Feira Internacional do Livro

Por Cyro de Mattos

Antes de embarcar para Frankfurt para participar da tarde de autógrafos do meu livro Zwanzig Gedichte von Rio und andere Gedichte, em português  quer dizer Vinte poemas do rio e outros poemas, traduzido por Curt Meyer Clason para a língua de Goethe, procurei me inteirar um pouco da cidade. Situada no estado de Hessen, é a quinta maior cidade do país, com cerca de 700 mil habitantes. Destruída durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade  foi reconstruída e se tornou em um dos maiores centros financeiros do mundo. O rio Meno com  524 quilômetros  de extensão,   a rede de  sessenta museus, a casa de Goethe, a Catedral de São Bartolomeu e a Igreja de São Paulo são alguns  pontos turísticos que a cidade oferece ao visitante.

A Feira do Livro de Frankfurt, em alemão Frankfurter Buchmesse, é o maior encontro mundial do setor editorial, sendo realizado desde 1949 em Frankfurt e atraindo anualmente mais de 7.000 expositores e 280.000 visitantes.

Durante a Feira  é entregue o Friedenspreis des Deutschen Buchhandels (em português: Prêmio da Paz do Comércio de Livro Alemão), um prêmio da paz alemão com repercussão internacional, e o Deutscher Jugendliteraturpreis, um prêmio tradicional destinado ao melhor livro de literatura infanto-juvenil alemã.

A Feira do Livro de Frankfurt, no ano de 2010,  realizou-se de 6 a 9 de outubro.  Foi no último dia que compareci ao stand de minha editora, a Projekte-Verlag, de Halle, às 15 horas, e autografei alguns exemplares de meu livro. Entre os presentes ao evento estavam Carlos Frederico Graf, presidente do Centro de Cultura Brasileiro,  Doutor Dark  Antonio da Luz Costa, presidente das Federações dos Comércios da América do Sul, a empresária Antonia Dimitruka, o Professor Doutor Claudius Armbruster, da Universidade Zu Koln, e alguns funcionários da Fundação da Biblioteca Nacional. A Fundação da Biblioteca Nacional marcava presença na Feira divulgando  autores brasileiros,  através de palestras e exposições de livro. Oferecia seu stand como espaço para o intercâmbio cultural e editorial.

Não sei o que mais me impressionava na Feira do Livro de Frankfurt, se o seu tamanho incalculável ou a quantidade de pessoas de quase  todos os povos. No mesmo dia em que lancei o meu livro, horas depois fui assistir no piso inferior da Feira o lançamento do livro Um Brasileiro em Berlim, crônicas, de João Ubaldo Ribeiro. Esperava encontrar naquele momento com o meu companheiro de geração e colega da turma  formada em 1962 pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Infelizmente ele não compareceu ao evento.

A funcionária da editora do Centro do Livro Português lia em português uma crônica do consagrado escritor baiano e o tradutor depois fazia o mesmo, agora em alemão. A platéia numerosa de alemães irrompia em gargalhadas com o humor do autor em alguns trechos de suas crônicas, referindo-se a encontros inusitados e fatos corriqueiros do povo alemão de Berlim. E eu ficava me deliciando por ver que um brasileiro conseguia fazer sorrir com seus escritos tanto alemão de uma só vez, um povo que sempre me pareceu racionalista, disciplinado  e fechado.

Aproveitei para dar um passeio na cidade em meu último dia em Frankfurt.  Por onde andei senti a atmosfera dessa cidade com trinta por cento de estrangeiros, cinquenta feiras com exposições internacionais, uma arquitetura imponente em que se  mesclam edificações modernas com antigas construções típicas da Alemanha no espaço  de uma  convivência harmoniosa.  Embora repleta de grandes e modernos edifícios empresariais e bancários, tendo os dois maiores da Europa, Frankfurt é bem arborizada e dispõe de dezenas de parques numa demonstração clara de que os governantes de lá consideram as questões ambientais e se preocupam com a preservação da natureza.

Fiquei me perguntando como um povo inteligente e trabalhador, que deu alguns gênios para a humanidade, causou uma guerra mundial liderada pelo ditador nazista. Guerra que eliminou milhões e provocou o holocausto contra judeus alemães. Lembrei, nesse instante, de Anne Frank, a judia alemã que nasceu em Frankfurt. Teve que viver escondida dos alemães durante dois anos, na Holanda. No esconderijo escreveu seu diário relatando a angústia daqueles dias. O rio Meno desviou meus pensamentos para a visão de suas águas tranquilas, cortadas por navios mercantes e abrigando navios hotéis nas suas margens.

Ao retornar para o hotel no taxi, o motorista, um indiano radicado há tempos em Frankfurt,  perguntou-me se eu gostava de futebol e se tinha visto Pelé jogar. Respondi que era difícil brasileiro não gostar de futebol. Tinha visto, sim, o rei de futebol jogar várias vezes, no Maracanã pela seleção brasileira e no estádio da Fonte Nova pelo Santos. Completei dizendo que o meu Bahia se sagrou o primeiro time campeão brasileiro de futebol jogando contra o Santos, um time fenomenal, que só tinha craques, inclusive o genial Pelé. 

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