O Luso-brasileiro Dr. Fernando Leça preside à Fundação Memorial da América Latina

Cartas da Diáspora

O Luso-brasileiro Dr. Fernando Leça preside à Fundação Memorial da América Latina

Dr. Fernando Leça

Dr. Fernando Leça

Formado em Direito, ex-Deputado e Secretário de Estado do Emprego e Relações do Trabalho, em São Paulo, o Dr. Fernando Leça tem ocupado outros altos cargos e é, desde 1/3/2005, Presidente da Fundação do Memorial da América Latina, entidade de grande projeção na vida cultural dos países latino-americanos.

Tudo isto seria suficiente para o impor no Brasil, em Portugal e na América Latina, mas há outro mortivo de relevo que o destaca entre os luso-brasileiros – o Dr. Fernando Leça nasceu em Vale de  Nogueira (Bragança), em Portugal, tendo emigrado (ainda criança) com os Pais para o Brasil, onde estudou  e fez toda a sua carreira profissional, política (é do Partido Social Democrata Brasileiro) e cultural.

É um verdadeiro símbolo da luso-brasilidade e a sua dupla condição de cidadania jamais o impediu de ser fiel às duas Pátrias de raízes comuns. Figura de grande projeção, goza naturalmente de justo prestígio   nos países que  sempre pestigiou.  Por isso, os  portugueses do Brasil consideram o Dr.Fernando Leça um dos mais valiosos símbolos da união do Brasil e Portugal.

À frente da Fundação do Memorial da América Latina e cumprindo fielmente os princípios da instituição, o dirigente da importante instituição tem reforçado os laços culturais entre todos os países que a constituem e, no respeitante a Portugal têm sido inúmerosas as manifestações, entre as quais assinalamos a grande exposição de Eça de Queiroz, em São Paulo (organizada em Lisboa pela Biblioteca Nacional),  um colóquio de escritores e professores portugueses e brasileiros, na oportunidade das comemorações da chegada ao Brasil da Corte Real Portuguesa e,  em 2008, um Encontro Evocativo do IV Centenário do Padre António Vieira (projetado pelo Centro de Estudos Fernando Pessoa), cujos estudos estão em curso de impressão. A lista das realizações seria extensa se enumerássemos as exposições, conferências e outros atos culturais no domínio luso-brasileiro.

Salão de Atos

Salão de Atos

Sob a direção firme de Fernando Leça, a entidade latino-americana de  São Paulo está festejando 20 anos de intensa e profícua açaão cultural, esclarecendo-nos o Presidente da Fundação:

– O Memorial da América Latina comemorou 20 anos de atividade da sua fundação no dia 18 de Março de 2009. Criado em 1989 pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com concepção do antropólogo Darcy Ribeiro, o Memorial continua sendo o maior espaço para as manifestações culturais e artísticas dos povos latino-americanos.Não há, em nenhum outro lugar, um espaço inteiramente dedicado aos povos latino-americanos como este, que ocupa 84 mil metros quadrados na Barra Funda, em São Paulo.

Segundo Niemeyer, em declaração feita à época, esta é uma das suas obras mais marcantes: “O Memorial da América Latina é a obra que mais tem aquilo que gosto de fazer: surpresa arquitetural e plástica. É um conjunto arquitetônico bem resolvido. Mas, mais importante é o empreendimento em si, que se coloca a tarefa de congregar os povos latino-americanos.

Nesses 20 anos o Memorial cumpriu bem sua função de integrar as manifestações culturais latino-americanas. No campo artístico, recebeu o Balé Nacional de Cuba, com a coreógrafa Alicia Alonso  à frente, por duas vezes, a Orquestra Filarmônica de Israel, regida por Zubin Mehta, a cantora Mercedes Soza, Astor Piazzola, Libertad Lamarca, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, entre muitos outros artistas reconhecidos  internacionalmente. Em sua galeria foram organizadas mostras antológicas de grandes mestres, como Rugendas, Fernando Botero, Juan Rulfo e Oswaldo Gyuayasamin.

Muitas autoridades estiveram neste espaço privilegiado. Dentre elas, podemos citar o Papa Bento XVI, os presidentes Fidel Castro, Hugo Chavez, Bill Clinton, Mikail Gorbachev, Mário Soares, Eduardo Duhalde, César Gavina e Fernando Henrique Cardoso, entre muitos. Embaixadores e cônsules sempre são recebidos para cerimônias e eventos neste espaço.

O Dr. Fernando Leça enumera em seguida as principais realizações da sua Gestão:

Os últimos anos contaram com iniciativas pioneiras, como o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, o Festival Ibero-Americano de Teatro, a Cátedra Memorial da América Latina em parceria com as três Universidades públicas paulistas (USP, Unicamp e Unesp), que recebeu a chancela da Unesco e a Biblioteca Virtual da América Latina (BV@L), esta com o apoio da Fapesp, além dos cursos  de extensão e seminários  com intelectuais de peso, festas ao ar livre, edição de livros premiados (dos prêmios Jabuti) e da revista bilingue “Nossa América”, que agora é trimestral.

Criamos novos projetos musicais, como o Adoniran, de música popular brasileira, o Conexão Latina, que reúne um música brasileiro a um latino-americano e o música do Meio-Dia, que promove formação de público para música de câmara.

Na parte física, o Memorial passou por um importante processo de restauração entre 2005 e 2006, tendo começado pelo Pavilhão da Criatividade e passado por todos os prédios. O acervo de arte popular latino-americana também passou por restauro. Além disso, implantamos um projeto paisagístico nas áreas verdes do Memorial.
E quais são os projetos a curto, médio e longo prazos?

Dar continuidade aos projetos já citados. Na parte física, temos o piso tátil, a ser implantado em toda a extensão do Memorial, propiciando melhor acesso  aos deficientes visuais.
Quanto aos programas em curso, diz-nos o Dr, Fernando Leça:

– Atualmente, todos os projetos que implantamos seguem em curso. A Cátedra segue para o seu 4º. Módulo, com o catedrático Herman Chaimovich, que abordará o tema “Ciência e Atividade Econômica na América Latina”, a partir de Agosto deste ano.

As séries musicais continuam a pleno vapor, trazendo novos e consagrados talentos da música latino-americana. Somos também a casa de duas orquestras, a Banda Sinfônica e a Orquestra Jovem Tom Jobim, que fazem concertos mensais e gratuitos no Auditório Simon Bolívar.

Os festivais de teatro e cinema já estão na terceira e quarta edições, respectuivamente , atraindo grande público ao Memorial, assim como muito espaço na mídia.

A entrevista do Dr. Fernando Leça foi concedida ao jornalista, professor universitário e escritor João Alves das Neves.

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