NOVAS TROVAS

Por Francisco Miguel de Moura

 Qual o segredo da trova?

Não sei, ninguém saberá,

Visto que ela se renova

No “dois pra lá, dois pra cá”.

Saudade é coisinha boa

Se o amor não se demora,

Pois logo a saudade voa

E acaba o peso na hora.

Minhas mãos são vagarosas,

Meu pensamento é viageiro,

Pensando agarrar as rosas,

Pego os espinhos primeiro.

Não fico triste por isto,

Pois há tempo não escrevo.

Faço, risco e me despisto:

Um castigo que não devo.

Beber nunca foi preciso,

Senão amor e poesia,

Na mulher e seu sorriso,

Toda a noite e todo o dia.

Não sei o que há comigo,

Às vezes me dá horror,

Se amo, penso em castigo,

Se odeio, penso em amor.

Quem abraça com carinho,

Bem apertando nos braços,

Bebe uma taça de vinho,

Do mal espanta seus laços.

Não percamos nossa fé

Por qualquer coisa que venha,

A virtude não dá ré,

Quando o fogo acende a lenha.

Acostumado ao soneto,

Sinto-me um pouco amarrado,

Não ponho os olhos no teto:

Medo de ser apanhado.

São bem fracas minhas trovas,

Poderiam ser melhores,

Com filosofias novas

E o arco-íres nas cores.

 

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