Sincronicidades poéticas

Por Dalila Teles Veras

Vias Oblíquas

     “Porque parte tudo um dia

    O que nos lábios ardia

    Até não sermos ninguém

       Paixões Diagonais, Miguel Ramos / João Monge

depois que a mulher voejou

levando consigo a

claridade dos cômodos e

duas décadas coabitadas, o

marido, no escuro

ensimesmado

deixou o cabelo crescer, o

mato tomar conta dos

canteiros, o

pó cobrir móveis e assoalhos

sete luas após a mulher

levar consigo a sonoridade

da alcova, o marido

às claras e resoluto

reagiu

engaiolou dez pássaros e

registrou em cartório o

certificado de propriedade

dos novos moradores

 (garantia do controle de vôos e

ingresso permanente a

concertos privados)

 

Poema livro inédito Estranhas Formas de Vida.

Colagem de Margarita Lo Russo, artista visual e escritora argentina, 2010.

Nota de Rodapé da autora: “A Colagem de Maregarita Lo Russo é prova mais do que viva do fenômeno. O poema foi escrito bem depois e sem que eu tivesse conhecimento dela. Quando a vi, porém, tive a certeza de que foi feita para o meu poema, não para ilustrá-lo, mas, antes, completá-lo. Sincronicidade poética. Fica aqui, portanto, registrada a minha homenagem a essa grande artista de quem tenho a honra de ser amiga e parceira há décadas”.

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