Fado e poesia entre a cruz e a caldeirinha

Fado e poesia, em ‘Estranhas Formas de Vida‘ (Alpharrabio Edições e Dobra Editorial, 64 páginas, preço médio R$ 25), que Dalila Teles Veras lança hoje na Livraria Alpharrabio, em Santo André, são elementos díspares, alinhados “pelo comum desfilar de tragédia”, como descreve Carlos Felipe Moisés na orelha da obra. Para a poetisa portuguesa radicada andreense são elos entre “sociedades culturalmente diferentes, mas compostas igualmente por seres falhos e trágicos em seu inevitável fadário”.

A ideia de reunir os dois veio de uma sugestão do escritor Tarso de Melo. Enquanto todos ouviam fado na Livraria Alpharrabio, com Amália Rodrigues a cantar “Que estranha forma de vida / Tem este meu coração / Vive de vida perdida / Quem lhe daria o condão? / Que estranha forma de vida”, o poeta sugeriu: “Por que você não escreve sobre isso?”. Depois de tanto matutar, Dalila encontrou confluência entre a sua poesia urbana e concisa e as letras do tradicional ritmo português.

“O que eu quero, além de estabelecer o diálogo com o fado, as minhas raízes, é mostrar que as tragédias podem estar presentes tanto em canções quanto em poemas”, diz Dalila, que entre uma poesia e outra de sua safra começou a identificar o mesmo ser humano diante da perplexidade do cotidiano, tanto nas ações criadas a partir de situações vividas nas metrópoles brasileiras quanto nas fadistas epígrafes, que reúnem trechos de fados diversos.

Corriqueiras tragédias como assassinatos, roubos e abandonos estampam os versos presentes nos livros. As epígrafes já dão um toque da maneira como os assuntos são expostos. São situações que fazem parte da vida, mas que requerem uma atenção especial. “À medida em que esses fatos são retirados do cotidiano e transformados em poesia, eles não estão mais banalizados. Uma coisa é você ler em jornal e outra em poema, que requer uma paradinha para prestar atenção.”

A conexão epígrafe-poesia-Portugal-Brasil é a vida por trás do verso. O fado clama, de um lado, uma aproximação apaixonada da poesia. De outro, a sensibilidade de Dalila pede uma interação mais íntegra com a vida narrada. Estranhas formas de vida passam, na leitura, a coabitar nossa existência. E a clamar mais de nós mesmos nesse processo que não é só viver, mas também sentir.”A velocidade, a violência e a tragédia são do ser humano desde o tempo dos gregos. Não invento a roda com isso, mas tento refletir sobre a vida de uma grande cidade que pode ser Santo André, São Paulo ou Lisboa.

Fonte: http://www.dgabc.com.br/Noticia/456430/fado-e-poesia-entre-a-cruz-e-a-caldeirinha?referencia=minuto-a-minuto-topo

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