Poemas do “Sangue Português” – VISÃO DE ANGOLA

                                                                a Agostinho Neto Por Raquel Naveira

Vejo Angola

Da janela do avião:

Uma barcarola

No mar de Benguela,

A água lilás,

Guardiã da sabedoria,

Divide em ondas-

A guerra de um lado

E de outro, a harmonia.

 

Vejo Angola

Da janela do avião:

Uma casinhola,

A amoreira gigante

Onde enterrei a pistola

Com a qual me mataria.

 

Vejo Angola

Da janela do avião:

Tão verde,

Tão sagrada,

Nem parece que presenciei a degola,

O combate,

A afirmação de nacionalidade,

O canto dos poetas

Exigindo liberdade

Nas cordas da viola.

 

Vejo Angola

Da janela do avião:

Angola, minha escola,

Meu espaço de luta,

Minha infância crioula,

Mestiça,

Filho de português e africana.

 

Não  pintarei mais meu corpo de tacula,

Não ouvirei mais o tam-tam dos tambores,

Não tocarei a pele dos antílopes,

Não comemorarei ritos de passagem,

Não seguirei as abelhas do dia,

Nem penetrarei nas florestas de lianas.

 

Angola,

Da janela do avião,

Rola

Como um filme

No fundo das minhas retinas

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