A DEMOCRACIA AMERICANA EM CHEQUE

por Paulo Timm

As corporações do grande capital dominam a Política

Os Estados Unidos está fechado para balanço. Parques, Museus, outras Agências de Serviços Públicos, até a NASA, mandaram para casa seus funcionários. Mais de 800 mil… E o país está em suspenso. Presa do medo à atentados terroristas. Armado até aos dentes. Tenso.  onde foi aquele lugar idílico dos filmes do pós guerra, com cidades irretocáveis, casas  resguardadas por simbólicas cercas de madeirinhas brancas – picket fences – , onde se desenrolavam enlevados romances? O que passa com a América?

A América está em crise. E não se trata apenas da crise econômica desatada pelo estouro da bolha imobiliária que varreu empresas e empregos em 2008.  É uma crise mais profunda que vem se acentuando desde a década de 1970, quando a próspera indústria americana se viu confrontada com a entrada em cena dos países asiáticos, enquanto a Guerra Fria a encobria evidenciando a poderosa nação do norte como baluarte do Ocidente. Primeiro foram os produtos eletrônicos japoneses, depois os dos tigres orientais, e há menos de dez anos  invasão dos produtos industriais chineses de largo espectro. Já em 1973 o Presidente Nixon via-se na contingência de desvincular o dólar do padrão ouro, um dos suportes do Sistema Financeiro Internacional criado em Bretton Woods. Era já visível o desequilíbrio externo dos Estados Unidos. De lá pra cá, só problemas. Com economias estrategicamente dirigidas pelo Estado, elevadas taxas de investimento  e contingentes imensos de mão de obra extremamente qualificada de baixo preço os asiáticos arrasam. Salvam-se, apenas, os países com elevada capacidade de exportação de commodities como o Brasil e a Rússia.  Os industrializados sucumbem e revertem seu potencial de acumulação para o campo financeiro. Incapazes de competir na produção, compensam nas finanças, transformando-se em centros de informação e controle de uma nova era na qual se sucedem as crises de endividamento. Sobre cada uma delas, quebram os países, mas os Bancos saem fortalecidos e os ricos cada vez mais ricos. Foi-se, com isso, o tempo em que a moeda operava classicamente como unidade de medida e meio de troca. Releva-lhe, cada vez mais,  a função reserva de valor mediada pela presença dos Bancos como centros de informação em escala eletrônica global, sob o comando americano. Os capitães da indústria são substituídos pelos mega investidores que se convertem nos bilionários desta era. Rockefeller por George Soros…

Um dos filhos de Soros, aliás, é o protagonista dos reflexos desta perversão do capitalismo na ordem política, depois de um século de esforços para impedir que o poder econômico interferisse nos Partidos:

Jonathan Soros, hijo del rey de las finanzas George Soros, introduce una buena dosis de surrealismo con su nuevo Super PAC “Friends of Democracy” (Amigos de la Democracia),creado para, irónicamente, restar influencia a los Super PACs, y anuncia que dedicará de 5 a 8 millones de dólares en propaganda negativa contra los políticos que no apoyen la reforma del sistema actual de financiamiento de las campañas electorales (5)(6). La reforma pretende contraponer pequeñas donaciones de muchos ciudadanos a las grandes donaciones de la élite corporativa.

(Salvador Capote, “La democracia en U.S.A. se fue a bolina” – ALAI AMLATINA, 20/07/2012)

O mencionado PAC se refere aos Super Political Action Committees , Comitês de Ação Política, criados por milionários para arrecadar fundos que financiem campanhas contra toda e qualquer legislação ou autor que contrarie interesses financeiros, ou simplesmente financiar políticos de sua preferência. É exatamente este tipo de Comitê que está por trás da atual paralisação do Congresso Americano, pois eles, mesmo existindo entre os democratas, levando-os a se afastarem da tradicional agenda liberal das minorias e dos direitos civis, operam maiormente no Partido Republicano. Milhões de dólares, desta feita, são canalizados para a manipulação da Política e dos Políticos norteamericanos, maculando seu sistema democrático tradicional.

Esta prática tornou-se legal depois que a Suprema Corte , em Ação “Cidadãos Unidos x Federal Election Commission, em 21 de janeiro de 2010, considerou ilegais todas as restrições às doações em dinheiro para campanhas políticas. Desde então, disseminaram-se os Super PACs , que significam o controle financeiro sobre a democracia. Ou seja, sua própria morte.

Una desagradable consecuencia de la multiplicación de los Super PACs, es la proliferación de propaganda negativa, no basada en hechos reales, nauseabunda, transmitida a través de anuncios pagados que inundan los medios de información. De un 9% en 2008 esta basura electoral pasó a un 53% en 2012, o sea, un aumento de un 44% en un solo periodo (2).

De acuerdo con datos de la Comisión Federal Electoral (FEC), en las elecciones del año 2000 los PACs contribuyeron con 114,700,000 dólares; en las de 2004 la cifra se elevó a $192,400,000; en las de 2008, y todavía sin producirse la decisión de la Corte Suprema, saltó a $1,208,124,481. En este año electoral 2012, en menos de siete meses, y cuando la campaña no ha alcanzado todavía su etapa más candente, los PACs han contribuido ya con cerca de un billón de dólares ($904, 076,249). Podemos calcular que al llegar el mes de noviembre la cifra sobrepasará los dos billones de dólares.

(Salvador Capote, “La democracia en U.S.A. se fue a bolina” – ALAI AMLATINA, 20/07/2012)

São estas ações que estão levando à crescente radicalização ideológica do Partido Republicano e que, sob a ação dos chamados “filibusteiros”, que ocupam durante horas a tribuna do Senado, com o objetivo de ganhar tempo contra a entrada em vigor de medidas de caráter mais social do Presidente Obama, agora fecham o Governo. São ameaçadores.  E obra bem este Presidente, ao responder-lhes com o mesmo vigor. É a  derradeira tentativa para impedir que a histeria liberal, fundada no entendimento da cidadania como uma “graça” correspondente à responsabilidade civil de um, independente das suas circunstâncias, se instaure no centro do Império, enrijecendo mais ainda sua já histórica tendência à violência e discriminação contra os mais vulneráveis.

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