Poemas do “Sangue Português” – CAMÕES EM MACAU

Por Raquel Naveira

Macau,

Entreposto português na China,

Às margens do rio das Pérolas

Que  adornam a fronte da deusa A-má

Refletida no mar de espelho,

Azul, manchado de vermelho.

 

Camões,

O poeta,

O soldado,

O aventureiro,

O exilado,

Desce da nau,

Sobe à colina,

Ali encontra uma gruta entre rochedos,

Um refúgio

Para armar sua rede,

Guardar a espada

E afiar a pena;

Escreve então um longo poema

De heróis trágicos,

De deuses mitológicos,

Paixões,

Intrigas,

Batalhas e cobiças,

Salvou a si mesmo

E ao nosso idioma.

 

Lá embaixo, na ilha,

O calor é sufocante,

Sopram  os tufões,

Há jogatina,

Licores,

Cavalhadas,

Amigos vadios

E saiotes de meretrizes,

O poeta perde a fibra

E o fôlego,

Afoga-se em tormentas

Nadando a vau.

 

Naufrágio…

Salta do barco,

Braçadas,

Mais braçadas,

O manuscrito colado ao corpo,

Dinamene,

Escrava de quem era escravo,

Engolida no turbilhão,

Terra firme,

Desmaia agarrado ao couro do gibão,

Febre,

Ânsias,

Ardência,

Dói seu coração.

 

Macau

Foi seu destino,

Rolar como um calhau,

Bastava-lhe amor,

Mas os erros,

A violência,

Os duros fados

Se conjuraram aos desígnios

De um terrível anjo mau.

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