Faça você mesmo seu Balanço Existencial

Por Saulo Krichanã Rodrigues

Em 2013 se está comemorando o Ano da Contabilidade.

Vai daí, em vários jornais e revistas, uma série de anúncios institucionais tem relevado o papel desses profissionais e a sua importância no apoio e desenvolvimento de atividades e iniciativas de toda a ordem.

Pessoalmente, sou admirador desses profissionais. E que, aliás, têm como patrono um matemático e religioso italiano – Frei Luca Bartolomeo de Pacioli – que teve Leonardo Da Vinci como um de seus alunos (e que ilustrou uma de suas obras).

E foi, precisamente, em apenas um capítulo de sua primeira obra, editada em 1494 – dois anos após a Descoberta da América –, e voltada a desvendar os segredos e os princípios da proporcionalidade, da matemática, da geometria e da álgebra, que Frei Luca lançou as bases do que viria a se constituir na Moderna Contabilidade, tal como hoje a conhecemos.

Pelo que passou a partir de então a ser conhecido como “Método Veneziano” ou o “Método das Partidas Dobradas”, todas as empresas, organizações e até mesmo os indivíduos tomados como pessoas fisicas, passaram a registrar e a obter o resultado de suas transações financeiras através de diversas variáveis chamadas “contas”.

Cada uma dessas “contas”, por sua vez, passou a refletir um aspecto em particular do negócio ou da atividade que se estava querendo registrar e acompanhar. E a cada uma delas passou-se a atribuir um determinado valor monetário.

Assim, cada transação financeira passou a ser caracterizada e registrada sob a forma de “entradas” em pelo menos duas contas, nas quais ao total de débitos deve sempre corresponder um valor igual e equivalente de créditos.

Assim, para formar Patrimônio, através da compra de algum bem – uma casa, por exemplo – regstram-se duas “contas”: uma “conta caixa” que receberá uma “entrada” de dinheiro suficiente de recursos para comprar a casa (crédito) e uma saída quando a casa for paga (débito); e uma “conta Patrimônio” que receberá de “entrada” um aporte do valor da casa (crédito) e uma saída que corresponde ao valor de patrimônio que passa a ser devido a quem comprou a casa (débito)

É como se dissessemos que tudo que é criado numa empresa será sempre representado em seu ATIVO. Mas, ao mesmo tempo, o valor desse ATIVO é devido a quem formou esses ativos com recursos próprios (PATRIMÔNIO) ou de TERCEIROS (EMPRÉSTIMOS), o que corresponde por outro lado, ao PASSIVO das transações que se deseja representar na Contabilidade do negócio ou atividade em questão.

Pode-se dizer de outra forma, que os recursos ou os meios que utilzaremos para a constituição de um negócio – sejam eles os nossos prórios recursos ou os recursos que buscaremos com terceiros –, serão representados por um conjunto de contas.

E que, por outro lado, que os usos ou as destinações e o emprego desses recursos no negocio que estanos criando serão representados por outro conjunto de contas.

Podemos repreentar esse conjunto de contas em duas colunas que irão representar um “balanço” entre o conjunto de contas que irão ser mobilizadas nos negócios (as CONTAS PASSIVAS ou as “fontes de recursos” que serão captadas para criar o negócio), e as contas que irão representar a aplicaçã dos recursos captados para iniciar o negócio (as CONTAS ATIVAS ou os “usos de recursos” que estarão sendo utilizadas para fazer o negócio se movimentar).

Mas o objetivo desse artigo não é, de fato, o ensino da contabilidade: até porque não tenho o conhecimento necessário para tanto.

Mas, tão somente de um lado chamar a atenção para o fato de que muitas vezes falamos (como fazemos) Contabilidade sem saber que a estamos exercendo ou exercitando.

Quando dizemos ao final do mês – ou com a inflação do tomate e do chuchu em alta, antes mesmo do final do mês – que “a conta de salário está devedora” estamos a rigor atestando que a conta de entrada de salário (crédito) não está sendo suficiente para lastrear e prover todas as demais contas que compõem o balanço mensal (ou seja, as contas a “débito” do supermercado, do pagamento de mensalidades escolares, dos transportes, do cineminha e outras mais estão ficando com falta de provimento).

Ou seja, tudo leva a crer que vamos ter que sacrificar o cineminha ou andar a pé se não quizermos acabar com o salário antes de acabar o mês. Ou então, usar o limite do cheque espacial (sic) ou do cartão de crédito, até que o vil SERASA nosso da cada dia nos traga de volta à sempre antipática realidade que OU estamos gastando mais do que podemos OU estamos precisando reforçar as preces e visitas à imagem de Santa Edwiges.

E como estamos quase já ao final do ano (que acaba como Nostradamus queria, a todo dia 20 de dezembro de cada ano, para recomeçar com a chegada das contas do IPTU, IPVA e com a rematrícula no feriado do dia 1º de janeio, o Dia Mundial da (falta) de Paz, para quem não tinha encontrado ainda os carnês que haviam ficado debaixo da árvore de Natal), na verdade o que gostaria de sugerir a cada um de nós é que tentássemos enxergar um Balanço diferente neste final de ano.

Mesmo que, pela pressão das “contas a pagar” (sic), este ano em certos momentos pareça ser o último ano de nossas vidas!!!

Não sei se por ter visto em um dos anúncios institucionais sobre o ano da Contabilidade o grande contador Antoninho Trevisan – que tanto admiro como profissional – ou por ter cismado que jamais um quase santo, como deviam ser os religiosos antigos (e tal como o Papa atual parece ser) iria inventar alguma coisa como a Contabilidade se não houvesse por traz dela também alguma mensagem maior, é que resolvi fazer um “Balanço Existencial” partindo dos mesmos princípios do monge fransciscano que se tornou Frei, nascido em Sansepolcro que é uma comuna italiana da região da Toscana, província de Arezzo, de grandes e inesquecíveis vinhos.

Tente Você também, paciente e benevolente leitor: com base nos poucos rudimentos contábeis aqui oferecidos – e tomando por base um BALANÇO SUGERIDO que vai ao fim de mais um de nossos torturantes artigos, recorte as palavras e os conceitos que lhes sao existencialmente mais caros e importantes. E cole em cartolina ou papel cartão, como se fossem aquelas fichas de jogos para brincar em família.

E monte o seu próprio Balanço Existencial.

Aporte, por exemplo, no lado das Contas de Passivo (as contas que dão os meios para a realização dos negócios, lembra?) os seus recursos próprios, E que poderiam se constituir no seu Patrimônio e seu Capital Pessoal, tais como o Amor, a Amizade, a Compreensão (pode também ser a Tolerância), ao lado de outras contas importantes e mesmo primordiais como o seu Caráter, Princípios e Crenças.

Como ninguém consegue ser autosuficiente (pelo menos o tempo todo), não se envergonhe de captar (ainda do lado dos meios ou das fontes para fazer o seu Balanço Existencial), outros Recursos de Terceiros não menos importantes, tais como o Conhecimento e a Sabedoria e demais Ensinamentos Diversos; os Exemplos a Seguir e a Evitar (notadamente estes); a Paciência, e tantos mais que a sua alma e coração estiverem demandando.

Mobilizados os reursos do lado das fontes (ou dos meios para se realizar seu Balanço Existencial), vamos fazer o negócio existir e andar.

Vamos, pois, do lado do ATIVO (ou dos “usos” dos recursos próprios e de terceiros amealhados) imobilizar em FAMILIA 1 e FAMILIA 2 (não se trata de poligamia explícita, não): mas da família que o originou e a familia que Você constituiu (ou quer constituir).

Se Você usou e cultivou bem os insumos do Amor e da Amizade deverá ter uma rotunda e corpulenta “Conta a Receber” de Curto, Médio e Longo Prazo, na forma de recebíveis eternos de Solidariedade, Companheirismo, Gratidão, Cumplicidade (benigna) e daí por diante.

O seu dia a dia estará representado no que se chama de CONTAS DE RESULTADO, eis que as contas ATIVAS e PASSIVAS do Balanço só são apuradas uma vez por ano: mas, convenhamos, pela composição das mesmas não dá para fazer como se fazia antes quando o médico pedia exames para certamente cortar nossas estripulias com açucar e doces e ficavamos em jejum de glicose algumas semanas antes né?

Assim, o bem ou o mal que fazemos (e recebemos) assim como as bobagens ativas e passivas (sic), são imputadas a nós diária e sistematicamente. Ao final do exercício (ou o final de ano), podemos ser credores ou devedores dessas contas.

O seu resultado é “jogado” contra a conta de Patrimônio e Capital Pessoal: se for negativa, reduz nossa capacidade de gerar um Balanço Existencial positivo ao longo do tempo. Se fora positiva, agregamos valor ao valor de nossos negócios (e, portanto, as nossas ações e Patrimônio Líquido, sobem que nem a as ações da PETROBRAS com os reajustes reais da gasolina, na Bolsa de Valores Existencial, a IBOVESPAEXIST).

Se tiver noções maiores de Contabilidade Empresarial, pode, por exemplo, achar o CAPITAL DE GIRO PRÓPRIO no seu BALANÇO EXISTENCIAL, apurando o resultado da identidade ATIVO CIRCULANTE – PASSIVO CIRCULANTE: se as contas do ativo execederam as do passivo, Você está “causando”, cara!

Se for negativa… é melhor pensar em trilhar o caminho de Santigo de Compostella o quanto antes…

E aí?

Preparado para montar o seu BALANÇO EXISTENCIAL? Ou está com medo?

É, meu caro, “não está facil pra ninguém” montar um bom Balanço Existencial!

Vá em frente! Faça o seu!

Ou crie as bases para fazer um “balançozinho” um pouco melhor para os próximos anos: que dê para mostrar aos seus camaradas nas redes sociais!

Tal como por certo pensava, na origem, o nosso Frei Luca di Bartolomeo de Pacioli.

Feliz 2014!

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