DESENCONTROS

por Rita de Cássia Alves 

O verde abriu o sarcófago dos templários

E de dentro do féretro saltam passados distantes

Em atividade de cacto.

Alguns olhos assustados e apartados pela linha do nariz

Outros, obtusos, buscam no chão um ponto luz.

Caravaggio perdeu a guerra da perspectiva

Pois o ataúde ignora o foco de projeção

Nucas e frontes disputam fachos esquizofrênicos

De uma iluminação nascida da ponta dos dedos.

Seres sem braços

Envoltos em fios de cobre

Ardem nas espreguiçadeiras de domingo

Imploram uma fatia de Tarte Tatin

E comem vorazmente com a memória.

Sobre as cabeças de pedra

Braços e pernas explodem do corpo-casulo

Um rosto emergido em pigmento

Desviando a ondulação da luz

Até o mais profundo vazio

Dos olhos negros.

“Desencontros”, Valdir Rocha, 2013. Pastel sobre papel tingido na massa.

“Desencontros”, Valdir Rocha, 2013.
Pastel sobre papel tingido na massa.

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