Esperança para Portugal

Por A. Gomes da Costa

A reeleição de Cavaco Silva na presidência da República Portuguesa tem, a nosso juízo, dois significados importantes. O primeiro, confirma a insatisfação da maioria dos eleitores com o governo socialista que nos últimos anos conduziu o País à situação difícil em que se encontra; o segundo, pode ser interpretado como um sinal de esperança no único candidato, independentemente da biografia e do pastoreio ideológico dos de mais, que possui condições para influir, por sua experiência administrativa, por sua formação e por seu prestígio junto à comunidade internacional, na recuperação da vida política portuguesa.

Nos períodos mais dramáticos da História, fossem eles decorrentes das desgraças e das guerras, ou do desânimo, os portugueses agarraram-se quase sempre à figura messiânica de um ‘salvador”. Começou assim, para não recuarmos até Ourique, com o Mestre de Aviz, no crepúsculo do século XIV; repetiu-se com o mito sebastianista, após o desastre de Alcácer- Kibir; e aconteceu com Salazar, depois das confusões e das trapalhadas da 1ª República. A regeneração do “rei no cadaveroso” no subconsciente coletivo, pressupunha a intervenção do “Encoberto” e do “predestinado” para debelar as crises e o abatimento. O “V Império” e a “demanda de Graal” nunca desapareceram do imaginário coletivo, como também não desapareceu a figura pessoana do “Presidente-Rei”, mesmo quando, dentro do arrebata mento romântico de um povo triste, era negro o futuro do País.

De alguma forma, a reeleição de Cavaco Silva, no quadro de imensas preocupações em que se realiza, não deixa de ter um pouco desse sentimento, ou dessa memória, de fazer de Portugal outra vez Portugal, como queria Almeida Garrett. Os tempos mudaram, os desafios são diferentes e o próprio regime político subtraiu do Presidente da República poderes constitucionais que seriam necessários para corrigir, com menos traumas, os desvios, dar outra “cara” ao governo e despertar nos portugueses a força necessária para restaurar as energias e fortalecer os vigamentos da Pátria.

Entretanto, não há outra alternativa senão cravar em Cavaco Silva a esperança do País mudar de rumo, por fim às enfermidades que o debilitam, correr com os políticos incapazes e falastrões, enfim, apelar para as virtudes e o sacrifício de todos – para reencontrar-se rapidamente com sua vocação histórica e reconstruir o que perdeu, reagir contra o bota-abaixo da incompetência e fazer, com coragem e determinação, uma nova travessia em busca do progresso e da prosperidade. 

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