O inesperado fim do ano de 2009, que vivi no Hospital de São Joaquim, em São Paulo

Por João Alves das Neves

1- Talvez vez seja oportuno lembrar que, após um ataque de tosse, pode vir outro –  e foi o que me aconteceu. Depois do primeiro, vieram muitos, embora ao chegar ao pronto-socorro do grande hospital da Beneficência Portuguesa esperasse achar depressa  a mezinha salvadora e voltar para casa, antes que os meus filhos e netos fossem cumprir os programas que haviam feito para a noite de 31 de Dezembro. Mas não foi assim e eu e a minha Mulher ficámos num apartamento hospitalar confortável e em segurança.

Afinal, a broncopneumonia foi eficazmente combatida, mas não sem afetar outros órgãos,  entre os quais o coração, a garganta e sei lá mais o quê e somente após 36 dias pude regressar a casa – espero que por bastante tempo! Sentia-me protegido, no hospital São Joaquim (a Beneficência Portuguesa de São Paulo inaugurou há meses as  novas instalações do São José (que fica do outro lado da rua), moderníssimo (aliás, ambos estão super-equipadíssimos, dispondo de mais de 60 salas de cirurgia e de quase 2.000 leitos),  contando  com a assistência de cerca de 1.500 médicos e vários  milhares de enfermeiro(a)s – no total, são perto de 5.000 os funcionários: admito que o conjunto hospitalar luso-paulista é não só o maior do Brasil mas também do vasto  Mundo Português.

Aqueles que ainda não puderam avaliar o esforço da emigração portuguesa têm na Real e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência Portuguesa de Beneficência de São Paulo, fundada em 2 de Outubro de 1859, o exemplo da fé inquebrantável da Diáspora Lusíada, cujos representantes dispersos pelos 5 Continentes dignificam a Pátria distante e os países onde se radicam. Os emigrantes portugueses valem pelo que constroem!

2- Sim, quando temos dores, as noites custam a passar. E sem dores também custam: o silêncio não é apenas de ouro. A semi-sonolência levou-me com freqüência à  aldéia natal e a toda a Beira-Serra, aos familiares e amigos, a Lisboa e a São Paulo (onde, afinal, eu me encontrava). E as pessoas vivas e mortas dialogavam comigo – lá em frente, eu via os soutos (que já desapareceram), as oliveiras e os meus amigos de outrora. E eu renascia! Sonho? Talvez, mas era o passado que se confundia com o presente, era o meu Pisão restaurado, após a grande luta que  a gente da minha terra travou pelo progresso comunitário. E, entre os felizes  minutos revividos,  algumas mágoas e incompreensões dos que não me conhecem. Haja o que houver, valeu a pena!

3- Já estou outra vez na luta, mas, antes de concluir, quero agradecer aos amigos que me contactaram e desejaram  “boa saúde”!

(*) O autor desta crônica vive no Brasil (e-mail: jneves@fesesp.org.br)

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7 comentários em “O inesperado fim do ano de 2009, que vivi no Hospital de São Joaquim, em São Paulo”

  1. Fernanda Leitao Says:

    Caro João Alves das Neves
    Acabo de ler o seu sucinto relato dessa pouco agradável aventura de fim de ano e aqui estou a desejar-lhe completo restabelecimento, num grande e amigo abraço.
    Folgo saber que voltou às lides das pátrias letras e praza Deus que contemos consigo por muitos anos.
    Fiquei maravilhada com a descrição do Hospital da Beneficência Portuguesa. É uma honra para todos os Emigrantes. Porque será que a RTP não divulga estes factos bons? Toda a diáspora deve saber, porque é um exemplo.

    Até sempre!
    Fernanda Leitão

  2. Isabel Gouveia Says:

    Só agora tomei conhecimento de que esteve doente no final de 2009. Felizmente, já recuperou. Desejo-lhe muita saúde e muitos anos de vida, mantendo a actividade que tão proveitosa tem sido para a sociedade em geral, e particularmente para aqueles que algum dia entraram em contacto consigo. É esse o meu caso. Obrigada.
    Um grande abraço
    Isabel Gouveia

  3. Ma. Beatriz R. de Alcântara Says:

    Queridos amigos Idalina e João, depois de 3 meses em Portugal, só hoje tomei conhecimento do grande mal-estar de saúde porque passaram nos dias que iniciaram este ano de 2010. Uma vez recuperada a saúde do João, espero que agora ela lhe acompanhe por muito e longo tempo!
    Mas, como não agradecer o relato dos dias hospitalizados do escritor João Alves das Neves? A boa disposição para com a vida esteve presente em cada linha, parabéns! O lirismo do sonho-vigilia, um universo encantado que nos guiou pelas vias do outrora menino, pela feliz convivência com os amados que partiram, pela clima bucólico das estreitas e floridas ruas do Pisão de Coja…em tudo, amigo, você foi generoso para com a vida. Bem haja! Beatriz Alcântara


  4. Prezado João Alves das Neves,

    gosto de saber que está novamente de saúde.

    Felicidades e continuemos…

    Henrique Salles da Fonseca
    http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/

  5. cunha de leiradella Says:

    caríssimo joão,
    internado, agora! quê que é isso, sô! não te esqueças que ainda nos devemos um almoço e uma ginja com elas, caraças! tudo de bom pra ti e prá idalina.
    abraços do teu velho
    cunha de leiradella

  6. Humberto Lima de Aragão Says:

    Insigne mestre e escritor,
    Peço-lhe desculpas pela ausência de notícias. Os muitos compromissos e o excesso de aulas não justificam o meu silêncio.
    Somente hoje li o seu relato, e o brilhantismo do seu texto evocou-me a experiência narrada por Rodrigues Miguéis em “Um homem sorri à morte – com meia cara”. Fiquei feliz com a sua recuperação.
    O trabalho com os artigos sobre Miguéis encontra-se nos Estados Unidos desde dezembro passado. Permaneço na expectativa de sua publicação.
    Abraços, extensivos a D. Idalina,
    Prof. Humberto

  7. Isabel França Says:

    Caro amigo
    João
    Espero que , deste modo, possa, enfim, poder contar com o seu mail, tenho enviado vários, mas sem resposta.
    Conto que já esteja restabelecido da sua doença e que possa continuar na sua senda literária de muito mérito e persistência “malgré tout”.O nome de Fernando Pessoa e a sua obra devem muito a tido o que tem escrito sobre ele.
    Um grande abraço amigo.
    Isabel França


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