São José com 111 leitos (70 para internações), 7 salas de cirurgia, 14 UTIs e 6 semi-intensivas,  MED Imagem e um Centro de Diagnósticos  – tudo isto foi realizado sem subsídios… O reconhecimento pelo alto nível médico-hospitalar explica a aprovação pelo Ministério da Educação e Cultura, em 1988, dos   cursos regulares de Pós-Graduação (Latu Senso) : hoje, são 8 cursos, que já formaram 500  profissionais. Entretanto, o Programa de Residência Medica já diplomou  73 especialistas (de 2001 a 2008) nos domínios da  anestesiologia, radiologia, diagnóstico por imagem e otorrinolaringologia, podendo afirmar-se que a “Beneficência”, não sendo uma escola, é um verdadeiro “Hospital de Ensino”.

Antigo e novo logo da Beneficência. O título de "Real e Benemérita" foi atribuío à instituição em 1901, pelo Rei de Portugal, D. Carlos I

Antigo e novo logo da Beneficência. O título de "Real e Benemérita" foi atribuío à instituição em 1901, pelo Rei de Portugal, D. Carlos I

Num estudo que publicou sobre “O papel da Beneficência Portuguesa e o problema da saúde no Brasil” salientou o  engenheiro Antônio Ermírio de Moraes  (Presidente desde  1971  até 2008)  que a entidade continua “a tradição inaugurada com o significativo amparo que prestou  às populações de Santos e Campinas, quando da epidemia da febre amarela de 1889, ocasião em que avultou a figura de Abílio Soares”.   Porém, a  melhor homenagem que o Dr. António merece do Brasil está justificada nas suas próprias palavras: “Tenho orgulho em sermos um  dos poucos hospitais que atendem a todas as classes sociais, incluindo o atendimento  a 60% de pacientes pelo Sistema Único de Saúde. Anualmente são mais de 300 mil pessoas beneficiadas com o nosso trabalho que, ao longo  de décadas, vem contribuindo para uma vida mais saudável de milhões de paulistanos e brasileiros.”   

Foto de Jurandir Lima

Foto de Jurandir Lima

Falam também por ele os números bem expressivos: nos 6 edifícios da “Beneficência”  (área construída de 143 mil metros quadrados), trabalham 6.000 pessoas – entre 1.500 do especialistas do corpo clínico, que dispõe de 64 salas cirúrgicas.  São realizadas 20 mil intervenções (incluindo 8 mil cardíacas) e 3.589 transplantes (em 7  áreas). Quanto ao número exato de leitos disponíveis é de  1.920 (com 223 de UTI).   

Tamanha ação explica  os  4 milhões de exames, em 2008,  nos mais  diversos setores. E testemunha igualmente as 30  mil cirurgias por ano. Professores de Medicina dão o seu contributo à entidade, que, graças à colaboração dos médicos e de   profissionais (técnicos e auxiliares de enfermagem), cumprem a tarefa 4.000 ambicionada pelos 168 portugueses que há 150 anos lançaram as bases de uma associação  que ampliou o projeto das Santas Casas de Misericórdia, iniciado pela Rainha D. Leonor, em 1498 (são agora quase 400 em  Portugal e 500 no Brasil):  o sonho ampliou-se com as “Beneficências” e os seus hospitais brasileiros de espírito lusíada. Como referiu o Presidente Antônio Ermírio de Moraes “a tradição” não morreu.  

presidentes

Decorridos 150 anos, a “Beneficência Portuguesa” cresceu com a cidade de São Paulo. A instituição   ultrapassou a fronteira médico-hospitalar, tornou-se patrimônio cultural  do Brasil, conforme disse o historiador Pedro Calmon, na conferência que proferiu

( 9-9-1961),  no Salão Nobre “Padre Manuel da Nóbrega”:  “O que observamos no salão fulgurante da Beneficência Portuguesa é a ilustração  dos grandes momentos da história comum, que nos dá a sensação estética  de estarmos, não no interior de um imenso estabelecimento hospitalar, mas dentro de um livro de horas, ilustrado e velho livro iluminado com as grandes cenas e os personagens insignes da nossa tradição, – convivendo com as sombras veneráveis dos homens que fizeram o Brasil”. (**). 

Rubens Ermírio de Moraes - atual Presidente do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo

Rubens Ermírio de Moraes - atual Presidente do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo

Lembramos as palavras do historiador brasileiro para homenagear o Dr. Atônio Ermírio de Moraes (***), que tão bem conhece os 33 vitrais do Salão Nobre da “Beneficência”, que documentam exemplarmente a História comum de Portugal e do Brasil. 

Clique aqui para visualizar a composição da Diretoria e Conselhos.

(*) Jornalista, escritor e professor de comunicação social, o autor deste artigo foi diretor da Real e Benemérita Associação Portuguesa de São Paulo durante mais de 30 anos e é membro do Conselho Consultivo da entidade luso-paulista.
(**)  Na fachada principal da entidade há mais 4 belíssimos vitrais e outros 6 iluminam a moderna capela.
(***) O atual Presidente da Diretoria é o dr. Rubens Ermírio de Moraes

O PENSAMENTO POLÍTICO DE FERNANDO PESSOA

Agosto 30, 2009
capapessoanet
livro

O novo volume poderá ser adquirido na Alpharrábio Editora e Livraria Ltdª:
Rua Eduardo Monteiro, 151–CEP 09041-300 – Santo André/SP
E-mail: alpharrabio@alpharrabio.com.br

Custo do livro: R$19,90

Correio fac-similar – Profa. Nilza Setti

Agosto 22, 2009

Carta enviado ao Prof. João Alves das Neves pela Profa. Nilza Setti, da Universidade de São Paulo.

Kilza-Setti

Paulo Bomfim, “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, fiel às raízes do passado, desvenda o futuro

Agosto 18, 2009
Por João Alves das Neves 
 
Escritor Paulo Bomfim

Escritor Paulo Bomfim

É a partir de uma frase de Paulo Bomfim que buscamos as raízes da sua poesia  e das suas crônicas: “Um país que procura renegar seu passado, perde pé no presente e deixa acontecer o futuro.”

Com estas palavras, o poeta de “António Triste”, livro que marcou a sua estréia literária, em 1947, percorreu um longo caminho, ilustrado por cerca de três dezenas de  obras, desde a poesia à crônica – os seus gêneros mais constantes. Na verdade,  este discípulo dos clássicos é, no fundo, um modernista porque consegue ser atual ainda que seja um sonetista de alta craveira. E a construção dos seus textos em verso e prosa é tão contemporânea quanto o foram os pioneiros do futurismo e de outras manifestações dos “ismos”, nem sempre realizadas com êxito,  apesar das boas intenções de certos contemporâneos.

Os poetas Guilherme de Almeida,  Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram com certeza  figuras dominantes da “Semana de Arte”, em 1922, embora não tenham sido os únicos e deixaram discípulos que, em circunstâncias diversas, se aproximaram dos primeiros – e um deles foi Paulo Bomfim,  que tem sabido conciliar o espírito modernista, sem renegar um classicismo apurado, graças  à sua insistente e,  renovada  arte poética.

Indiscutivelmente, Paulo Bomfim tem percorrido uma longa e fértil caminhada, desde 1947, quer no verso, quer na crônica,  reinventando  uma aliança feliz entre dois gêneros literários que por vezes  se completam. E aí está o segredo dos    grandes criadores que nunca se repetem. Quem diz que o soneto morreu? Quem faz a ode camoniana da era contemporânea?  Quem é que revive o passado com os olhos de hoje? E para comprovar  que a poesia é eterna   bastará a releitura de Transfiguração  ou do Navegante!  Onde é que está o mistério ou a sofisticação de se amar ao mesmo tempo o trovador D. Dinis e o modernista Mário de Andrade? Ou de preferir simultaneamente Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Sofia de Melo Breyner e Manuel Bandeira?

Ao percorrermos a obra  de Paulo Bomfim encontramos uma fértil colheita poética , que se alarga do António Triste, que nos sugere o António do , tão influente entre  poetas portugueses e brasileiros, embora admitindo que  o jovem brasileiro é bem diferente do simbolista luso.  Aliás, Bomfim não é copioso mas constante na sua busca, desde o princípio ao belo Súdito da Noite. A poesia é algo sério para quem acata os mestres mas não é subordinado a eles. Lírico, sim, mas a seu modo. Modernista, sim, mas não repetitivo, como são vários piadistas de frases apropriadas de outros. Um poeta tem de ser pessoal. Leu com certeza os Cancioneiros, os românticos, os simbolistas e outros modistas, mas é essencial que seja igual a si-próprio:

“Onde andará minha amada
Neste percurso triste,
Nestas noites sem luar?”

O artista tem de ser autenticamente criador, o que não significa distância dos grandes movimentos estéticos que marcaram a evolução da literatura através dos séculos. Ninguém melhor do que Paulo Bomfim sabe absorver a lição de ontem, pois em certas circunstâncias é capaz de a reatualizar, mas em momento algum deixa de ser criador. Recrear também é criar. E assim faz com o soneto XXV do livro em que areja a poesia da Transfiguração:

 Dobremos o nosso cabo das tormentas

Seguindo a solidão das caravelas;
(…) El-Rei, nosso destino, inda nos guia
Para além, muito além de Calicute;
(…) Partamos na manhã ensolarada
dos Restelos que habitam nossos peitos;
(…) Andamos pelo tempo que é perdido,
Buscando nosso mar desconhecido!”

 

Há uma busca permanente nos poemas de Bomfim e por isso os seus versos são ora realistas, ora surreais, como neste soneto dos Poemas Esparsos:

“Deito-me em ti com ramos e folhagem

E pássaros e orquídeas de loucura;
Do musgo do meu gesto nasce a imagem
Que atiro em teus caminhos de procura.”

Do Relógio do Sol  à Cantiga do Desencontro, atravessando o Poema do Silêncio e os 7 Poemas Amargos, Sinfonia Branca e o Armorial, dedicado aos seus antepassados “que ainda não regressaram do sertão”, decorridos 3 séculos, é o Brasil, e sobretudo São Paulo revivescendo as origens:

“Primeiro foi o mar, selva noturna,
com solidões de estrela na manhã”

É a Poesia vestida de História:

A selva é mar com ilhas fugidias
E gritos emplumados na tocaia,”

Monções, florestas, cansaços e jornadas, “Parnaíbas correndo de amor que não regressam”. Há “entradas pelo chão do nunca mais”, adivinham-se “tapuias pressentidas nas ciladas”, há capelas coloniais e astrolábios – o laço invisível que liga Bandeirantes antigos e contemporâneos. É o Pais, a Região e a cidade cantada por Bomfim, perseguindo a trilha de Guilherme de Almeida:

“Por certo hei de cantar esquecimento
Manhãs paulistas onde  sou raízes… 

Diz o ensaísta Nogueira Moutinho, um dos mais atentos analistas da obra de Paulo Bomfim: “É no interstício entre o mundo inefável e o mundo que o poeta se insere, e, graças à alquimia do verbo,opera a transferência de uma  realidade de silêncio e a uma realidade expressiva – e o poeta conduz-nos a uma atmosfera de magia que só descobrimos com os seus versos.

Outro excelente ensaísta , Gilberto de Mello  Kujawski, retoma o tema que citamos – o do renovador do soneto que os modernistas apressados não conseguem sepultar, observando que “onde Paulo Bomfim provou pela primeira vez, e para sempre, sua força de sonetista absoluto foi na série de sonetos que compõe o Armorial. Esta transposição do largo mar dos navegadores para a cerrada selva dos bandeirantes, e esta transfusão da feira ancestral no sangue nutriente  da memória”:

 “A selva é mar de todos os naufrágios.
Inutilmente somos a presença
Daqueles que partiram sem voltar.”

Com este e tantos outros poemas da “feira ancestral”, o autor do Poema da Descoberta reencontra a fonte e o alicerce da eternidade de “Os  Lusíadas” e do renascimento que Fernando Pessoa imortalizou na Mensagem  do Mar Portuguez”:

 “Valeu a pena: Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.”

Tarde ou cedo, os poetas sempre se reencontram.

E tudo isto é tão verdadeiro que no poema em prosa  intitulado Caminhos do Quinto  Império, Paulo Bomfim sintetiza  a sua brasilidade, salientando  que “o Brasil foi descoberto pela Língua Portuguesa” – proclamação que envolve duas Pátrias: “Do alto dos púlpitos, Padre Antonio Vieira prega suas cruzadas com a espada do idioma português”. O “Príncipe dos Poetas Brasileiros”,  na condição de vero  Poeta Lusíada, está, em prosa e verso, no belo provérbio de Fernando Pessoa: “A nossa Pátria é a Língua Portuguesa”.

Correio fac-similar

Agosto 17, 2009

Correio-fac-similar

Henrique Galvão, Escritor e Político

Julho 5, 2009
In Memoriam
Cap. Henrique Galvão

Cap. Henrique Galvão

HENRIQUE GALVÃO, ESCRITOR E POLITICO.
por João Alves das Neves

Muito tem sido dito e escrito  por e contra o Capitão Henrique Carlos Malta Galvão, que se tornou mundialmente conhecido por haver projetado e comandado, em 1961,  o apresamento do navio “Santa Maria”.Celebrado pela ação política que cumpriu contra o regime  de António de Oliveira Salazar, o Cap. Galvão passou a combater as falcatruas praticadas pelos apaniguados do regime em Portugal e nas antigas colônias. Sem duvida, foi uma luta desigual e sem tréguas em prol  da liberdade no  país natal.

Nascido no Barreiro, frente a Lisboa, em 4-2-1895, Henrique Galvão morreu em São Paulo do dia 25-6-1970. O tempo esfuma-se e são cada vez menos os que o apóiam ou odeiam, porque as divergências ideológicas ainda hoje persistem: o comandante do  “Santa Liberdade” (como ele designou o navio) não foi aplaudido pelos “abrilistas”, nem dos direitistas nem dos esquerdistas. Mas se o político foi esquecido a sua obra literária pertence para sempre à História da Cultura Portuguesa do século XX.

Santa Liberdade

O navio “Santa Liberdade” do Cap. Galvão

Evidentemente, há excepções: foi publicado recentemente em Portugal o livro Andanças para a Liberdade (1), de Camilo Mortágua, que relata não só a vida do autor em Portugal e na Venezuela, mas também os preparativos do Cap. Galvão, em Caracas, para desencadear a “Operação Dulcineia”. E os democratas portugueses  não podem esquecer os riscos enfrentados  pelo capitão insubmisso.

Na última página do seu livro, Camilo Mortágua, descreve fim da “viagem” no Recife e o caminho futuro: “As próximas andanças” hão-de levar-nos de volta a Lisboa e à restauração da Liberdade, “esperando dela, e tão só, todas as recompensas”. E promete completar o relato da aventura iniciada com o “Santa Liberdade”.

Eugénio Montoito salienta, no livro “Henrique Galvão (2)”, “a dissidência de um cadete do 28 de Maio (1927/1952)” quando o jovem militar esteve ligado ao Golpe de Estado de 1926 e à conspiração dos militares (7-2-1927) e,  mais tarde, à posição de ideólogo de excelência do colonialismo português”, chegando a seguir à “experiência parlamentar” e aos motivos que o  levaram ao afastamento do regime, “através daquela mesma África que tinha originado a união e a convergência política”. No último capítulo do livro, Eugénio Montoito recorda o ingresso do Cap. Galvão na campanha presidencial do Almirante Quintão Meireles, oposicionista, e em outras fases do combate aberto ao regime ditatorial de Salazar.

A “Operação Dulcineia”  foi documentada em 7 artigos publicados no jornal “O Estado de S. Paulo” (de 19-2-1961 a 26  do mesmo mês). Antes, porém. Galvão escrevera 2 artigos na revista Anhembi, dirigida pelo jornalista e escritor Paulo Duarte (fev. e março de 1953) sobre a Ditadura salazarista e no jornal A Tribuna, (27-3-1960), mas a aventura do Santa Maria apareceu em numerosos jornais e revistas de vários países, embora  O Estado de S. Paulo tenha sido a barricada mais firme deste novo período de luta ao fascismo português (o tiroteio alargou-se por mais de 40 artigos, além de outra quinzena de textos acerca da fauna e de certos aspectos da vida africana (o último artigo saiu, em 16-10-1966).

A bibliografia de Henrique Galvão é extensíssima e abrange mais de 20 volumes, entre ensaios de caráter científico e de ficção e teatro (incluindo a poesia de Grades Serradas), a-par de quatro dezenas de livros que o biógrafo Eugenio Montoito considerou de “intervenção política e administração colonial” (5 em torno do governo salazarista). Foi ainda tradutor de 8 peças de Eugénio O’Neill e mais duas de Lionel Shapiro e Jean de La Varande, a-par de um livro de Pierre Goemar. E prefaciou igualmente a edição portuguesa das Obras Poéticas  de Manuel Bandeira.

O nosso primeiro contacto pessoal com o Cap. Henrique Carlos Malta Galvão ocorreu durante a visita que ele fez ao jornal O Estado de S. Paulo. Certo dia, o Capitão ficou doente e avisamos o Dr. Júlio de Mesquita Filho, diretor de O Estado de S. Paulo, que mandou marcar uma consulta com o médico do jornal. O clínico recomendou que fosse hospitalizado – e pediram-nos que o acompanhássemos à Clínica Bela Vista, em São Paulo, onde ele ficou internado por quase 4 anos. Raros amigos o visitavam e pediram-nos que informasse a Direção do jornal. Quando os médicos acharam que a doença do Capitão era  irreversível, foi solicitada a intervenção do Governo de Lisboa para que ele pudesse voltar a Portugal. A resposta foi implacável – o regime comprometia-se a pagar a clínica, mas regressar, não! E no dia 25 de Junho de 1970, Henrique Carlos deixou-nos. Ao velório compareceram 9 pessoas, entre os quais o Dr. Ruy de Mesquita, atual diretor de O Estado de S.Paulo – e apenas 6 portugueses o acompanharam ao cemitério paulistano de Vila Nova Cachoeirinha. Posteriormente, quando fomos a Lisboa recebemos a derradeira tarefa:levar o dinheiro que ele deixara – pouco mais de 3 mil cruzeiros! – e entregá-lo à viúva, D. Maria de Lourdes Galvão.

Somente em  10 de Novembro de 1991 os restos mortais do Cap. Henrique Galvão foram trasladados para um mausoléu do Cemitério dos Prazeres, graças às diligências do Diretor de O Estado de S. Paulo, Dr. José Maria Homem de Montes, que declarou em Lisboa: “Hoje, o Estado Português presta a Henrique Galvão a homenagem no círculo dos que souberam ousar e não se conformar.”

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1 – Esfera do Caos Editores Ltda., Lisboa, 2009
2 – Ed. do Centro de História / Universidade de Lisboa/ Universidade de Lisboa,2005

Pessoa X Salazar

Junho 10, 2009

Círculo Fernando Pessoa

PESSOA X SALAZAR

capa

Com o titulo de “Fernando Pessoa, Salazar e o Estado Novo” vai ser lançado no mês de Junho, em São Paulo, um novo livro de João Alves das Neves, estudo que terá, além de uma introdução e notas com cerca de 30 páginas os seguintes capítulos: “Cinco poemas políticos” “Salazar, o grande equivoco”; “Interregno-II”, “Fernando Pessoa em 1935/Ditadura e Ditador” e “Ideário político e autobiografias”.

Na 2ª parte, o organizador, com base nos textos pessoanos, apresenta um pequeno dicionário (“As idéias políticas de Fernando Pessoa”). que reproduz dezenas de verbetes sobre os temas: “Anarquia”, “Bolchevismo”, “Censura “, “ColÔnias “, “Comunismo “, “Democracia “. “Fascismo “; “Império “, “Inquisição “, “Integralismo”, “Liberdade”, “maçonaria”, “monarquia”, “Mussolini”, “Nacionalismo “, “Pátria “. “Povo”, “República”, “Revoluções “, “Sebastianismo”, “Sidonismo “. ”Tirania’, “Utiimatum”, etc. E não faltam no dicionário os conceitos assinados pelo autor da “Mensagem”, acerca de Hitler, Lenine e Trotzk, Mussoliniini, Primo de Rivera e Salazar.

Os poemas e prosas de Fernando Pessoa em torno da política estavam dispersos por diversos livros e revistas com relevo para as obras de Joel Serrão e Teresa Rita Lopes, mas só agora foram selecionados e comentados num só livro com as notas e os comentários de João Alves das Neves, autor de mais 6 volumes sobre a vida e a obra do poeta da Mensagem. Fundador de um Centro de Estudos em São Paulo, 1987),  Alves das Neves é um dos 8 coordenadores do Circulo Fernando Pessoa, que edita dois blogs na Internet, voltados para os temas relacionado com Portugal, Brasil, Angola, Moçambique,Cabo Verde, Guiné (Bissau), São Tomé e Príncipe e Timor.

O livro Femando Pessoa, Salazar e o Estado Novo terá uma edição em Lisboa, mas pode ser desde já reservado pela Internet:
www.joaoalvesdasneves.blogspot.com
www.revistalusofonia.wordpress.com.br
– ou por e-mail: jneves@fesesp.org.br


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