Se eu vivesse na corte de Dom Pedro II

Por Raquel Naveira

Seria monarquista,
Teria um retrato enorme dele na sala de jantar:
A farda azul-marinho,
As barbas brancas,
Os olhos observando os gestos,
Um retrato tão vivo e autoritário
Que não poderia encará-lo à noite,
À luz da lamparina.

Se eu vivesse na corte de dom Pedro II,
Acreditaria em fatalismos,
Em poderes divinos
Que marcam reis e escravos;
Teria seios volumosos,
Vestidos de renda,
Seria uma dama requintada
Que guardaria para si
O orgulho e a solidão
De uma vasta cultura cristã
E mais nada.

Se eu vivesse na corte de d. Pedro III
Seria como ele
Fascinada pelo Egito antigo,
Desvendaria hieróglifos nas pedras à beira-mar,
Andaria numa liteira de cetim
E só diria “obrigada” em francês.

Se eu vivesse na corte de D. Pedro II,
Teria chorado ao vê-lo partir
Com seu travesseiro de terra brasileira
E seria capaz de me atirar nas águas
Como aquela índia
Em busca do navegante português,
Seu ingrato amor.

Se eu vivesse na corte de D. Pedro II
Seria súdita leal,
Meio estranha,
Meio louca,
Como uma noiva
Deixada no altar
Ou trancafiada num convento.

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One Comment em “Se eu vivesse na corte de Dom Pedro II”


  1. Obrigada pela publicação de nosso poema.
    “D. Pedro II” é personagem importante para ser lembrado na revista que celebra a Lusofonia.
    Abraço,
    Raquel Naveira


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