Senhora do Adro

“Estava eu nestas meditações, começou um rouxinol a mais linda e desgarrada cantiga que há muito tempo me lembra de ouvir.”

 Almeida Garrett

(Viagens na Minha Terra)

 Maria do Adro

(a Camilo Castelo Branco)

por Raquel Naveira

Sou Maria do Adro,

O adro da igreja

Ajardinado,

Por onde se anda

E se beija.

 

Maria do Adro,

Camilo,

Aquela a quem deste um amor de perdição;

Foi a queda de um anjo,

Quando me tomaste em teus braços

Para senti-lo.

Eu tremia, lembra?

Quanta esperança e desalento!

Só me restará depois o convento

E a ti, o exílio;

_“É a paixão”, sussurravas

Entre meus mamilos.

 

No fim da paixão,

No vácuo,

No vazio,

Que suporte espiritual

Será capaz de assisti-lo?

 

 

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