Acolchoados no Algodão de Deus

A Fonte e a Reflexão

Acolchoados no Algodão de Deus

Teodoro A. Mendes (Tamen)

Deus empregou quatro mil anos para preparar o povo eleito. Cumulou-o de atenções. Enviou-lhe, a intervalos, os profetas, com a incumbência de manter acesa a espera. E quando o Cristo veio, a primeira adoração solene e oficial foi-lhe prestada por gente estranha àquele povo, por gentios. Que não aconteça a mesma coisa connosco.

Mimados demais pela graça, acolchoados no algodão de Deus, poderá acontecer que um dia chegue um qualquer, oriundo de raias longínquas e nos peça informações a respeito daquele Menino. E nós, tenhamos de confessar, com vergonha, que jamais o encontramos de verdade, que naquela estrebaria jamais pusemos os pés.

A. Pronzato

in, Evangelhos que Incomodam

Os Evangelhos que Incomodam é um daqueles livros raros e inquietantes que não deixam indiferentes os leitores. O trecho que se transcreve ipsis-verbis pertence ao cap. As Surpresas de uma Viagem onde o autor divaga sobre os Magos, que representam no nosso imaginário uma página cheia de poesia, de acordo com o senso comum, mas que dissecada como é, pelo autor do livro, nos deixa reflexões pertinentes e algumas surpresas.

Reflectindo, temos que a primeira das surpresas que nos é apresentada é o caminho.

Temos a ideia que a estrela iluminou sempre todos os passos dos Magos, num íntimo desejo que um qualquer dos nossos próprios caminhos seja sempre uma luz, se possível, feérica. Mas não. Todos os caminhos têm luzes e sombras. Aconteceu isso com os Magos. Nas dobras dos montes, naturalmente, tiveram sombras, mas não desistiram. Viveram plenamente a própria aventura, até chegarem ao seu destino.

E nós? – Quantas vezes desistimos, se o caminho se entorta?

Diz o autor que aquilo que é nossa tentação é ter um caminho seguro. Directo, perfeito, uma espécie de auto-estrada do espírito. Se possível, até, com placas de sinalização bem visíveis.

Eis uma reflexão que não podemos deixar de fazer, sem esquecer que os Magos eram gentios – e não tiveram medo de certos percalços –  e nós, ou somos cristãos ou andamos á procura de o ser. Pensemos nisto.

Na continuação, vem a segunda das surpresas são os profissionais da lei.

Ao chegarem a Jerusalém, os Magos depararam-se com o rei Herodes, com seus sacerdotes e outros peritos da Lei, os escribas.  Nenhum deles sabia do Menino e, no entanto, eram homens informados.

A estrela, porém, brilhava no céu. Estava informada. Era um sinal, ao invés de nós – obras primas da Criação – que nos recusamos, embora nos digamos cristãos a ser sinais do Menino, ocultando, até, por omissão, quantas vezes,  aquela Luz que não cessa de brilhar.

Somos, procedendo desse modo, parecidos com os velhos profissionais da Lei da corte de  Herodes, dando como eles deram, respostas cheias de doutrina, mas pouco esclarecedoras.

Algo que nos deve inquietar, se vivemos acolchoados no algodão de Deus. Muita doutrina e pouca acção.

A terceira reflexão e última surpresa é uma pergunta sobre os presentes dos Magos: bastam aqueles presentes?

Vindos de onde vieram e pelo que representaram foram dádivas importantes.

Apesar disso, diz o autor que houve uma desproporção dos presentes em relação ao destinatário.

E nós, que respondemos? – Aquele Menino, afinal, era Rei, e dos seus nada recebeu que não fosse aquele casebre de animais e, até, por vergonha nossa, de empréstimo. Por uma noite.

Cabe esta pergunta: – À sua Mensagem de Amor, se faltamos naquela noite com uma prenda retumbante e condizente com O Filho de Deus, como nos temos redimido? Demos de barato a moeda que pomos aos Domingos na caixa das oferendas e pensemos no que nos falta dar de amor pelos mais pequemos, não sendo, necessariamente – os de menor tamanho –  mas os que num dado momento precisam de nós. Aquele Menino Jesus, disse, um dia, que se olhássemos pelos mais pequenos era como se olhássemos para Ele.

Será que as nossas prendas têm estado sempre de acordo com o destinatário, que sendo no mundo que passa o mais pobre, é uma imagem de Jesus? – Ele mesmo o disse, não nos esqueçamos.

Ou vamos continuar, contentes  com a moeda que damos e a viver felizes, acolchoados no algodão de Deus?

Contentes, mas sem sabermos dar resposta – se nos perguntarem – por aquele Menino que nasceu para dar cumprimento à falta de amor que havia… e continua a haver neste mundo!

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