Há um interesse crescente na obra de António Quadros.

Entrevista de Mafalda Ferro Presidente da Fundação António Quadros concedida ao Jornal “DIABO”:

Há muito interesse pela obra de antonio quadros

Quando nasceu a Fundação António Quadros e quais os seus objectivos?

A Fundação António Quadros foi instituída no dia 8 de Maio 2008 e reconhecida pela Presidência do Conselho de Ministros no dia 9 de Janeiro de 2009. Nasceu da vontade de reunir, tratar e divulgar os espólios documentais e bibliográficos deixados por António Quadros, Fernanda de Castro e António Ferro bem como de promover e apoiar o estudo da vida e obra destas três personalidades, incontornáveis intervenientes na vida cultural do século XX.

Tem notado um maior interesse na obra de António Quadros?

Sim, posso dizer-lhe que, só em 2013, a Fundação tem promovido e apoiado diversas iniciativas em curso ou em preparação como, por exemplo:

o Colóquio promovido, no presente mês de Maio, pela Fundação António Quadros, pela Universidade Católica Portuguesa e pelo Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro;

o Exposição bibliográfica e documental da vida e obra de António Quadros, patente na Biblioteca Universitária João Paulo II, da Universidade Católica portuguesa, com o grande apoio da Fundação António Quadros;

o Círculo de Conferências promovido em Fevereiro pelo Círculo António;

o Colóquio “António Quadros, 20 Anos Depois”, a realizar em Junho pelo Círculo António Telmo;

o Homenagem a António Quadros, numa celebração In Memoriam, integrada na 23.ª Festa do Espírito Santo, na Arrábida, no domingo, 19 de Maio de 2013, realizada pela Associação Agostinho da Silva pelo Convento Sonho;

o Publicação de um número (2.º semestre de 2013) de “A Nova Águia” inteiramente dedicado a António Quadros;

o Inauguração de uma placa pela Comissão Municipal de Toponímia na casa onde o pensador viveu desde o dia do seu nascimento até ao dia do seu casamento (1923-1947);

o  Atribuição do Prémio António Quadros 2013, categoria de romance;

o  Apoio da Fundação de vários trabalhos de investigação, dependentes da consulta do espólio de António Quadros;

Como avalia até agora o Colóquio Internacional que terminará no Rio de Janeiro?

O Colóquio reuniu cerca de 50 oradores portugueses e brasileiros e teve uma afluência de aproximadamente 200 pessoas no decorrer dos três dias. Atendendo a que foi realizado em dias de semana, acho que se pode afirmar que está a correr muito bem. Vamos a ver no Brasil.

É importante esta ligação ao Brasil?

Muito importante, como continuidade do trabalho de António Quadros em prol de uma cultura comum de raízes portuguesas e de divulgação dos autores portugueses. António Quadros, António Ferro e Fernanda de Castro são três personalidades muito divulgadas no Brasil. Veja-se, este ano, a atribuição do Prémio Fernanda de Castro, pela Confraria Brasil-Portugal em Divinópolis. Por acreditar na importância da ligação cultural Portugal/Brasil, a Fundação está a apoiar o Núcleo António Ferro/Fernanda de Castro da exposição que se prepara para 2014, no Museu da Presidência e, a Fundação prepara, também, duas publicações de correspondência de autores brasileiros, parte do seu espólio; uma em parceria com a Universidade de Coimbra e a Universidade Unicentro do Paraná.

Em relação à Fundação, quais os efeitos dos cortes feitos pelo actual Governo?

Face aos resultados do Censo às Fundações, foi deliberado, e tem sido bastante noticiado, cortes de 30% nos apoios financeiros públicos recebidos pela Fundação. Ora, o curioso é que a Fundação não recebe quaisquer apoios financeiros públicos. Recebeu apenas em 2010/2011 um subsídio pontual da FCT para tratamento e divulgação do seu espólio. Posso, por isso, dizer qu os efeitos financeiros dos cortes são nulos pois não houve cortes. No entanto, somos afectados pois quando tentamos obter apoios, as entidades pensam que a Fundação recebe apoio do Estado, o que, repito, não é verdade.

Quais as maiores dificuldades que a Fundação enfrenta?

A Fundação debate-se diariamente com dois graves problemas: a falta de recursos humanos e a sua sustentabilidade financeira. Actualmente, depende financeiramente, apenas do apoio de um grupo de particulares “Amigos da Fundação” e das vendas da sua livrariaonline.

E a nível de recursos humanos, quem trabalha efectivamente na Fundação?

A Fundação tem três colaboradores em regime de voluntariado: dois voluntários em tempo parcial que, infelizmente, deixarão de poder apoiar a Fundação depois da sua transferência definitiva e, eu, que trabalho na Fundação a tempo inteiro. Depois da instalação definitiva em Rio Maior, será lançado um programa de voluntariado em todas as áreas de actuação da Fundação.

E em relação às instalações?

A Fundação assinou no dia 8 de Maio, um protocolo com a Câmara Municipal de Rio Maior, cuja Presidente, uma mulher de grande visão, entendeu:

o A importância do papel desempenhado por António Ferro, Fernanda de Castro e António Quadros na vida cultural nacional e internacional, entre 1895 e 1994;

o A urgência de se reunir e tratar o espólio da Fundação, de grande riqueza histórica e transversalidade cultural;

o A necessidade de descentralizar a cultura presentemente sedeada nos grandes pontos urbanos.

Assim, a Fundação partilhará um edifício com a Biblioteca Municipal de Rio Maior sendo que ambas as Instituições se apoiarão, mantendo, cada uma, a sua identidade própria e os espaços atribuídos a cada uma, apesar de existirem áreas comuns que serão partilhadas por ambas.

Acha que ainda há resistência à obra de António Quadros por ser filho de António Ferro?

Penso que não. A sua filiação é quase sempre mencionada mas, isso não me choca. Acho normal.

Há algum projecto da Fundação relativamente à obra de António Ferro?

Sim, além das publicações já referidas, a Fundação em parceria com o Gabinete para os Meios de Comunicação Social: Núcleo dos Projetos Especiais, Palácio Foz, assinalar á os 80 anos depois da criação do Secretariado da Propaganda Nacional (SPN/SNI), a 26 de Outubro de 1933.

A Fundação apoia ainda diversos trabalhos de investigação à volta do espólio de António Ferro.

Nota: O Secretariado da Propaganda Nacional, denominado a partir de 1944 Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo, foi inaugurado no dia 26 de Outubro de 1933 e dirigido durante 16 anos, por António Ferro, com sede em São Pedro de Alcântara e, mais tarde, no Palácio Foz. 80 Anos depois, a Fundação António Quadros e o Gabinete para os Meios de Comunicação Social: Núcleo dos Projetos Especiais, Palácio Foz, unem-se para assinalar essa data. Programa em preparação.

Algo a acrescentar?

Sim, gostaria de referir que a Fundação trabalha com duas importantes ferramentas: o Estatuto de Utilidade Pública que isenta a Fundação do pagamento do IVA e a declaração do interesse cultural da Fundação para efeitos de mecenato que concede à Fundação autoridade para garantir benefícios fiscais a particulares e Instituições que a apoiem através de doações, subsídios ou patrocínios.

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