“A COMARCA”, “ARGANILIA” E “A COMARQUINHA”

Por João Alves das Neves

Toda a História se baseia em documentos – e tudo o resto é conversa fiada. Repetir o que nos disse o amigo nada vale se não tiver uma base documental. Já lemos uma série de “estórias” sobre a Imprensa que nem merecem a catalogação. Ainda recentemente, um pretenso “estoriador” classificou como jornal uma revista da emigração: quer dizer, ele nem viu a publicação, mas certamente ouviu dizer…

O que se passa no jornalismo da emigração acontece também com freqüência na área regional. E na “grande imprensa” nem se fala, pois o hábito é ignorar a Província. Foi com o intuito de discutir a questão que a revista Arganilia tentou estabelecer o primeiro inventário da Imprensa da Beira Serra (nº 12, ano 2000, Lisboa). Foram reunidos mais de uma dezena de autores, cada um versando livremente o seu tema, mas o “inventário” contou apenas com dois trabalhos sobre o tema – Bosquejo histórico da Imprensa Arganilense,  de Regina Anacleto, e outro da nossa autoria, Subsídios para o Inventário da Imprensa Arganilense.

Mais tarde, ampliámos o nosso estudo: Para a História dos Jornais e Revistas Arganilenses (nº 20 de Arganilia, ano 2006), e recentemente alargámos a série com mais 3 artigos na “Comarca”  restaurada, depois da desastrosa falência da empresa e do período vazio entre 10 de junho de 2009 e 23 de dezembro de 2010, o que significa que, tendo aparecido em 1 de janeiro de 1901, as edições ainda não somaram 111 anos. Talvez as datas não tenham grande importância, porém os historiadores estarão perfeitamente informados.

Entretanto, a nova A Comarca de Arganil reapareceu e os seus mais antigos colaboradores sentem-se concerteza recompensados, apesar do longo hiato de quase um ano e meio. Aliás, pouco há a acrescentar à História coordenada pela escritora Regina Anacleto, malgrado as falhas de atenção a certos participantes, entre os quais apontamos António Lopes Machado, redactor, durante meio século, em Lisboa do jornal centenário que em boa hora passou a dirigir.

Remetendo-nos à História dos 100 anos, limitar-nos-emos a mencionar a relação estabelecida sob a autoridade de Regina Anacleto com sobre os diretores/editores do periódico, desde o 1º número, em 1-1-1901:

 1) 1901-1904 A. J. Rodrigues, proprietário e editor responsável;

2) 1905: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, e António A. B. Gama editor;

3) 1906: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, António A. B. Gama e F. Gomes Júnior. Editores;

4) 1907: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, e F. Gomes Junior, editor;

5) 1908-1909: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director;

6) 1910: Francisco Ignácio Dias Nogueira, director, e Eugénio Moreira, diretor e administrador, que se manteve na direcção do jornal até 1942, e veio a ser substituído por A. Lopes da Costa no cargo de director efectivo; 1943-1955 posição que só deixou de exercer quando foi substituído em 1958 por João Castanheira Nunes. De 1982 a 1999 a direcção plena do jornal foi assegurada por Francisco Carvalho da Cruz, que teve Jorge Moreira no cargo, no ano 2000, até 2009, quando a empresa proprietária do jornal, requereu a falência.

A revista “Arganilia” e “A Comarquinha”

A revista “Arganilia” publicou o seu primeiro numero no 2º semestre de 1992 e o seu propósito foi o de abordar os temas culturais da Beira-Serra. O titulo foi inspirado, em 1912, pelo então jovem jornalista, escritor e diplomata Alberto da Veiga Simões, que não realizou o projecto por ter sido nomeado Cônsul de Portugal em Manaus. Porém, o seu espírito motivou-nos ao lançamento da publicação 70 anos mais tarde.

Estão publicados 23 volumes que destacam não só a obra de Veiga Simões mais também as do poeta Brás Garcia Mascarenhas, Visconde de Sanches de Frias, José Simões Dias, Condessa das Canas, Prof. Padre Antonio Nogueira Gonçalves, Conselheiro Albino de Abranches Freire de Figueiredo, Monsenhor Augusto Nunes Pereira, Dr. Fernando Vale, Prof. Dr. Marcelo Caetano e Profª Drª. Regina Anacleto. Paralelamente foram editados volumes sobre Arganil, Góis, Pampilhosa da Serra, Poiares, Coja, Oliveira do Hospital e Lousã, assim como nºs. dedicados à imprensa Arganilensse e ao ensino.  

Trata-se de uma publicação que já reúne uma boa parte de estudos sobre o patrimônio cultural da Beira-Serra. A larga maioria das edições foi dirigida por nós e por António Lopes Machado. É a primeira revista da nossa região, o que tem provocado inúmeras tentativas de utilização de pessoas não autorizadas, do ponto de vista intelectual. Não obstante, os seus mentores pretendem continuá-la, tanto mais que aspectos importantes do patrimônio histórico-cultural da região estão dispersos ou ainda não foram analisados.

Quanto ao suplemento infanto juvenil “A Comarquinha” foi durante 16 anos um caderno de “A Comarca de Arganil”, sendo o ultimo volume de 03 de dezembro de 2008. Foram publicados 216 números, tratando de assuntos de feição regional, especialmente para os jovens. O seu propósito foi sempre o de despertar o interesse das crianças e dos adolescentes pela leitura da “A Comarca” de amanhã.  

Com este quarto artigo sobre a imprensa arganilense, concluímos por agora nossa pesquisa e os nossos comentários acerca de um tema sempre atual e não aprofundado até hoje.

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