Nota sobre João Alves das Neves (1927-2012)

Por Francisco Seixas da Costa

Em 2005, quando cheguei ao Brasil, levava comigo o interesseem conhecer João Alvesdas Neves, um jornalista português há muito radicadoem S. Paulo. Ouvirafalar dele ao meu primo Carlos Eurico da Costa, com quem havia trabalhado nessa breve e pouco conhecida aventura jornalística portuguesa que foi o “Diário Ilustrado”. Como outros jornalistas portugueses oriundos dessa experiência, Alves das Neves viria sair para o Brasil e a ingressar em “O Estado de S. Paulo”. Durante décadas, vir o seu nome ser referido, em Portugal, associado a diversas atividades públicas realizadas no Brasil. 

Encontrei João Alves das Neves pouco tempo depois de estar no Brasil, no tradicional almoço semanal da Casa de Portugal. Ao longo do tempo que estive naquele país, fomos mantendo um contacto escrito regular e, por diversas vezes, conversámosem S. Paulo. Lembro-mebem de, uma tarde, ter de lhe acalmar os seus ânimos agitados contra a gestão do nosso consulado-geralem S. Paulo. Eraum homem emotivo, porque era uma figura muito apaixonada por tudo aquilo em que empenhava.

João Alves das Neves foi uma personalidade que se preocupou com a divulgação da cultura e da literatura portuguesa no Brasil, estando ligado a inúmeras iniciativas nesse âmbito, muito em especial através do movimento associativo da comunidade. Tinha um especial interesse em Fernando Pessoa, cujo Centro de Estudos criou, em S. Paulo.

Morreu agora na sua terra beirã, de que sempre falava com saudade.

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One Comment em “Nota sobre João Alves das Neves (1927-2012)”


  1. Eu conheci o João Alves das Neves quando decidi editar o meu livro “Fernando Pessoa na Intimidade” no Brasil, creio que foi por volta de 1987 ou antes, não importa.O que sei é que ele foi uma espécie de anjo protector, de meu conselheiro, abriu portas que eu jamais conseguiria, deu-me apoio, hospitalidade, escreveu o prefácio do meu livro, recebeu-me em sua casa, ele e sua mulher que também é uma pessoa excepcional. Enfim, muitas poderiam ser as palavras, mas nenhuma delas poderá transmitir o carácter, a honestidade, a humildade, a inteligência deste grande Amigo que partiu e que deixa um vazio em todos nós e uma saudade imensa do tamanho do Atlântico que separa as terras que sempre amou. A ele se deve muito da divulgação do nome de meu tio avô F. Pessoa no Brasil. Ele investigou, analisou, escreveu, esgotou-se em trilhos árduos para difundir o poeta em Portugal e no Brasil.
    Muitos, e são muitos, os que se podem gabar de ter sido amigo do João, ele dava-se aos outros sem pedir nada em troca, era uma alma gentil e generosa. Nunca o esqueceremos, os frutos que deixou vão florescer, que na família, quer entre os amigos e admiradores.
    Ele foi tudo de muitas maneiras e fez jus ao poeta que ele tanto admirava.
    Que descanse em paz ao lado do Senhor e que passeie pelos campos de trigo e pelas margens dos rios, que brinque com o Menino Jesus e que role com ele pelas encostas dos montes de algodão. Nós, por aqui, esperamos reencontrá-lo no cimo de alguma montanha banhada pela luz.
    Com muita saudade

    Isabel Murteira França


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