Orquídeas como memória viva

Por Dalila Teles Veras

Estas orquídeas vivem no Brasil há 54 anos. Vieram, em forma de bulbos, lá do Funchal, na Ilha da Madeira (a toalhinha bordada sob o vaso também), no navio Santa Maria, numa demorada travessia oceânica (10 dias), sem volta. 

Escondidas por minha mãe no baú de madeira, em meio a outros objetos, como sua máquina de costura, estas orquídeas desembarcaram no porto de Santos, junto a toda minha família, em 29 de novembro de 1957.  

Além dos dois vasos de onde estas duas hastes com cerca de 20 flores cada, foram retiradas, há outra dezena de vasos, todos plantados pelas mesmas mãos que as arrancaram da terra mãe e as trouxeram para a terra adotada.

Há nove anos a jardineira cuidadora partiu, mas por uma inacreditável teimosia das forças da natureza, as orquídeas continuam a florescer, incrivelmente belas e viçosas, como se mãos invisíveis as acarinhassem e as fizessem viver. Simbolizam ainda a memória viva de uma saga luso-brasileira, que há de permanecer na memória e nos gestos dos que vieram depois, continuadores dessa sua história.

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One Comment em “Orquídeas como memória viva”

  1. por autor Says:

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    Dez mil orquídeas

    O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra receberá, a 13 de março, 10 mil orquídeas cedidas por dois jardineiros finlandeses especializados naquela planta, da qual possuem uma das maiores coleções europeias Pekka e Tuulikki Ranta, finlandeses especializados em orquídeas.

    O protocolo com a Casa de Orquídeas Orkidearanta, propriedade de Pekka e Tuulikki Ranta, prevê a cedência das orquídeas, que vão ficar expostas nas instalações ao JBUC “por um período de 30 anos”, refere, em comunicado, a Universidade de Coimbra.

    “Com este protocolo, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra terá uma das maiores coleções de orquídeas da Europa em exposição permanente, numa das estufas que será transformada em orquidário e que terá visitas guiadas diárias”, adianta.

    Adianta que a manutenção da coleção e a formação de jardineiros especializados ficará a cargo de Pekka e Tuulikki Ranta, os colecionadores de orquídeas que residem em Coimbra.

    Para ilustrar a coleção, aquando da assinatura do protocolo – quarta-feira, pelas 14:30, na Reitoria da Universidade – estarão patentes vários exemplares de orquídeas, plantas que predominam em países de climas tropicais como a Colômbia, Brasil e Equador e da qual existem, em todo o mundo, cerca de 50 mil espécies.

    Fonte: Lusa – http://www.revistalusofonia.pt/cultura/artigo.php?id=dez_mil_orqudeas


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