PERNAS

Por Rita de Cássia Alves

Arranquei as minhas pernas

Deixei-as soltas e independentes

Numa os pelos recobrem a pele

Noutra nada há além da pele

Minhas pernas optaram por não mais voltar ao corpo

Alegando alforria conquistada

Pelos anos somados e passos dados pelo mundo

Romperam com o sexo

Num divórcio irrevogável com o peito

E da cabeça nenhuma lembrança

Andam avulsas

Numa a suave sombra da meia de seda

Noutra o fecho sem chave das chagas abertas

Minhas pernas se cansaram de carregar o corpo

Andam sem rumo, sem reta, sem rosto.

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