CABRAL

Por Raquel Naveira

Ilustração de Liliane Lililane Gobbo

Ilustração de Liliane Lililane Gobbo

Cabral,
Navegador,
Bom soldado,
Cristão,
Leal,
Chefe ideal
Da esquadra de Portugal.

Partiram as treze naus,
Semanas e semanas no oceano,
Com medo de dragões,
Serpentes aladas
Que brotavam dos sonhos maus.

As caravelas ligeiras
Singravam os mares,
Uma sumira;
De repente, algas marinhas,
Aves nos ares,
De terra à vista, o sinal.

Um tripulante traz a notícia:
Há homens pardos e nus,
Beiços furados com ossos brancos
Como fuso de algodão,
Mas são mansos,
Podem descer afinal.

Trocas de presentes,
Danças,
Flautas,
Chocalhos,
Tambores;
Um localiza o Cruzeiro do Sul,
Outro escreve uma carta,
Outro caça papagaios,
É bela a ilha de Cabral!

A cruz,
Símbolo de fé e posse
É o novo padrão,
Todos oram,
Fazem gestos,
Cantam estranha canção.

Regressa Cabral
Entre tempestades,
Ataques muçulmanos,
Sete naus tragadas,
Destroços humanos
Numa refrega infernal.

Lisboa festeja a frota,
Especiarias,
Porcelanas,
Sedas,
Secretas rotas
É tudo que importa
Para o trono,
Dono de meio mundo,
O rei de Portugal.

Morreu esquecido,
Injustiçado e senil,
Quem era mesmo Cabral?
Que terra selvagem era aquela
De toras de pau-brasil?

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