VESTÍGIOS DE ESFINGE

Por Rita de Cássia Alves

Desde quando as flores perderam as asas e firmaram seus pés em areia movediça

eu me despeço

Aceno com os cabelos cortados rentes à pele

Introduzo ramos de amoras

Embaixo das unhas

São delas as primeiras penas da ave

As mesmas barbatanas dos tucunarés

Em direção à nebulosa

Foram os sorrisos das serpentes

Os primeiros sinais de pacificação

Laços no pescoço

A viscosidade das libélulas

Na velocidade dos navios negreiros

Âncoras voavam sob as esfinges decompostas

Lâminas de água-viva

E as asas das sereias

Subiram pelos ouvidos

Enterrando as sementes da videira

Eu engoli o vinho aos borbotões

Transparência

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