Archive for the ‘Educação’ category

Professor da USP é eleito sócio-honorário de Centro Lusófono em São Petersburgo

Março 6, 2013

SÃO PETERSBURGO – O professor de Literatura Russa do Departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), Bruno Barretto Gomide, coordenador da pós-graduação na área, foi eleito sócio-honorário do Centro Lusófono Camões, da Universidade Estatal Pedagógica Herzen, de São Petersburgo.

O professor Bruno Gomide, da Universidade de São Paulo, em atividade com alunos no Centro Lusófono Camões da Universidade Herzen, em São Petersburg

A eleição ocorreu durante cerimônia realizada na Sala de Conferências da Biblioteca Fundamental da Universidade Herzen, no dia 26 de fevereiro. Na ocasião, deu-se atividade organizada pelo Centro Lusófono que consistiu na leitura de poesias em português e russo de Antero de Quental, Anna Akhmatova, Fernando Guimarães, Puchkin, Shalamov. Citaram-se também Camões, Narbut e António Ramos Rosa.

Na oportunidade, o Centro Lusófono Camões, por intermédio de seu diretor, o professor Vadim Kopyl, passou para o Museu Anna Akhmatov materiais relacionados com a famosa poetisa russa, entre eles o texto do soneto-epitáfio “Zara”, de Antero de Quental,  para tê-lo junto a sua versão em russo feita por Anna Akhmatova,  e também o poema de Fernando Guimarães “Anna Akhmatova” e sua versão em russo de autoria de A. Rodosskiy.

Para a Biblioteca Fundamental da Universidade Herzen, o Centro passou os livros bilíngues já publicados pela instituição: Poesia Portuguesa Contemporânea, Contos, de Machado de Assis, Novos Contos, de Machado de Assis, Vou-me embora de mim, de Joaquim Pessoa, e também a tradução do ex-embaixador Dário Moreira Castro Alves do romance em versos Eugênio Oneguin, de Puchkin (Moscou: Asbooka-Atticus, 2008), do qual consta o artigo “Voz humana nos versos divinos”, de Vadim Kopyl.

Autor de Da estepe à caatinga: o romance russo no Brasil – 1887-1936 (São Paulo, Edusp, 2011), Prêmio Jabuti 2012 da Câmara Brasileira do Livro, na categoria Teoria e Crítica Literária, sua tese de doutorado, o professor Bruno Gomide falou sobre o ensino da Língua e da Literatura Russa na USP e o grande interesse do leitor brasileiro pela literatura russa nos últimos tempos, o que tem sido comprovado pela publicação de grande número de traduções. Gomide ofereceu ao Centro obras traduzidas em português de Puchkin,Tolstoi, Dostoiévski, Leskov e Mandelshtam e  também a Nova Antologia do Conto Russo (1792-1998), organizada por ele e  lançada recentemente pela Editora 34, de São Paulo, que reúne nomes conhecidos no Brasil como Puchkin, Gógol, Dostoiévski, Tchekhov, Tolstói, Pasternak, Bábel e Nabókov e outros menos conhecidos, como Odóievski, Grin, Chalámov, Kharms, Platónov e Sorókin, num total de 40.

O professor, que permaneceu em São Petersburgo de 14 de janeiro a 27 de fevereiro, fez pesquisas no setor de manuscritos da Biblioteca Pública de São Petersburgo, onde trabalha, há alguns anos, com a obra do crítico, poeta e tradutor David Vygódski. Gomide visitou também o Instituto de Literatura Russa da Academia de Ciências de São Petersburgo, mais conhecido como Casa de Puchkin (Puchkinski dom). Na ocasião, foi assinado um acordo de cooperação entre o Instituto e a USP.

SERVIÇO – As instituições, editoras e autores do mundo lusófono que quiserem ajudar a enriquecer o acervo do Centro devem enviar os seus livros para:

Prof. Dr. Vadim Kopyl

CENTRO LUSÓFONO CAMÕES

Moica 48 – UNIVERSIDADE ESTATAL PEDAGÓGICA HERZEN k. 14

São Petersburgo – Russia

Anúncios

Todos enredados

Fevereiro 26, 2013

Por Renato Nalini

A verdade é que ninguém mais consegue viver sem participar das redes sociais. Até mesmo Joseph Ratzinger, o filósofo que sucedeu João Paulo II e adotou o nome Bento XVI, estreou no twitter no final do ano passado. Padre Marcelo Rossi recomendou que ele também faça parte do Facebook. Hoje, quem não está nas redes está desconectado do mundo.

Verdade que alguns teimam em não ter celular, em não usar computador, em confessar – até com indisfarçável orgulho – “não ser escravizado pela tecnologia onipotente”. Mas a imensa maioria já se conscientizou de que sem se conectar não há salvação terrena. Hoje, quem precisa de um emprego tem de saber que o recrutamento se faz também mediante pesquisa em páginas como o Google.

É bom saber que os profissionais de RH, ao digitarem um nome no Google, não vão além da primeira página de resultados. E as ferramentas online disponíveis não eliminam as informações pouco lisonjeiras. É por isso que Universidades corretas e que se interessam pelo day after de seu egresso propiciam um programa gratuito para ajudá-lo a encontrar bom emprego. É o que acontece com a Universidade de Syracuse, por exemplo.

As redes podem ajudar a construir uma boa reputação, como podem detonar a imagem de qualquer pessoa. Lisa Severy, que é Presidente da Associação Nacional para desenvolvimento de carreiras nos Estados Unidos, reconhece a importância da boa imagem profissional na internet. Para ela, não é segredo que os estudantes estejam acostumados com uma circunstância inevitável: detalhes íntimos da vida de qualquer pessoa estão disponíveis na internet desde o dia em que ela nasceu.

Pesquisa realizada pela CareerBuilder com 2 mil gerentes de RH mostrou que mais de 40% das empresas usam redes sociais para pesquisar sobre a vida dos candidatos. 1/3 dos recrutadores disse ter feito algum tipo de anotação sobre a pesquisa nos currículos dos candidatos, como evidências de uso excessivo de bebida alcoólica ou de algum tipo de droga.

O estudante de hoje, profissional de amanhã, deve se envolver ativamente na construção de sua presença online. É o que impõe a vida contemporânea. Sem escapatória. De forma irreversível.

O TRIBUNAL EUROPEU E OS EMBRIÕES HUMANOS

Dezembro 4, 2012

Por Ives Gandra da Silva Martins

O Tribunal de Justiça Europeu, em 18 de outubro de 2011 (Grande Secção), declarou a impossibilidade de ser patenteada a utilização de embriões humanos, não só para fins industriais e comerciais, mas também para a investigação científica, dando, entretanto, espaço para fins terapêuticos ou de diagnóstico, na medida em que seja útil para o próprio embrião.

A decisão seguiu a determinação prevista no artigo 6º, nº 2, alínea “c” da Diretiva da Comunidade Européia de nº 98/44. A definição do que seja embrião humano foi dada pelo próprio acórdão “constituem embrião humano todo o óvulo humano desde a fase da fecundação”.

Termina, o acórdão do Tribunal, com as seguintes determinações:

“2) A exclusão da patenteabilidade relativa à utilização de embriões humanos para fins industriais ou comerciais, prevista no artigo 6º, nº 2, alínea c), da Directiva 98/44, abrange também a utilização para fins de investigação científica, só podendo ser objecto de uma patente a utilização para fins terapêuticos ou de diagnóstico aplicável ao embrião humano e que lhe seja útil.

3) O artigo 6º, n.° 2, alínea e), da Directiva 98/44 exclui a patenteabilidade de uma invenção, quando a informação técnica objecto do pedido de patente implicar a prévia destruição de embriões humanos ou a sua utilização como matéria prima, independentemente da fase em que estas ocorrem e mesmo que a descrição da informação técnica solicitada não mencione a utilização de embriões humanos”.

Do referido acórdão, é de se concluir que a comunidade européia, por seu Tribunal Maior –não Cortes de derivação ou de poder delegado- reunido em Grande Secção, afastou a tese de que o embrião humano não seria um ser humano, pois admitiu a vida desde a concepção, ao não admitir patentes envolvendo a negociação e destruição de vidas humanas, na sua forma embrionária, não só para fins de industrialização e comércio pelos grandes laboratórios, mas também para investigação científica.

No mesmo acórdão, deixou claro que a destruição dos embriões ou sua utilização como matéria-prima, também não podem servir de base para sua patenteabilidade, visto que apenas as investigações que beneficiem os próprios embriões, ou seja, para sua preservação, são admitidas.

O acórdão – de pouca repercussão entre os defensores dos que se utilizam células embrionárias (embriões humanos)para pesquisas e que o Supremo Tribunal Federal permitiu fossem realizadas no Brasil, quando admitiu a constitucionalidade por inteiro da lei de biosegurança – parece, decididamente, sinalizar que, ao falar em células embrionárias, entende aquela Corte Suprema da União Européia estar falando em seres humanos na sua forma embrionária, algo que –creio que desde 2003– a Academia de Ciências do Vaticano, com seus 29 prêmios Nobel entre os 80 acadêmicos, já tinha definido, em sessão exclusivamente dedicada a caracterizar o início da vida humana.

A intenção deste artigo não é polemizar, mas demonstrar que a melhor solução, respeitando a dignidade da vida humana, é buscar soluções terapêuticas, a partir das células adultas reprogramadas, conforme as experiências de Yamanaka – que acaba de ganhar o prêmio Nobel deste ano – sem quaisquer riscos de destruição de seres humanos, na sua forma embrionária, e com resultados terapêuticos cada vez maiores e melhores, os quais começaram a ser alcançados desde os tempos em que as experiências se faziam exclusivamente com as células adultas, ainda quando não reprogramadas.

Declaração MIL sobre a Situação na Guiné-Bissau

Novembro 6, 2012

No rescaldo de mais um grave incidente ocorrido na Guiné-Bissau, de que resultaram mais uma série de trágicas mortes a acrescentar a tantas outras, alguns militares envolvidos no mais recente Golpe de Estado que destituiu os representantes legítimos – porque democraticamente eleitos – do nosso povo irmão guineense, envolveram, conforme imagens que passaram em todas as nossas televisões, um prisioneiro (capitão Pansau N’Tchama) com a bandeira portuguesa. O sentido da provocação é óbvio: trata-se de insinuar que a resistência ao Golpe de Estado tem sido induzida por Portugal.

Como se sabe, não é, porém, isso o que se passa. De todo. O repúdio ao Golpe de Estado foi expresso pela CPLP no seu conjunto e não apenas por Portugal. Nessa medida, lamentado sobretudo as mortes ocorridas (isso é, de longe, o mais importante), não podemos deixar também de repudiar mais esta tentativa de manipulação do povo guineense.

Temos consciência de que a situação na Guiné-Bissau é particularmente complexa. Como sempre defendemos, ela só se resolverá pelo envolvimento firme de toda a Comunidade Lusófona e no respeito pelas resoluções já tomadas pela ONU.

A Guiné-Bissau será lusófona ou não será. Trabalhemos, pois, por isso. O MIL, a entidade que, em todo o espaço da lusofonia, mais tem pugnado por esse Horizonte, não desistirá de prosseguir este caminho – aquele que, a nosso ver, melhor garante um futuro digno para o povo guineense e para todos os outros povos lusófonos. Nessa medida, reiteramos a nossa Carta Aberta à CPLP sobre a

Situação da Guiné-Bissau:

Nós, Cidadãos Lusófonos, estamos fartos:

– estamos fartos de grandes proclamações retóricas, sem qualquer atitude consequente.

– estamos fartos de ouvir que “a nossa pátria é a língua portuguesa”, sem que isso tenha depois qualquer resultado.

– estamos fartos de escutar que a convergência lusófona é o nosso grande desígnio estratégico, sem que depois se dêem passos concretos nesse sentido.

Nós, Cidadãos Lusófonos, sabemos bem que a CPLP só faz o que os Governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa a deixam fazer e, por isso, responsabilizamos sobretudo os Governos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa pela inoperância da CPLP, 15 anos após a criação. Muitos desses Governos parecem continuar a considerar que a CPLP só serve para promover sessões de poesia – nada contra: sempre houve na nossa língua excelente poetas. Mas a CPLP tem que agir muito mais – não só no plano cultural, mas também no plano social, económico e político.

A situação a que chegou a Guiné-Bissau é um dos exemplos maiores dessa inoperância. Como o MIL há vários anos alertou, teria sido necessário que a CPLP se tivesse envolvido de modo muito mais firme, para além das regulares proclamações grandiloquentes em prol da paz, proclamações tão grandiloquentes quanto inócuas. Como sempre defendemos, exigia-se a constituição de uma FORÇA LUSÓFONA DE MANUTENÇÃO DE PAZ para realmente pacificar a Guiné-Bissau e defender o povo irmão guineense dos desmandos irresponsáveis e criminosos de muitas das suas autoridades políticas e militares.

Dada a situação extrema a que se chegou, só agora a CPLP parece acordar, ao propor “uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO – Comunidade Económica  dos Países de África Ocidental, a União Africana e a União Europeia”, bem como a “aplicação de sanções individualizadas”  aos militares envolvidos neste último golpe militar  – nomeadamente, a “proibição de viagens, congelamento de bens e responsabilização criminal”.

Obviamente, nós, Cidadãos Lusófonas, concordamos com essas propostas. Apenas esperamos que não cheguem demasiado tarde. E, sobretudo, que não fiquem por aí. O apoio à Guiné-Bissau terá que se estender aos mais diversos planos – desde logo, ao da Educação, da Saúde e da Economia. É mais do que tempo que o povo martirizado da Guiné-Bissau possa viver em paz, com acesso à Educação e à Saúde e com uma Economia que lhe permita viver dignamente.

Nós, Cidadãos Lusófonos, exigimos isso. E por isso exortamos a CPLP a dar, finalmente, passos concretos nesse sentido.

MIL: Movimento Internacional Lusófono

www.movimentolusofono.org

Armando Rocha-Trindade. Pioneiro do Ensino à distância em Portugal

Junho 10, 2009

In Memoriam” 

Armando Rocha-Trindade

Armando Rocha-Trindade

É com grande pesar que a Universidade Aberta (UAb) comunica o falecimento do Prof. Doutor Armando Rocha Trindade (1937-2009), fundador da UAB e seu primeiro reitor, que partiu ao princípio da tarde do dia 28 de Maio de 2009, deixando mais pobre o ensino superior e o País.

Nascido em Lisboa, a 28 de Maio de 1937, Armando Rocha Trindade licenciou-se em Engenharia Electrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico (IST), em 1961; doutorou-se em Física, em 1970, pela Faculdade de Ciências da Universidade Paris, tendo-se tornado Professor Extraordinário e Agregado em Física no IST, em 1974 e, em 1980, Professor Catedrático do Grupo de Disciplinas de Física do mesmo Instituto.

Figura que desde sempre se destacou pelo seu interesse pelo Ensino, e pela procura de soluções originais e inovadoras para os problemas educativos do País, Rocha Trindade desempenhou os cargos de Director-Geral do Ensino Superior (1975-1976); de Presidente da Comissão Científico-Pedagógica do Ano Propedêutico (1978-1981); de Presidente do Instituto Português de Ensino a Distância (1980-1988) e de Presidente do Instituto de Tecnologia Educativa (1987-1988).

Dedicou grande parte da década de 80 a actividades relacionadas com a concepção, o projecto e a criação de uma universidade de Ensino a Distância em Portugal, sempre com o objectivo de contribuir para a melhoria dos índices de formação superior de vastas camadas da população portuguesa, apostando em metodologias e instituições que pudessem proporcionar formação contínua e formação superior a adultos, já plenamente inseridos na vida activa.

Na sequência desse seu labor fundou a Universidade Aberta, em 1988, e dela foi Reitor em dois mandatos consecutivos (1989-1994 e 1994-1998), tendo também impulsionado a criação da Universidade Aberta Internacional da Ásia, constituída há 15 anos, em Macau.

Participou igualmente na fundação de algumas das principais redes europeias de educação a distância (como a EDEN – European Distance and E-Learning Network e a EADTU-European Association of Distance Teaching Universities), tendo exercido o cargo de Presidente do ICDE-International Council for Open and Distance Education (1995-1999); de membro do Conselho Executivo da EADTU (1987-1997) e de vice-presidente da EDEN (1990-1998).

Foi ainda membro do High Level Expert Group on the Societal Consequences of the Information Society, da Comissão Europeia (1995-1997), tendo desenvolvido, como perito, numerosos estudos para outros organismos internacionais e governos nacionais.

Armando Rocha Trindade produziu uma centena e meia de contribuições científicas e pedagógicas sobre Educação de Adultos e Educação a Distância, obra que se encontra disseminada em artigos, conferências e livros publicados em Portugal e no estrangeiro.

Foi sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, membro convidado do Senado da Universidade do Minho, Assessor para assuntos de Ciência e Tecnologia do Instituto de Defesa Nacional e delegado português junto do Projecto DELTA.

Titular de várias condecorações francesas, das quais se destacam a Ordre des Palmes Académiques (Comendador) e a Ordre national du Mérite(Oficial), foi analogamente Doctor Honoris Causa (Humane Letters) da State University of New York (1997), e da Open University do Reino Unido (1998), Professor Catedrático Honorário da University of External Studies da Federação Russa (1996) e Honorary Advisor da Shanghai Television University, da República Popular da China (1998).

Do mesmo modo, em 2002 foi distinguido com o prémio Robert de Kieffer International Award da Association for Educational Communication and Technology.

O Salão Nobre da Universidade Aberta exibe o seu retrato, brilhantemente pintado por Maluda, em 1994.

No âmbito da celebração do vigésimo aniversário da UAb (2 de Dezembro de 2008 a 2 de Dezembro de 2009), a Universidade Aberta homenageia ainda o seu reitor inaugural com a atribuição do Prémio Armando Rocha Trindade, destinado à melhor dissertação de mestrado sobre Educação a Distância.


%d bloggers like this: