Sonho (re)corrente

Por Dalila Teles Veras

 Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;”

Naufrágio, Cecília Meireles / Alain Oulman

Um rio, estreito e veloz:

na superfície, aconchegada

(líquido conforto)

eu mesma, barco

nele navego

tudo é sensação e velocidade

as margens próximas

(quase tocáveis)

a paisagem borrada

(não há contemplação

nem há tempo)

corre o rio, corro com ele

rua lamacenta

agora, o rio

nítida, a paisagem

(desolação)

onde recomeça o rio?

muito distante daqui

dizem-me

sem mensurar distâncias

nem me olhar nos olhos

Texto do livro “Estranhas formas de vida” a sair brevemente pela Dobra Editorial, SP (em co-edição com Alpharrabio Edições)

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